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Será a nomeação de um homem negro para a direção da Vogue uma resposta ao Brexit?

Edward Enninful foi ontem nomeado para o cargo de Diretor da Vogue Britânica, ocupando oficialmente o cargo de Alexandra Schulman a partir de dia 1 de agosto. O famoso stylist estava neste momento a trabalhar na W Magazine como diretor criativo e de moda, tornando-se agora o primeiro homem na chefia da Vogue Britânica e o primeiro negro, em todas as Vogue do mundo, a ocupar este cargo.

Uma nomeação que pode ser interpretada como uma resposta ao Brexit, já que Enniful é natural do Gana, algo que torna esta escolha ainda mais especial como o próprio declarou à Vogue UK “Contar ao meu pai que fui nomeado para este cargo é que mais me entusiasma. Ele imigrou para Inglaterra do Gana com a minha mãe e os seis filhos.”

Além de assumir as origens africanas e de se afirmar como filho de uma família de imigrantes que cresceu no bairro operário, o Ladbroke Grove, Edward Enninful é declaradamente gay, mudou-se para Nova Iorque para trabalhar e usa as redes sociais para divulgar mensagens anti-racistas, tendo sido em 2014 condecorado pela Ordem do Império Britânico pelo seu trabalho ao serviço da diversidade na indústria da moda. Factos que apontam para um caminho de abertura e diversidade durante o seu mandato na direção de uma das revistas mais famosas do mundo.

Este é um caminho bem distinto daquele que a anterior diretora Alexandra Schulman escolheu para a revista, ao fazer uma Vogue dirigida às mulheres de classe média alta, trabalhadoras e amantes das artes e da literatura, uma publicação em que a moda era importante, ou não se tratasse de uma Vogue, mas não sendo muito explorada em termos conceptuais. Prova disto é a ausência de nomes como Tim Walker e Juergen Teller, fotógrafos de renome que não assinam editoriais fotográficos para a Vogue britânica desde os anos 90, apesar de o fazerem para outras edições do título.

De Enninful são esperadas páginas de moda mais irreverentes e provocadoras, o regresso de grandes nomes da moda às páginas inglesas da Vogue e um alinhamento editorial que mostre a indústria de forma global, algo que Edward sempre defendeu.

Alexandra Schulman, que já tnha anunciado a renúncia ao cargo em janeiro deste ano, está consciente que a publicação em que trabalhou durante 25 anos está prestes a mudar, revelando ao site da Vogue UK que se irá esforçar para que seja uma transição suave:

“Todos os diretores da Vogue chegam com o seu próprio leque de talentos e experiências e o Edward é muito conhecido, respeitado conhecedor da indústria da moda. Estou ansiosa para conhecer os seus planos o mais breve possível e trabalhar com ele nos próximos meses de transição para que a Vogue Britânica continue a ser a revista líder de mercado.”

Se esta mudança será uma resposta direta ao Brexit não sabemos, mas sabemos que o perfil de Edward Enninful se coaduna com uma publicação mais irreverente e com algo para dizer sobre o mundo em que vivemos, à semelhança do que acontece com a Vogue Americana, publicação com a qual colaborou diversas vezes.


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Margarida Brito Paes