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Amas de luxo em sua casa

Amas de luxo em sua casa

São educadoras particulares, que asseguram todas as necessidades das crianças, desde a alimentação à educação.

Há nannies para fins de semana, férias, noites, internas ou apenas para o pós-parto. Não gostam de ser confundidas com babysitters nem de ser vistas como as tradicionais amas. Têm formação superior, curso de primeiros socorros e falam fluentemente vários idiomas. Não estão ao alcance de qualquer família, já que podem custar mais de 400 euros por semana.

A procura tem crescido em Portugal, diz quem está por dentro do negócio, mas a maioria dos clientes continuam a ser estrangeiros que vivem no país.

Licenciada em Educação de Infância, Vânia Filipe, 30 anos, entrou na Nanny Portugal (empresa do setor) há quase cinco anos. “Sempre gostei muito de bebés e desta forma podia trabalhar com eles, o que não acontecia numa creche, por exemplo, já que no berçário não exigem educadoras”, explica ao DN.

Vânia entrou no mundo do luxo
Começou com um part-time em casa de uma família que tinha um bebé de 6 meses e uma menina de 3 anos. E não tardou a acumular outro. Posteriormente, foi chamada a um hotel em Cascais para trabalhar com uma família, que a convidou a acompanhá-la durante três meses numa viagem pela Europa e pela Ásia. Nesse período, Vânia deixou de ter vida pessoal e entrou num mundo de luxos que desconhecia. “O trabalho é muito cansativo, mas é muito positivo por todas as recordações que guardamos. Vivemos uma realidade completamente diferente da nossa”, destaca.

Desde que se tornou nanny, Vânia nunca esteve parada. Além do trabalho de ama no domicílio, tem alguns serviços mais curtos, nomeadamente nas férias e nos hotéis com os quais a empresa tem parcerias (quase todos cinco estrelas). Aí há um dress code: chega de calça preta e camisa branca com a sua nanny playbox (caixa de brinquedos didáticos e livros) para entreter as crianças.

Nas casas das famílias Vânia Filipe usa uma “roupa discreta” e uma bata da empresa. O grande desafio, diz, “é conquistar as crianças, porque se entra no mundo delas”.

A ideia de criar uma agência de nannies em Portugal partiu de Filipa Almeida, em 2010. Procurava alguém que cuidasse da filha, mas, mais do que isso, Filipa queria uma pessoa que desenvolvesse com ela atividades lúdicas e pedagógicas. A única opção que tinha em Portugal eram as amas ou as domésticas. “Como vivi muitos anos em Inglaterra e nos Estados Unidos, o conceito de nanny era normal. Não queria uma pessoa que tivesse a limpar a casa e a cuidar da roupa, enquanto punha a minha filha à frente da televisão sem a ajudar no seu desenvolvimento”, conta ao DN. E assim nasceu a Nanny Portugal.

Qual a formação das amas?
Filipa Almeida tem atualmente 80 nannies agenciadas. Para trabalharem consigo têm de responder a uma extensa lista de requisitos, nomeadamente qualificações na área da educação, licenciatura em Educação de Infância ou Psicologia Infantil e mestrado em pré-escolar, certificado do curso de primeiros socorros pediátricos, registo criminal, experiência, não fumar, conhecimentos de inglês. A maior parte trabalha a tempo inteiro.

Quanto aos clientes, “cerca de 70% são estrangeiros” e “a maioria dos portugueses já viveram ou estudaram fora de Portugal.” Vânia considera até que os estrangeiros, nomeadamente ingleses, estão mais à vontade com o conceito e “depositam mais confiança na nanny.”

As famílias “compreendem a diferença em ter alguém que seja direcionada somente ao desenvolvimento das crianças com formação na área e 100% de dedicação às mesmas”, diz Filipa Almeida, da Nanny Portugal

Babysitter desde os 18 anos, Matilde Carrola, 23 anos, decidiu abrir um negócio semelhante há cerca de um ano. Chama-se Safe and Happy e conta já com 30 nannies na sua base de dados, todas mulheres.

As famílias preferem mulheres
“Os homens são muito bons a cuidar de crianças, mas as famílias preferem mulheres. Normalmente só pedem rapazes para festas de aniversário”, conta ao DN. Quanto aos requisitos, são mais ou menos os mesmos que a Nanny Portugal pede.

“Damos prioridade a quem tem formação superior na área, embora também possamos aceitar pessoas com cursos técnico-profissionais”, destaca.

Contratar uma ama ao domicílio não está ao alcance de qualquer família. “A preferência não é certamente pelo dinheiro. Mas a atenção é dedicada, focalizada e a criança está no ambiente dela, não estranha. Por outro lado, as atividades lúdicas e pedagógicas são desenvolvidas especialmente para si”, esclarece Matilde.

Na equipa, Matilde conta com várias educadoras de infância que não arranjaram emprego na área e resolveram enveredar por uma carreira de nannies.

“Temos internas, de fim de semana e nannies pós-parto, “que acompanham a família durante a noite para que a mãe possa descansar, e ajudam-na com dicas sobre amamentação, posição dos bebés.” Muitos dos pedidos feitos à Safe and Happy são para amas que acompanhem as famílias nas férias, geralmente para o Algarve e para a neve. “Mas também há pais que deixam os filhos em casa com a nanny quando vão de féria

Ordenados até 3000 euros
Na Nanny Portugal, quem trabalha no regime interno (seis dias por semana, dez a 12 horas por dia) recebe entre 1200 e 1500 euros. Já as nannies externas recebem entre 760 e 1200 euros, dependendo da sua experiência, do número de crianças, idades e tarefas.

A nível internacional, conta Filipa Almeida, há amas de luxo a ganhar entre 1800 e 3000 euros por mês, contratadas para trabalhar com famílias em cidades como Londres, Nova Iorque, Los Angeles, Zurique, Dubai, Rio de Janeiro, Singapura.

Por Joana Capucho/Diário de Notícias