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Como duas empreendedoras combateram o desemprego

Como duas empreendedoras combateram o desemprego

Letícia Sacramento, professora, e Teresa Martins, secretária, estavam grávidas quando perderam o emprego. Mesmo assim não desistiram. Puseram mãos à obra e criaram o próprio negócio. E continua a compensar.

Há quatro anos a vida de Letícia Sacramento mudou. Professora de Artes Visuais ficou sem colocação e, para ocupar o tempo livre, agarrou-se à máquina de costura oferecida por uns amigos (estava grávida na altura). Não tinha nenhum curso, mas como gosta de desafios e de aprender coisas novas começou a praticar.

“Decidi explorar a máquina e tecidos como um ‘hobbie’, algo que me mantivesse ocupada enquanto não encontrava emprego. Juntando o útil ao agradável, comecei a construir brinquedos para o meu bebé. Os amigos viam, gostavam, foram passando a palavra e, quando dei conta, tinha muitas encomendas. Vi uma oportunidade para criar o meu próprio emprego e arrisquei. Nasceu assim a Let it Sweet com produtos feitos à mão, para mamãs e bebés”, explica a empresária de 32 anos.

O melhor modelo de negócio
Na opinião de João Carlos Simões, CEO da IDEIAhub, incubadora de talentos em Portugal, não basta ter uma boa ideia, é fundamental sustentar essa ideia com um modelo de negócios relevante e viável para o mercado-alvo. Caso contrário será apenas mais uma ideia que provavelmente vai falhar, com todas as consequências financeiras e emocionais para o empreendedor. “Ter ideias é fácil, todos temos dezenas de ideias por dia, a grande dificuldade está em identificar a ideia viável, oscultando e observando o mercado, e depois a resiliência para a conseguir levar para a frente”, sublinha.

A marca, a nível comercial, foi lançada em fevereiro de 2013. Let it Sweet trata-se da junção do nome (Letícia) com o que sente pela maternidade (Sweet). Os produtos criados surgiram tanto por iniciativa própria como por pedidos feitos pelos clientes. Neste momento, costura de tudo um pouco no mundo dos bebés, desde anjinhos e coroas personalizados com o nome até alcofas que aconchegam o recém-nascido nos primeiros meses de vida.

“O negócio está a correr muito bem, sendo um trabalho que me ocupa a tempo inteiro e que dá muito gosto fazer. Não me canso, quero criar sempre mais e sinto-me muito feliz por conseguir costurar com tanto amor e dedicação como aconteceu com a primeira peça. Fico de coração cheio quando recebo o retorno deliciado dos clientes e, enquanto isso acontecer, sinto-me completa nesta profissão”, acrescenta a empreendedora.

É preciso assumir riscos
Porém, os riscos e os benefícios andam de mãos dadas para quem deseja ser empreendedor. “Nem todos estamos prontos para assumir o risco de criar e gerir o seu próprio negócio, seja em que sector for, que começa logo da forma com que fomos educados – pouca literacia financeira, total aversão aos riscos e acreditarem que um empreendedor tem um horário das 9h às 18h. Na minha opinião e partilha pessoal, o grande benefício é a realização e satisfação pessoal diária por ter conseguido implementar com sucesso o meu projeto, e o ‘feedback’ diário dos meus clientes, que fazem com que todo o esforço faça sentido”, explica o especialista da IDEIAhub.

Teresa Martins, de 44 anos, sente-se realizada por passar horas a fio a trabalhar. Era secretária mas o desemprego lançou-a para uma nova vida, no final de 2011.

Rendida à arte do cake design mas sem meios para abrir o próprio espaço resolveu fazer como tantas outras pessoas e montar o negócio na internet. “Estava tudo decidido quando fiquei grávida da minha filha mais nova e tive de por tudo em standby. Porém foi nessa altura que uma técnica da Santa Casa da Misericórdia me falou de um curso de empreendedorismo e fiquei contentíssima pois o curso iria não só dar-me ferramentas de gestão do negócio como apoio financeiro para abrir o mesmo. Fui à entrevista e selecionada. E com uma bebé de dois meses iniciei o curso e nasceu a Bolos Com Alma”, conta.

Mais tarde, foi criado o Banco de Inovação Social (BIS) e a campanha de lançamento foi feita com projetos de empreendedores. O mérito e também o destino caminharam ao lado de Teresa. “Na altura tive muita sorte pois fui uma das escolhidas para dar cara a campanha e isso incluiu varias entrevistas com a televisão, uma peça num jornal diário e estar na página principal do site do BIS”, lembra.

Hoje em dia, os produtos com mais saída são os bolos, mas também algumas mesas de doces e decoração para festas. Tal como Letícia Sacramento, esta empreendedora não teve receio dos riscos inerentes à abertura de um negócio próprio. “Estava muito focada e com uma forca incrível. A vida encarregou-se de me ensinar.” Para o especialista João Carlos Simões não ter medo é uma característica fundamental: “Destacaria as seguintes; pragmatismo, perseverança, foco, determinação, humildade, resiliência.”

A.P.S.