A dança das cadeiras: as mudanças nas direções criativas das marcas

Saltitam entre casas de renome e colocam um ponto final num casamento aparentemente perfeito entre criador e marca. Os designers que ditam as tendências de vestuário estão a acostumar-se à “valsa das cadeiras”, que ganhou nova visibilidade este ano com as alterações nas direções criativas de marcas como Dior, Saint Laurent e Calvin Klein. Para onde caminham os génios da moda?

Os longos reinados dos designers nas casas de moda são como, poder-se-ia dizer, os casamentos. Há muito que já não são para vida, pelo que se assiste, de forma cada vez mais veloz, a uma corrente de contratações e rescisões que leva criadores a saltarem de marca em marca. Agora, os criadores já mal aquecem os assentos das direções criativas. Permanecem dois, três, quatro, cinco anos na mesma cadeira, e logo mudam de lugar.

No seio de uma indústria que procura a criatividade e o lucro, parece fazer sentido contratar um novo designer para modernizar uma marca com décadas de história e impulsionar as vendas. Mas ainda que estes sejam motivos válidos que possam explicar a “valsa das cadeiras”, não dá para fechar os olhos às consequências que desta dança podem resultar, sendo a perda de identidade um dos riscos mais perigosos.

Veja-se o que aconteceu com a Christian Dior. Estávamos em 2011 quando a marca decidiu demitir, ao fim de 15 anos, o seu diretor criativo, Jonh Galliano, depois de este ter ofendido um casal com comentários racistas e antissemitas. O cenário que se seguiu foi tão imprevisível e surpreendente quanto o comportamento do designer. Só no período de cinco anos houve três profissionais a assumirem o leme criativo da maison francesa: Bill Gayten, discípulo de Galliano, entre 2011 e 2012; Raf Simons, mestre do vestuário masculino, vindo da Jil Sander, entre 2012 e finais de 2015; e Maria Grazia Chiuri, a protegida de Valentino Garavani, desde agosto de 2016. Esta roda-viva teve impacto nas coleções da marca, com roupas sumptuosas a darem lugar a propostas mais contidas.

Se houve retorno? Houve. Os lucros da Dior sob a alçada de Raf Simons – contratado para suprir as expectativas criadas pelas coleções de Gayten – aumentaram 34%, segundo o site de referência Business of Fashion. Mas houve também dois enormes custos: a contratação daquele criador implicou, segundo a mesma fonte, uma reestruturação no modelo operacional do ateliê; e as críticas que se fizeram ouvir ao longo deste tempo e que punham em causa o cunho da Dior. Até o próprio Raf Simons tocou neste assunto, momentos depois de ter apresentado a sua primeira coleção. “A mulher Chanel? Nem preciso de a ver, sinto o seu cheiro a cada esquina. Mas não reconheço a mulher Dior”, afirmou em 2012, numa entrevista à Vogue inglesa. E agora tudo isto pode voltar a mudar uma vez que a casa francesa voltou a contratar uma nova designer, Maria Grazia Chiuri.

Novos rostos que vem tornar novas as velhas casas. Por um lado, são as marcas que decidem desfazer os laços com os seus criadores, por questões criativas, financeiras, estratégicas, e, entre outras, relacionais. Por outro, são os próprios profissionais que decidem sair.

Ainda assim há quem resista ao atual ciclo de entradas e saídas que pintam o quadro desta indústria cada vez mais volátil e efémera, como o experiente Karl Lagerfeld, há 33 anos à frente da Chanel e também responsável pelas coleções da Fendi (desde 1965). Também a veterana Miuccia Prada, que assina as coleções da Prada (desde 1985) e da Miu Miu (desde 1993), vem provar que ainda há valores seguros nesta indústria.

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