É fácil ensinar os miúdos a comer vegetais

Ensinar as crianças a gostar legumes e vegetais pode não ser fácil, mas não tem de ser um drama, sobretudo se se envolverem os mais pequenos na criação de pratos tão coloridos quanto saborosos.

É precisamente essa proposta do mais recente livro de Erin Gleeson, “A Natureza à Mesa para Crianças”, editado no este mês em Portugal, pela Vogais. Ao longo de 120 páginas são apresentadas 40 receitas vegetarianas económicas, simples e fáceis de seguir, com algumas dicas para os pequenos cozinheiros e, acima de tudo, cheias de criatividade; ou não quisesse a autora pôr miúdos, e também graúdos, a “comer o arco-íris”.

Este livro surge no seguimento de outro do género que a blogger de culinária e autora best-seller do ‘New York Times’ já tinha lançado, com a particularidade de ser dirigido a um público infantil.

“As pessoas estavam sempre a dizer-me que os seus filhos adoravam cozinhar as receitas do primeiro livro, por isso escolhi aquelas que eram mais adaptáveis às crianças a juntei novos conteúdos especificamente para elas”, explica ao Delas.pt numa entrevista por email.

E que tal tornar os vegetais apelativos
Ter sido mãe há poucos anos também influenciou a autora, formada em arte e fotógrafa profissional, a lançar esta versão para os mais pequenos. “Agora que tenho um filho com dois anos, vejo como é difícil fazer com que os miúdos comam vegetais, por isso a minha esperança é que ao tornar este livro apelativo e interativo ele ajude nisso.”

Tal como os seus outros livros, “A Natureza à Mesa para Crianças” é um festim visual onde a imagem conduz as palavras. Neste há ainda a particularidade de as receitas serem apresentadas, muitas vezes, com diagramas explicativos fáceis de seguir pelos mais pequenos para que possam eles próprios realizar as receitas. Crianças de quatro e cinco anos, com uma supervisão mínima dos adultos, já podem começar a experimentar fazer snacks, bebidas, saladas, refeições, sobremesas ou mesmo festas. Tudo à base de vegetais e frutas.

O filho de Erin ainda não tem idade suficiente para se aventurar nas receitas, mas a autora acredita que se ele pudesse eleger uma favorita seria o “bolo de meloa”, por já gostar tanto de fruta.


Na fotogaleria que acompanha este artigo pode ver algumas das receitas do livro


Mexer com a terra
Para a autora, proporcionar às crianças o contacto com todo o processo que vai do cultivo dos produtos ao supermercado, provavelmente, vai fazer com que elas sintam mais vontade de provar e saborear o resultado.

“Se uma criança cultivar um tomate, ela colhe-o, depois prepara qualquer coisa com ele e estará muito mais disponível para o comer”, explica, acrescentando: “Eu acho que é ótimo se, pelo menos, os pais puderem levar os seus filhos a mercados agrícolas ou a mercearias e deixá-los escolher as frutas e os vegetais”, defende.

Uma festa na floresta
O cenário que serve de base ao livro é a casa da autora, uma habitação de madeira rodeada por uma frondosa floresta, em São Francisco. Dizer que a natureza está à mesa não é eufemismo, já que, ao contrário de que acontece noutros livros do género, aqui as receitas não se criam na bancada de uma cozinha apetrechada. Elas são preparadas no exterior, no alpendre ou em cima do tronco de árvore cortado.

Erin cresceu rodeada por esse tipo de ambiente, “no meio de um pomar de macieiras, na Califórnia, onde passava imenso tempo ao ar livre. Tínhamos a sorte de ter um jardim grande e foi aí que aprendi a cultivar vegetais e a cozinhá-los”, conta a autora no livro.

É essa vivência que tem estado a recuperar, desde que, em 2011, regressou à Califórnia. Antes disso, esteve em em Nova Iorque, onde deu os primeiros passos como fotógrafa de comida. “Estudei arte e fotografia na faculdade e acho que sempre me senti atraída pela comida por ser tão colorida e ainda por cima poder comer-se no final”, brinca.

E se olhos também comem, no caso de Erin são eles que determinam igualmente o desejo de experimentar uma receita nova. Uma boa fotografia pode ser determinante na decisão de a cozinhar, pelo menos é isso que acontece com a autora, que raramente segue uma receita que se limite a ilustrar os passos sem apresentar o resultado final. “É por isso que faço questão de ter uma foto de cada um dos pratos nos meus livros”, afirma.

Mais difícil é decidir o que entra e fica de fora deles. Cada livro demora cerca de um ano a fazer, porque às muitas ideias que tem soma-se todo um trabalho de detalhe a nível visual, que neste “A Natureza à Mesa para Crianças” não se fica só pela fotografia da comida. Há igualmente pintura em aguarela e montagens diversas. “A minha formação é em arte e eu adoro experimentar usando diferentes meios. A fotografia de comida é sempre muito igual e eu gosto de misturar as coisas”, justifica Erin.

Não surpreende, portanto, que este livro se pareça, por vezes, com uma enciclopédia de botânica. A autora, que é fã do género, garante que não procurou essa semelhança, simplesmente lhe agradou o facto “de se poder dar uma olhadela rápida para o diagrama da receita e ficar com uma ideia base de como é feita”. Depois disso só fica mesmo a faltar juntar os filhos, reunir os alimentos e criar uma paleta colorida e apetitosa de pratos vegetarianos.

Imagem de destaque: Foto do livro

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