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Ela nadou para escapar da Síria, agora nada por uma medalha no Rio

Yusra Mardini

Em agosto do ano passado, Yusra Mardini, de 18 anos, estava num barco com a irmã e outras 18 pessoas. Fugiam da guerra na Síria, que já lhes tinha destruído as casas e matado amigos e familiares. Quando faziam a travessia entre a Turquia e a ilha grega de Lesbos, o motor do barco parou e das 20 pessoas, apenas quatro sabiam nadar. Uma delas era Yusra.

Perante este problema, a adolescente não hesitou e saltou para a água, juntamente com a irmã, Sara, e outras duas pessoas. Em conjunto, nadaram durante mais de três horas e levaram o barco até terra firme.


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“Eu tinha a mão na corda que estava presa ao barco e movia as duas pernas e um braço. Foram três horas e meia na água fria. O teu corpo fica quase… Exausto. Não sei se consigo descrever isso”, recordou Yusra Mardini ao The Independent.

Depois de sobreviverem até à Grécia, a jovem e a irmã atravessaram grande parte da Europa para chegar à Alemanha. Estabeleceram-se no país e foi mesmo no centro de treinos de Wasserfreunde Spandau 04, em Berlim, que a refugiada continuou a treinar natação.

Em março, a história de sobrevivência de Yusra Mardini tornou-se pública e o Comité Olímpico Internacional (COI) identificou-a como candidata a competir pela equipa de refugiados nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Yusra Mardini a falar com o seu treinador alemão, Sven Spannekrebs. Fotografia de Michael Dalder/Reuters

Yusra Mardini a falar com o seu treinador alemão, Sven Spannekrebs. Fotografia de Michael Dalder/Reuters

E assim foi. A adolescente entrou no Maracanã, na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, representada pela bandeira do COI juntamente com outros nove atletas da Síria, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e Etiópia. Logo depois do anfitrião Brasil, a comitiva de Mardini e dos restantes refugiados foi a mais aplaudida da noite.

Agora vai estrear-se nos Jogos Olímpicos no domingo, numa prova de 100 metros mariposa e na quarta-feira, dia 10, participará numa corrida de natação em estilo livre. Independentemente do resultado das provas, a história de vida e coragem de Yusra Mardini já é digna de uma medalha de ouro.

Cátia Carmo