Candidatura de Hillary enfrenta novo escândalo e a presidente dos democratas demite-se

A candidatura de Hillary Clinton, à Presidência dos Estados Unidos foi associada a mais um escândalo, depois de, na passada sexta-feira, terem sido divulgadas na Wikileaks, milhares de mensagens internas do Partido Democrata mostrando parcialidade da direção partidária a favor da secretária de Estado.

A divulgação dessas mensagens, que parecem sugerir uma desestabilização propositada da campanha de Bernie Sanders, o opositor nas primárias democratas, levaram a presidente do partido, Debbie Wasserman Schultz, a anunciar a sua demissão. A presidente tem como uma das incumbências garantir condições iguais para a apresentação das candidaturas nas primárias e os emails agora divulgados indicam que talvez Clinton tenha sido favorecida.

A apresentação oficial da renúncia do cargo será feita no final da Convenção Nacional Democrata que decorre entre hoje e quinta-feira, em Filadélfia, nos Estados Unidos, e na qual Hillary Clinton será anunciada formalmente como candidata do partido à Casa Branca.

“A melhor maneira, para mim, de cumprir os objetivos é demitir-me do cargo de presidente do partido no final da convenção”, escreveu Debbie Wasserman Schultz, num comunicado.

Debbie Wasserman Schultz, presidente demissionária do Partido Democrata (REUTERS/Scott Audette)

Campanha controversa

Este não é o primeiro escândalo político a envolver Hillary Clinton, desde que se iniciou a corrida para as Presidenciais. Ainda em 2015, a antiga secretária de Estado do governo de Barack Obama viu-se envolvida num escândalo depois de a imprensa noticiar que a antiga secretária de Estado utilizou, durante os seus quatro anos no Departamento de Estado, uma conta de correio eletrónico pessoal. Hillary Clinton reconheceu que devia ter utilizar uma conta oficial e entregou em outubro do mesmo ano 55.000 páginas de correios eletrónicos, referentes a esse período e que foram publicados mensalmente até 29 de fevereiro. Em julho deste ano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos decidiu que não iria apresentar queixa contra Hillary Clinton.

Outra das polémicas, abordada diversas vezes por Bernie Sanders, teve a ver com os fundos e a origem dos mesmos que a antiga primeira-dama americana recebeu. Grandes instituições financeiras, como o Citigroup, Goldman Sachs, JP Morgan e Morgan Stanley estarão, segundo o ‘Observer’, entre os maiores doadores das suas campanhas políticas e da Fundação Clinton, uma organização de cariz social, fundada pelo marido, o ex-presidente americano Bill Clinton, e vice-presidida pela filha Chelsea Clinton. Sanders acusou a candidata de ser apoiada e financiada pelos causadores da crise de 2008.

As questões relacionadas com possíveis conflitos de interesses surgem na carreira de Hillary Clinton, muito antes desta campanha. Em 1996, tornou-se a primeira primeira-dama a ser intimada para depor perante um grande júri federal, por ter prestado serviços jurídicos a uma instituição financeira antes de esta ser investigada por reguladores estaduais, designados pelo marido durante o seu mandato presidencial. Depois das investigações de vários conselheiros independentes, um relatório final de 2000, concluiu não existirem provas suficientes de crime.

Já em 2009, como secretária do governo de Obama, Hillary Clinton terá, segundo um artigo do ‘Wall Street Journal’, publicado a 30 de julho de 2015, beneficiado o banco suíço UBS numa investigação do fisco americano. Este processou o banco por este não querer revelar a identidade dos titulares americanos com contas secretas na Suíça. Clinton negociou então um acordo inédito ao nível diplomático que permitiu ao UBS revelar apenas dados referentes a 4450 contas de um total de 52 mil. Desde então, aponta o jornal, os donativos do UBS à Fundação Clinton aumentaram substancialmente e 1,5 milhões de dólares a Bill Clinton para participar em conferências.

As notícias divulgadas na sexta-feira, na Wikileaks, acabam por favorecer Donald Trump. O candidato oficial dos Republicanos aparece à frente de Hillary Clinton, numa sondagem da CNN, superando a diferença que separava, na mesma fase, em 2000, Al Gore de George W. Bush.


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Imagem de destaque: REUTERS/Shannon Stapleton

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