José Duarte: “Em Portugal, as mulheres são ainda jovens e apaixonadas pelo jazz”

“Um, dois, três, quatro, … 50 anos de jazz”. Este bem podia ser o novo ‘jingle’ do programa radiofónico de José Duarte e que completa, este domingo, cinco décadas de existência. De segunda a sexta, e desde os anos 90 na Antena 1, o crítico apresenta tudo o que há para conhecer neste universo da música. Em dia de celebração, José Duarte fala de como Portugal desconhece e despreza este género musical, de como foi suportando ‘os coices’ e qual o papel das mulheres e da nova geração na divulgação do jazz.
O que significam estes 50 anos de um programa de rádio de jazz?
No que diz respeito ao facto de ser um programa de rádio, este é um pauzinho na engrenagem, possível com persistência, paixão, trabalho, aceitação e muito coice aguentado. Refiro-me a Portugal porque noutro país eternamente subdesenvolvido não existe

Crê que reconciliou os portugueses com o jazz?
Reconciliar é um verbo mal usado, pois jazz nunca foi conhecido pelos portugueses. Hoje é ‘aceite’ por uma minoria. O jazz é uma música de luta contra a surdez musical e é preciso saber-lhe a gramática. Não se ensina, aprende-se.

O que falta fazer neste domínio em Portugal?
Em Portugal, prefiro escrever sobre o que falta fazer aos banqueiros… Sou radical, mas, para agradar a senhoras e meninas, digo-vos que falta audição… É da prática que chegam as ideias justas disse Mao. Falta ouvir muito mais jazz em casa, na televisão, na rádio e falta aprendê-lo e usá-lo. Em Portugal – hoje então! -, o jazz é ignorado, desprezado pelos media.

Qual a relevância das mulheres neste género musical?
Em Portugal, elas são ainda jovens e apaixonadas pelo jazz. Temos a trompetista Susana Santos Silva, a Adriana, a minha filha, na flauta transversal, temos as vozes da Marta Hugon ou da Jacinta. Mas, e há sempre um mas, erram ao chamar-lhes músicas. Ou seja, elas são da Música, lá isso são, mas são músicos.

Qual a importância e o futuro delas neste universo em Portugal?
O futuro do jazz reside na transformação motivada pelas influencias que lhe são estranhas. Quando for avô, as minhas netas serão jazzwomen e o jazz será outro. Será um tipo de música que se toca com os instrumentos e as notas de outras músicas, mas que se modifica velozmente. Em 2017 completam-se 100 anos sobre a ‘Original Dixieland Jazz Band’, que gravou (mau jazz tocado por brancos imitando negros) o que já existia em New Orleans, nos Estados Unidos.

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