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Bárbara Lourenço: “Não deviam ser precisos uns sapatos altos para nos sentirmos bonitas.”

No ano passado foi uma das oito mulheres escolhidas em todo o mundo para representar a Intimissimi, foi nessa altura que a sua cara se tornou mais familiar do público, apesar de ter participado nas telenovelas ‘Morangos com Açúcar’, ‘Sol de Inverno’ e em ‘Bem-vindos a Beirais’. Falámos de Bárbara Lourenço, a atriz que também é modelo quando tem tempo e que dá agora o corpo a Sofia da nova telenovela da SIC, ‘Rainha das Flores’.

Encontrámo-nos com ela no Chiado, descobrimos que quando tiver tempo quer tirar o curso de comunicação social, que uma dos seus lugares preferidos no mundo é Bali, que quando terminar as gravações quer durante viajar um mês, mas sobretudo percebemos porque é que é uma das promessas da ficção nacional.

Lisboa, 23/05/2016 - Barbara Lourenço, modelo e actriz, fotografada esta tarde, depois duma entrevista ao site Delas.pt ( Gustavo Bom / Global Imagens )

( Gustavo Bom / Global Imagens )

Como é que a representação apareceu na sua vida?

Surgiu com um casting para os ‘Morangos com Açúcar’, eu na altura nem estava muito interessada mas depois da audição percebi que se calhar afinal queria ficar para fazer a série. E foi a partir daí que percebi que era o que queria fazer, adorei a primeira experiência e apaixonei-me pela representação.

Também faz trabalhos como modelo, como é que isso entra na sua vida?

É um hobby, é uma coisa que gosto de fazer apesar de não ser a minha grande paixão, não é o quero fazer para o resto da vida, mas gosto muito.

Pensa ir para outro país fazer formação na área da representação?

Sempre quis ir para o Brasil para aprender, mas ainda não se proporcionou, mas assim que tiver tempo vou.

Porquê o Brasil?

Porque adoro o Brasil, o meu pai mora lá e acho que é um país onde me ia sentir muito confortável, para além de terem os melhores cursos de representação. Acho que ia adorar, mas por agora há muita coisa que me prende aqui e não me deixa ir morar para lá. Estou numa fase de crescimento e sinto que me faz bem estar aqui.

O que é que tem o Brasil que a faz ter a certeza que ia ser feliz lá?

Tem praia, cidade, campo, tudo na mesma cidade, as pessoas estão sempre bem-dispostas, está sempre calor. Acho que é impossível não ser feliz no Rio de Janeiro.

E em Lisboa do que gosta mais?

De tudo. Quando volto de viagem, sinto cada vez mais, que temos imensa sorte, isto é um cantinho do paraíso. Gosto da comida, gosto do tempo, acho a nossa cidade linda de morrer… e é a minha cidade.

Tem algum lugar secreto, muito seu?

Um sítio que eu adoro e onde vou desde pequena que vou, é o Meco, porque sempre tive casa de férias lá. É o meu lugar especial, é onde eu me sinto bem, é onde gosto de estar e onde consigo descansar melhor.

É muito bonita, deve ter crescido a ouvir isso muitas vezes, de muita gente, acha que ser bonita influenciou a sua personalidade?

Eu era um ratinho quando era mais nova, tinha os dentes super afastados, usava o óculos e tinha o cabelo super encaracolado que a certa altura pintei de cor de laranja, sabe lá Deus porquê. Isto foi uma transição… Eu notei a mudança da menina, para a adolescente que se preocupava mais com imagem.

Quando aconteceu essa transformação o que sentiu?

Eu ia mudar de escola, então pensei que como ia para um sítio novo que devia mudar um bocadinho, que me devia arranjar mais. Depois reparei que os rapazes olhavam mais para mim e se metiam mais comigo, mas também só arranjei namorado mais tarde, não pensava muito nisso na altura. Mas foi bom, fez-me sentir bem, acho que isso é importante nessa altura da vida, até porque no crescimento é uma coisa importante.

E hoje em dia liga muito à sua imagem?

Ando sempre o mais descontraída possível. E agora com as gravações, em que todos os dias sou maquilhada e penteada, no meu tempo livre quero estar é sem nada e descontraída. Mas gosto de me arranjar, quando saio à noite, quando tenho um jantar com amigos ou um evento, gosto muito de pôr um vestido giro, uns sapatos giros e arranjar-me, gosto que exista essa diferença.

Qual é o seu estilo quando se arranja?

Eu sempre fui muito adepta das calças de ganga, mas gosto sempre de pôr uns saltos. Prefiro uma parte de cima mais simples mas depois usar uns grandes brincos ou uma mala gira, gosto mais de carregar nos acessórios do que na roupa.

Acha que é importante para as mulheres sentirem-se bonitas?

Acho que sim, e acho que não deviam ser precisos uns sapatos altos ou umas calças para nós nos sentirmos bonitas. Mas infelizmente nem sempre é assim.

O que acha que devia fazer uma mulher sentir-se bonita?

Ter um namorado que de manhã nos diga que somos lindas sem maquilhagem, porque acho que também é importante sentir que as pessoas à nossa volta gostam de nós. Mas acima de tudo perceber que somos assim, e que vamos ser para toda a vida por isso temos de aprender a aceitar-nos, a gostar e a cuidar de nós.

