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A costureira da primeira bandeira americana

Betsy Ross é recordada pelos americanos como a mulher que em 1777 costurou a primeira bandeira dos Estados Unidos, então envolvidos na Guerra da Independência contra a coroa britânica. Terá sido George Washington, chefe militar dos rebeldes e futuro primeiro presidente americano, a encomendar à costureira de Filadélfia a bandeira das 13 listas vermelhas e brancas com um retângulo azul no canto superior esquerda onde surgiam 13 estrelas (as 13 listas mantiveram-se até hoje, em homenagem às 13 colónias que se revoltaram, mas as estrelas são agora 50, tantas como os estados).

Faltam provas históricas que confirmem a autoria da bandeira por Betsy, que foi reivindicada já depois da sua morte por um neto, mas a casa onde viveu é ainda hoje um dos monumentos mais visitados em Filadélfia, a cidade onde foi redigida a Declaração de Independência de 1776 e que serviu como primeira capital do país, até à construção de Washington.

Do que se sabe com certeza de Betsy, nascida em 1752 e batizada como Elizabeth Griscom, confirma-a como uma mulher admirável: rompeu com a família de fé quaker para poder casar com um anglicano, o John Ross ao qual deve o apelido, sendo ambos tapeceiros e fazedores também de bandeiras para navios. Depois, este morreu numa explosão, quando servia na milícia que defendia Filadélfia dos britânicos. Betsy casou uma segunda vez, ainda no decorrer da guerra, e de novo ficou viúva, pois o marido foi capturado pelas tropas leais ao rei e morreu numa prisão. Quem lhe levou as más novas, um antigo companheiro de cativeiro, acabou por se tornar o terceiro marido. Ao todo, Betsy teve sete filhas, duas das quais morreram ainda crianças.

Figura respeitada de Filadélfia até morrer em 1836, Betsy pode ou não ter costurado a primeira bandeira americana, mas ilustra bem o empenho das americanas de finais do século XVIII na luta pela independência ao mesmo tempo que tinham de trabalhar para criar filhos com o marido ausente na guerra.

Leonídio Paulo Ferreira