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’13 Reasons Why’, a série que está a alertar para o suicídio na adolescência

À primeira vista, ’13 Reasons Why’ (‘Por Treze Razões na distribuição em Portugal’) pode parecer uma história sobre e para adolescentes, igual a tantas outras. Mas é mais do que isso. A série da Netflix recorre a um enredo intrincado e misterioso, assente num grupo de estudantes, para falar sem tabus de bullying e suicídio da adolescência.

A trama é baseada no livro homónimo de Jay Asher, editado em 2007, e o seu impacto já se faz notar, apenas duas semanas depois da estreia no serviço de streaming. De acordo com as estatísticas recolhidas pelo site Fizziology, que se dedica a pesquisar tendências nas redes sociais, ’13 Reasons Why’ foi tweetada mais de 3,5 milhões de vezes só entre os dias 31 de março e 7 de abril.

Isto faz da série, que tem Selena Gomez como produtora executiva, a mais comentada do ano na rede social. O recorde anterior era de ‘Chasing Cameron’, com 1,326 milhões de tweets gerados.

Dylan Minnette e Katherine Langford são os protagonistas da série

O argumento começa quando Clay Jensen (Dylan Minnette) regressa a casa depois das aulas e encontra uma caixa com o seu nome. Dentro dela estão várias cassetes gravadas por Hannah Baker (Katherine Langford) – colega de escola e a sua paixão escondida -, que se suicidou duas semanas antes.

A forma, muitas vezes crua, com que esta jovem vai narrando ao coprotagonista a sua vivência na escola, e as 13 razões que a levaram a matar-se, está a levar a debates sobre se a mesma deve ser vista por adolescentes, com psicólogos a pedirem aos pais para, pelo menos, assistirem a um primeiro episódio com os filhos. Só então devem ponderar deixá-los – ou não – ver a série sem acompanhamento de um adulto.

No Brasil, um aumento de 445% de pedidos de ajuda recebidos pelo Centro de Valorização da Vida, que combate o suicídio, é atribuído a esta história. O presidente desta associação, Robert Paris, diz que os jovens citam a personagem interpretada pela atriz australiana Katherine Langford e que se identificam com a narrativa. O que é bom, acrescenta, porque permite aos voluntários que recebem os pedidos “falar livremente dessa personagem e da pessoa” que os contacta. “Essa pessoa fica mais à-vontade para desabafar”, explica.

No YouTube, há quem publique vídeos a alertar para o facto de haver quem possa projetar na história os seus problemas de depressão e de tendências suicidas. “Ela [a personagem] está vazia de emoção, não sentia mais nada. Eu sei o que é isso…”, diz uma das internautas.

Alertas à parte, o escritor Jay Asher já veio dizer que uma segunda temporada não está fora de questão.

Ana Filipe Silveira