Há alguma coisa em si que não goste?

Há muitas coisas em mim que não gosto, há muitas coisas que se eu pudesse mudava. Mas não é nada com que eu não consiga viver, até vivo bastante bem com essas coisas. E quem não gosta de alguma coisa em si pode sempre mudar.

Era capaz de fazer uma operação plástica?

Eu não, porque tenho pânico a anestesias gerais. Eu só vou ser operada quando precisar mesmo, porque tenho mesmo muito medo.

Lisboa, 23/05/2016 - Barbara Lourenço, modelo e actriz, fotografada esta tarde, depois duma entrevista ao site Delas.pt ( Gustavo Bom / Global Imagens )

( Gustavo Bom / Global Imagens )

Há pouco tempo foi apanhada no aeroporto de chinelos de quarto, como é que isso aconteceu?

Eu na noite anterior tinha ido ao evento da Madeira e fiquei com os pés cheios de dores e inchados. Como tinha uma viagem grande de avião só pensei no que é que tinha de mais confortável para calçar e eram os chinelos realmente e foi o que levei.

É descontraída a esse ponto, de não pensar no que as pessoas dizem?

Neste caso em particular, nunca pensei que me fossem tirar uma fotografia. Mas sou descontraída, era uma viagem, é suposto estar confortável e eu estava mesmo muito mal dos pés, foi só por isso.

Acha que por ser atriz e ter de se pôr em várias situações, se tornou uma pessoa mais tolerante?

Acho que sim. Eu por exemplo, agora vejo a Narcisa que é a vilã ‘Rainha das Flores’, e vejo que há uma razão para ela ser assim, se calhar antes eu não pensava desta forma, se calhar nem tentava perceber os motivos que estão por de trás.

Sente que cresceu desde o ano passado?

Foi uma volta gigante, cresci muito, aprendi muitas coisas e vejo as coisas de maneira diferente.

Qual foi a melhor lição que aprendeu neste tempo?

Que só com esforço e dedicação é que atingimos os nossos objetivos. Eu estava sentada à sombra da bananeira, porque muito sinceramente nunca foi preciso muito esforço para eu alcançar os meus objetivos. E depois de passar uma fase em que as coisas não foram assim tão fáceis, eu tive de trabalhar, tive de dedicar muito tempo ao que realmente queria e de facto consegui. Foi isso que me fez perceber o que é mesmo trabalhar, é preciso querer e fazer por isso.

Não chega uma cara bonita?

Não, claro que não.

Mas é importante?

Não. Se calhar pesa, mas não devia, não devia mesmo ser importante.

Sente que há pessoas que são chamadas para trabalhar só por causa da imagem?

Sim, há muitas pessoas que só são chamadas por isso, e havia outras que deviam ter oportunidades e se calhar não têm.

Do que é que sente mais saudades em relação ao que tinha antes deste ano de mudanças?

Da vida fácil, de morar em casa com os meus pais, de não ter contas para pagar, de não ter que lavar roupa e limpar. Eu gosto, sou boa dona de casa, mas às vezes falta o miminho da mãe. Eu gosto muito de viver sozinha mas às vezes é complicado, é aí que se percebe mesmo que somos adultas.

O que é que não gosta mesmo de fazer em casa?

Passar a ferro, fica tudo mal. É frustrante porque eu tento e aquilo não sai bem, então desisto. Passo com o secador na roupa e fica tudo uma maravilha.

Está a dividir casa com o seu namorado, ele não ajuda?

Não tem muito jeito. E eu tenho um problema, deve ser de signo, ele mesmo que me ajude eu faço tudo de novo a seguir, porque acho que só fica bem feito quando é feito por mim. Sou muito perfeccionista.

Para si o que significa ser mulher?

Ser mulher é ser uma força da natureza.

É assim que são as mulheres da sua vida?

São todas, todas de maneiras diferentes mas são todas.

Acha que seria a mesma pessoa se não as tivesse tido?

Não, eu acho que é a nossa família que nos molda em criança e nos faz ser as pessoas que somos depois. Aprendi com elas a amar, aprendi a ser como sou, aprendi a seguir os meus sonhos porque sempre me incentivaram a fazer o que quisesse desde que fosse bem feito. Aprendi tudo o que sei com elas, e tenho muitas mulheres na minha vida, irmãs, mãe, avó.

Há alguém com quem gostasse muito de contracenar?

Eu estou a trabalhar com uma das atrizes que mais admiro, desde sempre, que é a Isabel Abreu. Mais que isto não posso pedir ela é incrível.

Vê-se noutro registo que não a televisão?

Adorava fazer cinema. Teatro gostava muito de experimentar, mas sempre tive pequenas inseguranças com o tom e o timbre da minha voz, achei sempre que não conseguia falar em teatro, mas gostava de experimentar.

Quando trabalha em moda acha que é importante ser atriz, para representar um papel?

Não, porque em moda se consegue ser outra pessoa só pela maneira como olhas ou como mexes o corpo. Não é preciso ser atriz, porque não é preciso saber falar, saber chorar, para tirar uma fotografia.

E a Bárbara é melhor atriz ou melhor modelo?

Espero que atriz, mas ainda estou a aprender.

 

 

 

 

 

 

 

 

Margarida Brito Paes