“As pessoas precisarão sempre de pratos”

Às duas coisas certas que Shakespeare dizia que todos nós temos com que contar na vida – a morte e os impostos – nós acrescentamos mais uma: pratos. Aliás, o título deste shopping foi mesmo ‘roubado’ a uma das marcas que nele constam, a inglesa People Will Alaways Need Plates, que apresenta o segundo prato mais caro da nossa seleção.

Os pratos devem ser a mais antiga marca da civilização ocidental que todos nós temos em casa; foram trazidos para a mesa antes dos talheres (as colheres primeiro e os garfos muito depois, já depois da Idade Média, no século XV e apenas usados por meia dúzia de moderninhos), e o seu uso era primordialmente para separar a comida que se iria ingerir do tampo nojento da mesa.

Hoje são um acréscimo à bela vida, tanto que a sua fileira é chamada pelos franceses como Les Arts de la Table.

Os pratos são daquelas coisas que se deixam em testamento e, quando comprados com sentido, comprados em bom, e poupados do inferno que é o interior de uma máquina de lavar louça enquanto trabalha, se disputam depois de a avó ter entregue a alma ao criador, apesar desta ter comprado o Folha de Tabaco em 1950 apenas porque era bom e bonito.

A louça utilitária é um dos grandes itens da fileira que se vê renovada estação após estação; antes do mais é brutalmente perecível, não só porque quando cai se parte mas mais especialmente porque é daquelas coisas que apetece mandar ao chão em picos de raiva (a mim muitas vezes, a si não?)- experimente partir dois ou três pratos no chão da cozinha, é melhor que uma hora de yoga.

Para além do seu evidente caráter utilitário, os pratos podem ser arte de parede, como afinal fazia a tal avó e como tantos de nós agora começam a fazer. Sabe aquela parede do hall vazia, ou o espaço sobre o aparador da sala onde nenhum quadro fica bem? Levante-se cedo e vá à Feira da Ladra, à da bagageira ou a qualquer outro rastro, meta 50 euros no bolso, beba 3 cafés e meta-se ao caminho.

Prepare-se para regatear (faz parte deste processo, é como estar na Tunísia), mas seguramente trará para casa todos os pratos para conseguir para aquela parede que imaginou. Neste caso, coisa rara na deco, não se sinta obrigada a manter o mesmo registo, quantos mais e mais diferentes melhor, aqui a mólhada é o melhor layout que se possa querer: bom, mau, lascado, com cabelo (fina linha no esmaltado), desenhado ontem, ou velho de 40 anos, liso, com padrão, tudo, e tudo ao molho, é a receita perfeita.

Não use pregos, o estuque da parede não é fiável e mais tarde ou mais cedo a pechincha que custou 5 euros mas que vale pelo menos 30 pode espatifar-se em cacos no chão; broca fina, bucha fina e fino parafuso, é mais seguro e quem depois tapa um furo de prego, quando mudar a instalação de pratos para outro sítio, tapa igualmente um buraco de bucha.

E agora, com esta nova onda do anti-chique, pode mesmo ter um prato de cada nação para usar à mesa, que quando cansar pode ir para o seu próprio acervo histórico exibido na parede.

Como dizia Martha ‘Courvoisier’ Stewart, em casa nada se desperdiça, tudo se transforma, e uma parede de pratos, fixos à própria ou numa cristaleira ou escaparate pensados de propósito, são uma referência querida que toda a gente tem, e que fará do hall ou da parede da sala o mais confortável e empático wellcome que alguma vez terá em sua casa.


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