A mulher que levou Bob Dylan até à fama

Joan Baez com Bob Dylan

Bob Dylan venceu, esta quinta-feira aos 75 anos, o Prémio Nobel da Literatura 2016. Uma conquista surpreendente, pois o norte-americano é conhecido sobretudo pela sua carreira no mundo da música e não pelos livros que escreveu. Ainda assim, a Academia Sueca justifica o facto de o prémio ter sido entregue pela primeira vez a um compositor “por ter criado novas expressões poéticas na tradição da canção americana”.

A revista Rolling Stone considerou-o, em 2004, o 7.º maior cantor de todos os tempos e o 2.º melhor artista de música de sempre, ficando só atrás dos Beatles. Mas foi graças a uma mulher, que o mundo ficou a conhecer Bob Dylan nos anos 70.


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Em 1963, a cantora e compositora Joan Baez – hoje também com 75 anos – era uma das cantoras mais populares dos EUA, interpretando canções folk e de protesto. Quando conheceu Bob Dylan ficou impressionada com as suas composições e fez questão de cantar algumas delas em concertos. Pouco depois começou a convidá-lo para subir com ela ao palco e conduziu-o à fama, tornando-se sua protetora e até namorada durante cerca de um ano.

O relacionamento terminou em 1965. Para a história da dupla ficaram sucessos como ‘We shall overcome’, ‘With God on our side’ e ‘All my trials’.

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Joan Baez com Bob Dylan

Começou a escrever poemas aos 10 anos
Como escritor, Bob Dylan publicou o primeiro livro em 1971. Chama-se Tarantula e mistura prosa e poesia. O segundo, e mais popular, é Crónicas: Volume um editado em 2004. Trata-se de uma autobiografia onde o norte-americano revela que não só é um autodidata – aprendeu a tocar piano e guitarra sozinho – como começou a escrever poemas em tenra idade, apenas com 10 anos.

Poucas canções sobre mulheres
Inicialmente, as músicas de Bob Dylan eram de protesto e focavam questões políticas e sociais do seu tempo como o racismo, Guerra Fria, Guerra do Vietname e a injustiça social. Depois, entre 1964 e 1966, passou por uma fase em que apenas escrevia sobre desilusões amorosas. Foi nessa altura que escreveu uma das poucas músicas onde que fala de mulheres e que foi um verdadeiro sucesso: ‘Just Like a Woman’.

Mais tarde, quando se divorciou de Sara Lownds em 1977, colocando um ponto final num casamento de 12 anos, o cantor deixou que a crise pessoal se refletisse no seu trabalho e voltou-se para a música gospel, converteu-se à religião cristã e criou canções dentro dessa mesma temática religiosa. Uma fase que só abandonou nos anos 1980, onde voltou a encontrar o seu equilíbrio artístico com o álbum Infidels.

Poema que deu origem à música ‘Just Like a Woman’ (1966):

Nobody feels any pain
Tonight as I stand inside the rain
Ev’rybody knows
That Baby’s got new clothes
But lately I see her ribbons and her bows
Have fallen from her curls
She takes just like a woman, yes she does
She makes love just like a woman, yes she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.

Queen Mary, she’s my friend
Yes, I believe I’ll go see her again
Nobody has to guess
That Baby can’t be blessed
Till she finally sees that she’s like all the rest
With her fog, her amphetamine and her pearls
She takes just like a woman, yes she does
She makes love just like a woman, yes she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.

It’s was raining from the first
And I was dying there of thirst
So I came in here
And your long-time curse hurts
But what’s worse
Is this pain in here
I can’t stay in here
Ain’t it clear that.

I just can’t fit
Yes, I believe it’s time for us to quit
When we meet again
Introduced as friends
Please don’t let on that you knew me when
I was hungry and it was your world
Ah, you fake just like a woman, yes you do
You make love just like a woman, yes you do
Then you ache just like a woman
But you break just like a little girl.

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