Kabbalah: poder ser rico e feliz, e ir para o céu na mesma.

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No virar do milénio Madonna trocava o tom apenas dançável e meio brejeiro de toda a sua obra anterior por um também muito dance mas mais profundo álbum Ray of Light. O que já se suspeitava sabia-se agora, a deusa das modas tinha encontrado a Kabbalah.

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“ O segredo da felicidade é dar”, dizia a diva a várias publicações por alturas do lançamento do Ray of Light, em 1998, um disco que a começar no nome irradiava luz. E luz é a palavra a reter aqui. A Kabbalah é antes do mais luz, e amor. Cantava ela, na faixa Nothing Really Matters (não se iluda com o japonesismo/mcqueenesco da produção do vídeo, a mensagem escrita diz tudo de uma cabalista encontrada):

“Quando era muito nova, nada era importante para mim, fazer-me feliz era a única coisa

Agora mais madura tudo mudou e nunca mais serei a mesma, por tua causa

(entra dance)

Nada realmente importa, tudo o que precisamos é Amor

De tudo aquilo que eu te dou, tudo retorna a mim…”

E segue a confissão de mais uma que se encontrou, belissimamente dançável, querida Madonna, seja por onde fores…

A Kabbalah é antes de mais um caminho de realização pessoal. O que a distingue da restante ‘oferta’ espiritual, é que não obriga, como a maior parte desta, à abnegação mais ou menos completa nem a votos de vida simples e humilde. Bem pelo contrário: ‘se eu prosperar, tu podes prosperar comigo’, afinal não esqueçamos que é um braço do Judaísmo, e é por aqui que os discordantes pegam, mas disso falamos lá mais para a frente.

O ’renascimento’ contemporâneo da Kabbalah é muito devido ao facto de Madonna se ter tornado dela estudiosa e de muitos de nós, todos os outros, só nos mexermos em função do que fazem ou escolhem as celebridades. Como dizia Edina, a metade morena das Absolutly Fabulous, Madonna é um guia quase natural, “que nos conduz a todos, darling!”. E neste caso caiu especialmente no goto a uma certa onda boho, os modanti relevantes da altura, uma espécie de hippies, mas endinheirados, limpinhos e seguidores de modas. E eram tantos que num par de anos o mundo ocidental redescobriu a Kabbalaha, que tinha afinal estado sempre lá, pelo menos desde quase o outro virar de milénio. E antes ainda, como uma revelação mística e secreta, passada de um iluminado para outro.

E o que é afinal a Kabbalah? Segundo o site do Centro londrino, “é um ensinamento espiritual que fornece meios práticos para encontrar a felicidade e realização pessoal”. É um braço do antigo misticismo judaico que ensina aos seguidores a sua versão da Verdade, e como funcionam o Universo e Deus. Tem sido desde sempre, essencialmente, uma tradição oral que na sua versão mais esotérica pretende conhecer os segredos da Torah não escrita, aquela revelada pessoalmente por Deus a Adão e a Moisés. Enquanto que o Judaísmo se pratica seguindo a observância das Leis de Moisés, a Kabbalah providencia os meios para uma aproximação à divindade, diretamente e sem entrepostos.

A forma de nos aproximarmos da Kabbalah é estudando. Tem que se conhecer para se amar; qualquer outra forma é cínica e de apenas ‘verniz’. Madonna fê-lo com o rabino Philip Berg, que antes tinha já simplificado o estudo da Kabbalah, reenquadrando-a no quotidiano contemporâneo, o que permitiu o acesso generalizado a qualquer um que a quisesse conhecer, sem outras premissas que não a vontade de o fazer.

Mas no caminho contemporâneo da Kabbalah nem tudo são rosas. Como sempre, com uma corrente nascem várias contracorrentes, mais depressa ainda desde que a aldeia se tornou global. Especialmente do lado de lá do Atlântico, onde a corrente cresceu mais depressa, e em Londres, onde a diva foi a única de tanta vedeta cabalista replicada que abriu os cordões à bolsa e pagou o Kabbalah Center da cidade. Alguns estudiosos mais tradicionais acharam que esta ‘redescoberta’ contemporânea da Kabbalah era apenas “um guia e um conjunto de conselhos para a obtenção de lucro, enquanto se pratica o bem”, como a descreveu Shane Croucher no International Business Times.

Seja na dimensão que for, o bem é sempre bom e a luz é sempre melhor que as escuridões. Para saber em português o que é a Kabbalah falámos com uma estudiosa portuguesa do Kabbalah Center nacional que, permanecendo no anonimato, representa muitos de nós que adotaram esta filosofia de vida. E para aqui não houve Madonna chamada.

Maria, chamemos-lhe assim, é voluntária e funcionária do Kabbalah Center Europe/Portugal. Descobriu a Kabbalah quando “andava em busca de algo que fizesse sentido e que desse sentido à vida. Tive uma vida como toda a gente, com filhos, trabalho, participação cívica e hobbies, mas esta busca esteve sempre presente nos meus pensamentos, até anseios.”

Depois um tempo atribulado, em que perdeu um familiar próximo, o emprego, a casa, enquanto passava por um divórcio, calhou ler um livro sobre a Kabbalah e interessou-se. Contactou o autor, aprendeu mais e não parou desde aí.

“Descobri que o que gosto de fazer é ajudar a divulgar o estudo da Kabbalah e do Zohar, ajudando as pessoas a fazer o seu caminho de forma consciente coerente”.

Se quiser, pode também saber mais no dia 20 de Novembro, em Lisboa: Michal Shneor, uma das vozes mais respeitadas sobre o assunto, leciona um curso intensivo na nova Pousada de Lisboa no Terreiro do Paço, entre as 15h00 e as 20h00. Esta e outras informações em www.kabbalah.pt.


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