As bonecas bomba do Estado Islâmico

Bonecas

As atrocidades que o Estado Islâmico é capaz de fazer para espalhar o terror têm chocado o mundo nos últimos anos. Agora, para atingirem os seus inimigos, têm mais um golpe baixo: matam ou ferem gravemente os seus filhos através de brinquedos com bombas no interior.

Um dos planos que têm colocado em prática desde 2015 consiste em deixar bonecas com explosivos espalhadas pela estrada que liga Bagdade a Kerballa, no Iraque. Acabam por conseguir atingir dezenas de crianças porque este é um percurso feito por várias famílias que realizam a peregrinação xiita de Arbain.


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Mas nem só as bonecas são usadas para atingir os mais pequenos. Os rapazes costumam ser feridos através de carros telecomandados com bombas. Estes brinquedos costumam ser importados da Turquia pelo Iraque e custam cerca de 18 euros cada um. Mais recentemente começaram também a pôr explosivos num brinquedo parecido com uma pokébola, da série de desenhos animados Pokémon.

Eman, de quatro anos, morreu depois de ter apanhado uma no passado dia três de outubro, em Alepo, na Síria. Chegou ao hospital com a cara ensanguentada e cheia de cicatrizes. Não resistiu aos ferimentos. “Ela disse que pensava que era um brinquedo. Espero que o mundo pense nos nossos filhos como se fossem os seus próprios filhos”, desabafou a mãe da menina, citada pelo El Mundo.

Para este plano macabro, os terroristas inspiraram-se no famoso videojogo ‘Call of Duty’, baseado nos cenários das duas Guerras Mundiais.

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O mesmo jornal conta que um médico espanhol que costumava trabalhar perto de Alepo, na Síria, referiu que a frase mais comum era: “O meu brinquedo magoou-me”.

“As regras da guerra não existem. Não se respeitam as crianças inocentes”, acrescentou o médico.

Apesar de macabra, não é a primeira vez que esta estratégia é utilizada. Em 2001 a ETA também recorreu a brinquedos com bombas mutilar uma criança de dois anos e matar a sua avó.

“O menino continuava a chorar, a gritar com uma força enorme, pontapeando e esbracejando. Tinha uma energia tremenda. Era muito difícil contê-lo. E eu estou habituado a crianças. Tenho dois filhos. O mais trágico é que eu estava a ver aquele sofrimento horrível e acredito que as crianças são uma coisa sagrada”, recordou o fotojornalista espanhol Fernando Postigo, que ajudou esta criança depois do ataque.

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