Agustina Bessa-Luís: literatura para inglês ler ou não?

GNJNAGUSTI28063 - Agustina Bessa-Luis.  Foto de Gaspar de Jesus   © Proibido o uso editorial sem autorização da Global Notícias.  Esta fotografia não pode ser reproduzida por qualquer forma ou quaisquer meios electrónicos, mecânicos ou outros, incluindo fotocópia, gravação magnética ou qualquer processo de armanezamento ou sistema de recuperação de informação, sem prévia autorização escrita da Global Notícias.

A escritora Inês Pedrosa terá aberto hoje caminho à primeira tradução para inglês da obra de Agustina Bessa-Luís, ao declarar “um escândalo” a sua ausência do catálogo de editoras britânicas, causando interesse na principal tradutora de português.

Num evento em Londres, com editores, agentes literários e tradutores, a confessa admiradora da autora de ‘Corte do Norte’ elogiou a escrita “prodigiosa” e uma profundidade cujo “horizonte se estende para além das sagas familiares do norte de Portugal”.

A antiga diretora da Casa Fernando Pessoa lamentou a falta de reconhecimento de Agustina Bessa-Luís no universo de língua inglesa, citando um artigo escrito pelo Prémio Nobel da Literatura José Saramago há muitos anos.


Leia também a entrevista da escritora Inês Pedrosa ao Delas.pt


“Podemos discordar das suas opiniões políticas, mas não podemos negar que ela é um génio, como foi Fernando Pessoa”, terá dito Saramago, segundo Inês Pedrosa.

O entusiasmo com que falou da obra de Bessa-Luís contagiou nomeadamente Margaret Jull Costa, a mais conhecida e premiada tradutora de português para língua inglesa, responsável pela tradução de livros de Saramago, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, António Lobo Antunes, Lídia Jorge e Teolinda Gersão, entre outros.

“Fiquei com muita curiosidade e vou ler. E ao meu lado estava um editor que disse também estar interessado”, revelou Jull Costa à agência Lusa.

O evento, organizado e realizado hoje na Embaixada de Portugal no Reino Unido, em conjunto com o Instituto Camões, destinou-se a promover a literatura e poesia portuguesas do século XX com o objetivo de causar interesse para a sua tradução e publicação.

Surge na sequência de outras sessões de apresentação de obras de autores portugueses na capital britânica, como Ana Luísa Amaral ou Rui Zink, e de uma visita de sete editores britânicos à Feira do Livro em Lisboa, em junho.

Inês Pedrosa incentivou os tradutores presentes a conhecer escritores como Maria Velho da Costa, Lídia Jorge, Mário de Carvalho, Teolinda Gersão, Ana Teresa Pereira, Hélia Correia, Rui Zink, Valter Hugo Mãe ou Ana Margarida de Carvalho.

“O português é uma língua muito plástica, difícil e cerimoniosa, mas também muito surpreendente por ser tão barroca”, afirmou a autora de ‘A instrução dos amantes’.

O poeta e crítico literário Pedro Mexia falou dos poetas Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny, Alexandre O’Neill, Herberto Helder, Ruy Belo, Vasco Graça Moura, João Miguel Fernandes Jorge, José Tolentino Mendonça e Luís Quintais.

Surpreendido por notar que os poetas portugueses com traduções em língua inglesa se devem a editoras norte-americanas, irlandesas, neo-zelandesas e até de Hong Kong, convidou os presentes a descobrir a poesia portuguesa para lá de Fernando Pessoa.

“Fernando Pessoa é uma bênção e uma praga”, afirmou, em jeito de provocação, explicando: “É uma bênção, porque deu à poesia portuguesa reconhecimento internacional, mas é uma praga, porque as pessoas tendem a conhecer apenas Fernando Pessoa. Isso é muito injusto, especialmente em poesia, porque Portugal tem poetas tão bons, e entre os melhores do século XX”.

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