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Sabia que a cama do seu filho pode matá-lo?

Bebé

Tapar o seu filho com um cobertor solto, deixar peluches e almofadas espalhadas pela cama ou até forrar o berço do bebé com almofadas para amparar os choques com as grades pode matar. Todos estes objetos aumentam o risco de morte infantil durante o sono, muitas vezes provocada por asfixia.

Os pais começaram a ser alertados para este perigo em 1992, quando a Academia Americana de Pediatria investiu em várias campanhas para informar os pais de que os bebés deviam dormir de barriga para cima e apenas com a roupa que têm no corpo, sem qualquer objeto no berço ou cama. Os esforços, de facto, resultaram. Na altura registou-se uma redução das taxas de morte infantil durante o sono.


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Contudo, a tendência mudou. Em 2014, nos EUA, registaram-se 21,4 óbitos por cada 100 mil nados-vivos, segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americanos. Para perceber a causa, o médico Ian M. Paul, professor de ciências pediátricas e saúde pública e chefe da divisão de pediatria geral na Penn State College of Medicine, juntou alguns colegas e pediu autorização a vários pais para colocar câmaras de videovigilância nos quartos de 160 crianças. Depressa perceberam o que se passava: 91% dos bebés com apenas um mês estavam a dormir em berços inseguros.

“Os pais pensam que não vai acontecer com eles, apesar das 3500 crianças que morrem todos os anos. Pensam que os produtos são seguros só por estarem à venda. E o cobertor pode não estar a cobrir o rosto quando os pais saem do quarto, mas os bebés podem mexer-se e o movimento vai deslocar o cobertor também”, explicou Ian M. Paul, citado pelo site Today.

Embora 82% dos bebés com três meses tenham sido colocados a dormir de costas, apenas 65% permaneceram de costas durante toda a noite.

Para contrariar os números trágicos de morte infantil durante o sono, estes investigadores planeiam investir em mais informação para os pais. A média de idades dos progenitores das crianças envolvidas no estudo é de 29 anos e mais de 80% têm um curso superior, mas a juventude e elevada formação não parecem ser sinónimos de informação suficiente sobre os perigos que os filhos correm enquanto dormem.

“Isso diz-me que ainda temos um longo caminho a percorrer em termos de educação dos pais e levá-los a compreender os riscos. É chocante. Os pais sabiam que estavam a ser filmados, conheciam as recomendações e ainda cometeram erros”, acrescentou o médico Raymond Pitetti, chefe do departamento de emergência do Hospital Infantil de Pittsburgh.

Cátia Carmo