Crimes contra mulheres levam à detenção de 63 homens num só dia

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Mais de 60 homens foram detidos, na segunda-feira, 7 de agosto, no Rio de Janeiro por crimes contra mulheres, numa operação pelo 11.º aniversário da Lei Maria da Penha, que criou mecanismos contra a violência doméstica no Brasil. Apesar de o diploma punir mais severamente os agressores, as entidades policiais reportam um aumento do número de assassínios de mulheres no primeiro semestre do ano, embora relatem uma diminuição do número de agressões.

A operação da divisão da polícia de atendimento à mulher foi posta em prática para executar 72 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão e resultou em 63 detenções.

Objetivo: encorajar as mulheres a fazer queixa

Um dos objetivos da operação passa por encorajar as mulheres a denunciarem os agressores, explicou Márcia Noeli, a chefe da divisão responsável por coordenar as 14 delegacias do estado especializadas em atender mulheres vítimas de violência, em conferência de imprensa.


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“O que nós queremos é, na verdade, falar com essa mulher, encorajá-la, dar poder a essa mulher e dizer: ‘Olha, não tenha medo. Vá à delegacia e denuncie’. Desde a criação da Lei Maria da Penha há mais registos de ocorrência. Então, a mulher tem procurado mais a delegacia e nós estamos lutando sempre para que mais mulheres possam denunciar”, afirmou.

Quem foi Maria da Penha?

Foram necessários anos e anos de violência doméstica e duas tentativas de homicídio por parte do marido: Uma primeira, em 1983, com recurso a uma arma de fogo e que deixou Maria da Penha Maia Fernandes paraplégica; e uma segunda tentativa através da tentativa de eletrocussão no banho. Foi com esta investida que fez com que a vítima ganhasse coragem para denunciar violência doméstica.

[Fotografia: Maria da Penha/Facebook]
Maria conseguiu sair de casa com proteção policial, isto sem perder a guarda das filhas, e começou a lutar pela condenação.


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A provar que a agressão não termina no dia em que se faz a queixa, Maria, formada em Farmácia e Bioquímica, só sentou o marido – o economista e professor universitário Marco Antônio Heredia Viveros– no banco dos réus muitos anos depois. Afinal, só 19 anos depois do julgamento é que a justiça o puniu. A pena, essa, chocou a opinião pública: dois anos em regime fechado.

Familiares e vizinhos responsáveis pela maioria das violações

Coincidindo com o 11.º aniversário da entrada em vigor da Lei Maria da Penha, o Instituto de Segurança Pública divulgou os números relativos à violência machista no Rio de Janeiro.

Os assassínios de mulheres aumentaram 5,5% no primeiro semestre do ano, com 380 casos, enquanto os de agressões diminuíram 10,26%, em termos anuais homólogos, para 44.693.

O relatório também mostrou que as mulheres continuam a ser as principais vítimas de violações (85,3% do total), ameaças (65,4%), lesões corporais intencionais (63,8%), assédio sexual (93,3%) e atentados ao pudor (91%).


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A maioria dos crimes contra mulheres é praticada por pessoas próximas da vítima, como namorado, familiares, ex-companheiros, amigos, conhecidos ou vizinhos. Os pais, padrastos, familiares, amigos, conhecidos e vizinhos foram responsáveis por mais de um terço (37%) das violações de mulheres em 2016.

Mais de 60% das violações e lesões corporais contra mulheres sinalizadas no ano passado ocorreram no interior de casas, assim como 40% das tentativas de homicídio.

O Brasil é o quinto país do mundo com a maior taxa de assassínios de mulheres, apenas superado por El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia.

Imagem de destaque: Shutterstock

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