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“É altura de libertarmos o povo francês dos arrogantes”

A líder da extrema-direita ficou em segundo lugar nesta primeira volta às eleições francesas. Numa altura em que ainda estão a ser contados os votos, a diferença de Le Pen face a Macron (23,91%) cifra-se em cerca de um milhão de boletins. Contudo, os já conquistados 21,43% pela Frente Nacional configuram um dos melhores resultados de sempre do partido.

Le Pen, advogada, mãe de três e com 48 anos, fala de “um resultado histórico”, de “um ato de coragem francês” e pede uma luta “contra o herdeiro de François Hollande”, referindo-se a Macron, com quem “o grande debate terá finalmente lugar”. Uma honra que a frontista diz que desempenhará com “humildade e reconhecimento”.

“É preciso lutar por uma nova política, outro rosto no poder, a buscar a renovação que vocês aspiram, não será com os herdeiros da catástrofe, com os herdeiros de Hollande. É altura de libertarmos o povo francês dos arrogantes, todo, sem esquecer os patriotas do Ultramar”, declarou no discurso da vitória deste domingo 23 de abril.

A frontista surgiu agora vestida de forma menos escura do que quando tinha ido votar de manhã. O preto deu lugar ao branco e o casaco clássico azul-escuro era agora um outro no mesmo tom, mas menos austero.


A cartada feminista de Le Pen


Agora e até 7 de maio, é tempo de disputar eleitorado com este candidato, que tem recebido os apoios de todos os outros derrotados, da esquerda, mas também à direita.

Marine sabe e espera isso, e subiu ao palco este domingo, 23 de abril, para, reclamando vitória, convocar ainda mais gente para as suas fileiras.


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Numa mensagem transversal para os franceses e francesas, a líder de extrema-direita vem reclamar a sua posição como “candidata do povo”.

E lança um apelo “aos patriotas sinceros, seja quais forem as suas origens, para se juntarem a mim, para sair dos limites fechados, dos ressentimentos porque o que está em causa é o interesse superior do pais”.

Porque – reitera a candidata – “está em causa a sobrevivência da França”, pelo que apelou “à unidade nacional” e ao apoio do seu “projeto de renovação”.

[Imagem de destaque: REUTERS/Pascal Rossignol]

Carla Bernardino