O carro do povo faz 70 anos

De uma ideia imaginada por Ferdinand Porsche e apoiada por Adolf Hitler, nasceu em 1938 o KDF-Wagen, o carro que o ditador prometeu ao povo. Promessa adiada com a eclosão da Segunda Guerra Mundial que acabaria por transformar o KDF-Wagen em Kubelwagen, uma espécie de jipe muito eficaz em situações climáticas extremas, graças à ausência de líquido de refrigeração.

Quando, a 10 de maio de 1945, os soldados americanos entraram numa vila perto de Hannover, encontraram o que sobrara de uma fábrica e, entre peças de aviões, os restos da linha de montagem de uns estranhos automóveis de costas arredondadas. Com a ocupação norte-americana oficializada a 11 de abril, o governo militar britânico assumiu a tutela da fábrica, tal como a totalidade dos seus seis mil trabalhadores.

Cinquenta mil carros vendidos um ano após o fim da guerra apontavam já o Carocha como um fator determinante na recuperação económica alemã.

Nomeado para diretor, o major Ivan Hirst, de 29 anos, receberia um pedido de 20 mil unidades destinadas à mobilidade dos Aliados por terras alemãs. Passado o Natal de 1945, o Type 1 estava nas estradas, notabilizando-se – entre outras tarefas – no apoio à prestação de cuidados de saúde junto das populações rurais. O modelo foi ganhando popularidade e o bom desempenho demonstrado no terreno levou ao aumento da atividade fabril e é com uma produção média mensal de cerca de mil unidades que chega finalmente ao povo, após a reforma monetária de junho de 1948.

Por essa ocasião, foram também criados os primeiros Carochas Cabriolet. Produzidos por Hebmueller e com apenas dois lugares, não ultrapassariam as 682 unidades. No ano seguinte e já pelas mãos da Karmann, o Carocha conquista o título de descapotável mais vendido em todo o mundo, colocando no mercado um total de 330 281 unidades.

Quando em outubro de 1949 a companhia Volkswagenwerk GmbH passou para mãos alemãs, os 50 mil carros vendidos desde o fim da guerra apontavam já o Carocha como um fator determinante na recuperação económica do país.

O Dr. Manfred Grieger, diretor do Departamento Corporativo Histórico, reconhece: «A Volkswagen teve muita sorte com o facto de o robusto Beetle ter servido para ajudar o governo britânico a desempenhar as suas funções administrativas, bem como com o facto de ter encontrado em Ivan Hirst o homem certo para dirigir a organização. O hábil e pragmático britânico deu à fábrica e aos seus trabalhadores uma visão, motivando igualmente militares britânicos e trabalhadores alemães no sentido de transformar a débil capacidade produtiva num bem-sucedido negócio orientado para o mercado.» Mantendo as formas que o celebrizaram e evoluindo metodicamente, o Beetle é hoje o modelo com maior longevidade e certamente o que maior sucesso reúne na indústria automóvel mundial. Anualmente e um pouco por todo o planeta, centenas de milhares de fãs celebram a sua existência em reuniões que servem para exibir e admirar os seus belos e bem conservados exemplares.

Do Type 1 lançado pelo major Ivan Hirst apenas resta a silhueta, e os 30 cavalos que lhe davam vida podem chegar hoje aos 220, atingindo uma velocidade de 230 km/h tendo sido o antigo motor traseiro refrigerado a ar substituído por um propulsor dianteiro refrigerado a água. Muito mudou em setenta anos (ver caixa) e o New Beetle é hoje um automóvel com tecnologia e recursos mecânicos perfeitamente atualizados. Pena é que a popularidade que o notabilizou se tenha desvanecido um pouco, em função do esforço financeiro hoje necessário à sua aquisição

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