Ana Salazar, a rainha está de volta

É apresentada quarta-feira, dia 15 de maio, a nova coleção de Ana Salazar, a Scarves Legacy. O nome incontornável da moda portuguesa abriu-nos a porta de casa e deixou o Delas.pt espreitar este novo projeto e saber qual é o plano para o futuro. Diz-nos que gostaria de estar a trabalhar mais, “a 100 à hora”, mas vai lançar uma coleção que é um teste e uma adaptação ao mercado.

Com mais de 40 anos de carreira, e com uma estrutura pequena, testa um conceito que vê funcionar com as melhores marcas “em Portugal não se compram peças importantes mas, pequenas peças de grandes marcas”. Por isso lança conjunto de lenços para senhora e para homem, que vivem do seu universo criativo: as cores, os símbolos e o caráter marcante que sempre caracterizaram as suas peças. Depois de se ter desligado da firma homónima, em 2012, tem agora a marca Ana By Ana Salazar “porque faz muito mais sentido”. Explica-nos isto pensando na apresentação de 2015 sob o título Ana By Herself, para de seguida refletir quanto ao seu papel na moda nacional:

“Se eu fui a primeira pessoa em Portugal a organizar desfiles com 6 meses de antecedência, muito antes da ModaLisboa ou do PortugalFashion, faz sentido que agora eu também saiba interpretar os sinais dos tempos.”

Diz que a moda está confusa e que os conceitos estão a mudar, que o futuro da moda passa pelo luxo e que os portugueses não compram muito marcas nacionais. A moda de consumo rápido preocupa-a. Ana Salazar tinha já em 2015 afirmado que caminharia para uma estratégia de acontecimentos de moda, muito mais do que de coleções. Esta coleção é isso mesmo:

“Estes lenços formam quase uma coleção exclusiva. Há poucos exemplares de cada. E na verdade servirá para testar o conceito. Hoje em dia tem que se trabalhar assim, com testes.”

O projeto começou no Modatex. Durante os workshops que lecionou no centro de formação do Porto surgiu a ideia de fazer uma espécie de concurso de ideias, em que os alunos interpretassem o universo de Ana Salazar em lenços de seda. Quatro alunos do Modatex foram tão bem sucedidos que têm hoje os seus nomes ligados a esta coleção – aos lenços que João Barriga, Carla Campos, Sara Cruz e Susana Grou desenvolveram com o conceito Ana Salazar juntam-se os da criadora. No total Scarves Legacy 16 modelos para senhora e 8 para homem, todos inteiramente Ana By Ana Salazar.

O processo de criação de uma coleção tão específica não difere muito de uma coleção de vestuário – há que pensar no conceito presente em todas as peças. Depois há o mesmo pressuposto artístico, para lá do utilitário. Ana relembra que já fez coleções bem mais longe da moda e nem por isso menos Ana Salazar.

“Criei cerâmica para pavimentos e revestimentos, um perfume, óculos… no fundo coisas diferentes mas que com muita facilidade eu faço a ligação.”

A linha condutora em todos estes suportes? Ana Salazar gosta de fazer coisas marcantes que se afirmem, que não se separem de quem ela é. Essa é aliás uma característica do seu trabalho que a fez ter uma estrutura em Paris e vender para cidades como Nova-Iorque ou Tóquio. Talvez seja a mesma característica que a torna difícil para o mercado português, exceptuando um nicho.

“Não é uma questão de dinheiro porque em Portugal até temos pessoas com muito dinheiro, mas as pessoas não são fashion. Não gostam do que é novo e em todas as áreas se revela isso. Daí ser complicado.”

A estilista diz que os portugueses não arriscam e que as casas fechadas, escuras, com grades são uma herança, talvez ainda dos tempos do fascismo. E di-lo com imensa graça. Atenta aos ritmos da moda, aos ciclos da fast fashion, aos grandes criadores a recusarem as apresentações tradicionais de moda, Ana Salazar afirma que vivemos tempos confusos e que o futuro está por definir.

Desejos também tem. Gostaria de ver mais portugueses a apreciarem os criadores nacionais, à imagem do que fazem, por exemplo, os espanhóis e elogia a rainha Letícia, musa e embaixadora de nomes como Felipe Varela.

Planos para o futuro também. Em setembro será mostrado um documentário sobre Ana Salazar e pouco depois um livro, assinado pela diretora do MUDE, Bárbara Coutinho, sobre a criadora. A rainha está de volta, sem dúvida.

 

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