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As doenças em que as mulheres são os alvos mais fáceis

A depressão é a prioridade da Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2017 e esta sexta-feira, 7 de abril, é a doença que fica sob os holofotes um pouco por todo o mundo e, claro, Portugal.

Por cá, aquele organismo internacional estima que cerca de um milhão de portugueses sofra de depressão ou ansiedade, atingindo todas as idades, tendo sido já correlacionado um aumento da doença decorrente dos anos de crise económica e social que o país viveu recentemente. Mas já lá vamos.

Mas em dia Mundial da Saúde, é tempo de voltar a falar de parte das doenças que têm género, que revelam ter uma especial incidência feminina – e a depressão é uma delas – e que nos transportam para números que não podem ser postos à margem.

A depressão: mais psicólogos e doença pouco coberta pelos seguros

Em Portugal, são precisos, em média, cinco anos para que se inicie tratamento médico após o início dos primeiros sintomas de depressão. Dados de 2014 e que preocupam os especialistas. Só 35% das pessoas com depressão acedeu a cuidados médicos no primeiro ano de surgimento dos sintomas, avança a agência Lusa.

E embora as orientações clínicas indiquem que o caminho passa por, numa primeira fase, levar as pessoas com perturbações mentais comuns até à psicoterapia, a Direção-Geral da Saúde (DGS) tem vindo a alertar para o facto daquela medida estar a ser a ficar comprometida, inviabilizada por vezes, pela escassez de psicólogos clínicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Isto concorre lado a lado com a problemática de nem todos os especialistas que existem terem formação específica para as intervenções.

Na quinta-feira, 6 de abril, Adalberto Campos Fernandes anunciou a contratação de 31 novos psicólogos para o SNS, ao nível dos cuidados primários, um número que pode vir a crescer até mais 55, até ao fim deste ano.

O ministro da Saúde afirmou, numa conferência promovida pela comissão parlamentar de saúde e pela Ordem dos Psicólogos (OP), dedicada à depressão, que “até ao final do corrente mês serão contratados mais 31 especialistas para as ARS do Norte e Centro”, prometendo continuar “a trabalhar com o Ministério das Finanças para poder viabilizar ainda durante o ano de 2017 a contratação adicional de 55 novos psicólogos”. Valores reduzidos se comparados com os mínimos reivindicados pelo bastonário da OP, Francisco Miranda Rodrigues, que diz faltarem ao SNS cerca de 500 psicólogos para dar resposta e encaminhamento aos casos que chegam aos serviços, que nem sempre precisam de ser medicados ou internados.

Digno de nota, também, é o facto de a saúde mental ser uma das áreas menos cobertas pelos seguros de saúde em Portugal, sendo residuais as apólices que cobrem serviços de psicologia e psiquiatria, uma situação que preocupa o diretor do programa para o setor. No final do ano passado – e segundo o estudo Basef Seguros (de referência para o setor), da Marktest -, os portugueses beneficiários de seguro de saúde ultrapassavam os dois milhões, ou seja, 1/5 da população nacional.

Apesar do crescimento do setor, a maioria das apólices de seguro de saúde não cobre os serviços na área da saúde mental, a começar pela pedopsiquiatria, pediatria do desenvolvimento, psiquiatria ou psicologia.

Obesidade e risco de AVC

A Eurostat veio revelar, em 2014, que Portugal tinha mais adultos obesos do que a média da União Europeia, numa correlação de 16,6% para 15,9%. Há, contudo, outra revelação: a de que, em território nacional, as mulheres são mais obesas do que os homens, o que também contradiz aquilo que é a realidade europeia.


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Os dados, divulgados esta quinta-feira (20 de outubro), mostram que há mais obesidade entre as mulheres (17,8%) do que entre os homens (15,3%). Também aqui se reflete uma divergência em relação à média europeia, em que a percentagem de homens obesos é superior à das mulheres, 16,1% contra 15,7%, respetivamente.

Os riscos de acidentes vasculares cerebrais também estão a crescer junto do sexo feminino. Com médias alarmantes que apontam para o facto de existirem três AVC por hora, as mulheres são quem surge na linha de maior risco.


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“A mulher é geralmente mais idosa, funcionalmente mais dependente e tem AVC mais graves”, referiu, em declarações à agência Lusa, Teresa Cardoso, coordenadora do Núcleo de Estudos de Doença Vascular Cerebral da Sociedade de Medicina Interna.

Artrite e osteoporose

Frequentes a partir dos 50, a osteoporose e a artrite são patologias que atingem sobretudo as mulheres. Se a primeira afeta uma em cada três mulheres (um em cada cinco homens) vão ter uma fratura até ao fim da vida, a segunda é ainda mais dilacerante: por cada cinco pacientes, quatro são mulheres.

Segundo o Instituto Português de Reumatologia, (IPR) o perfil do grupo de risco da osteoporose é constituído pela mulher caucasiana e de baixa estatura, com mais de 50 anos, tendo sido magra a vida inteira.


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De base sobretudo hormonal, a artrite reumatóide pode afetar, em muito e para sempre, a qualidade de vida das mulheres, ainda que, quando diagnosticada numa fase inicial, possa ser tratada – não curada -, e acarretar menos custos para o Estado.


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Cancro da mama: uma doença que chega cada vez mais cedo

O cancro da mama em pessoas com menos de 40 anos está a aumentar. De acordo com os números do IPO Porto, de outubro, o crescimento está a ser feito a uma taxa de 2% ao ano, que representa 6% do total de casos.

Do foro absolutamente feminino, a endometriose, que atinge – estima-se – 240 mil mulheres portuguesas e é uma das princIpais causas de infertilidade no mundo. O diagnóstico é difícil e a doença compromete a qualidade de vida das mulheres, com uma periodicidade mensal. Há até já países que já criaram uma licença menstrual para mulheres com dismenorreia (menstruações difíceis e dolorosas) e a endometriose é uma das patologias que deverá estar protegida por nesta licença. Itália está a discutir um diploma legislativo agora.

Imagem de destaque: Shutterstock

CB