A transformação de Miley Cyrus

Recuemos ao ano de 2013. Miley Cyrus apresentava-se nos MTV Video Music Awards para interpretar um medley de ‘We Can’t Stop’/’Blurred Lines’ com Robin Thicke. Uma performance que deixou o mundo de queixo caído pelos movimentos provocadores e pela coreografia ousada – quem não se lembra da simulação de uma posição sexual entre os cantores durante a atuação? Polémica, nudez e sensualidade eram três das palavras mais associadas à intérprete.

Agora, três anos passados, é uma Miley completamente transformada que a publicação norte-americana ‘Variety’ entrevistou. A cantora de 23 anos falou de política, causas sociais e sobre a descoberta da sua sexualidade, mas não negou que em si há ainda resquícios do passado.

“As pessoas vêm-me com alguém selvagem, mas tudo o que faço é ser obcecada por ioga. Adoro caminhar e estou constantemente a ler”, começou por dizer a intérprete que cresceu debaixo do escrutínio da imprensa e do público depois de ter protagonizado, então com 14 anos, uma das séries de maior audiência do Disney Channel, ‘Hannah Montana’.

“As pessoas pensam que passo o meu tempo a ir a festas com rappers. Isso foi há muito tempo”

Desde então, nunca mais parou. Sucederam-se álbuns, livros, filmes, concertos e, pelo caminho, uma jovem à procura da sua identidade. Atingiu o pico da sua popularidade quando, há três anos, atuou na cerimónia da MTV que recompensa os melhores videoclipes do ano. Uma experiência que não lhe deixou boas memórias. “O momento foi mal interpretado. Aquilo foi uma piada”, conta, acrescentando que a fez sentir-se “que estava a viver uma vida estúpida”. “Questionei-me se não devia escolher uma outra profissão. Não percebi o poder que tinha naquela altura. Em vez de ficar envergonhada, usei essa visibilidade em prol de outras causas”.

A mudança tinha começado. As preocupações da Miley são, hoje, outras. A sua fundação Happy Hippie dedica-se ao apoio de jovens sem abrigo e da comunidade LGBTQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Queer) em situações de risco. “Estou a participar no ‘The Voice USA’ porque isso ajuda a promover a Happy Hippie, admite a intérprete de ‘Wrecking Ball’. “Nunca percebi muito bem qual o meu género e qual a minha sexualidade. Não penso nas pessoas como sendo um rapaz ou uma rapariga. A minha primeira relação foi com uma rapariga, mas cresci numa família muito religiosa do sul dos Estados Unidos. Mesmo naquela altura, quando os meus pais não me compreendiam, sentia que um dia eles iriam compreender”, admitiu.

“Nunca percebi muito bem qual o meu género e qual a minha sexualidade. Não penso nas pessoas como sendo um rapaz ou uma rapariga”

A também atriz descreve-se atualmente como pansexual, orientação que se caracteriza por uma atração sexual ou amorosa independente do sexo ou da identidade de género. Descobriu-o, avança à ‘Variety’, numa ida a um centro LGBTQ em Los Angeles, Califórnia. “Comecei a ouvir as histórias das pessoas. Ouvi a de um ser humano em particular que não se identificava nem com o género masculino nem com o feminino. Olhando para eles, achei-os belos, sexy, fortes e, ao mesmo tempo, vulneráveis e femininos mas também masculinos. E senti-me mais próxima dessa pessoa do que alguma vez me tinha sentido de alguém. É por isso que não me sinto heterossexual nem me sinto gay. Porque não sou”.

Na conversa que manteve com o jornalista Ramin Setoodeh, não fugiu a questões políticas e assumiu ser “uma grande apoiante” de Bernie Sanders, o pré-candidato do partido democrata às eleições presidenciais norte-americanas. Questionada sobre os apoiantes de Sanders que, ao invés de votar na candidata democrata Hillary Clinton, vão optar por Donald Trump, Miley é perentória: “isso é uma loucura! Se vão votar em Trump é porque nunca chegaram a perceber Bernie”.

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