Estes são os dois meses do ano em que aumentam os divórcios

Estes são os dois meses do ano em que aumentam os divórcios

É nos meses de março e agosto que se regista um aumento do número de divórcios, segundo um estudo da Universidade de Washington, nos EUA. A culpa é, na maioria dos casos, das férias familiares. Veja o que acontece também em Portugal.

O mês de março não costuma ser um dos preferidos das famílias para marcar férias, mas os investigadores têm uma explicação para este fenómeno. A entrada num novo ano é de expectativa e otimismo, altura em que os casais ainda depositam alguma esperança na salvação do casamento. No entanto, por volta desse mês, veem que nada mudou e a frustração regressa, optando pelo divórcio.


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Já em agosto, época de férias de verão, o número de divórcios aumenta porque as famílias são obrigadas a passar mais tempo juntas e os desentendimentos que existem entre os casais acabam por agravar-se, conclui o mesmo estudo.

“As pessoas tendem a encarar as férias com expectativas crescentes, apesar das deceções que tiveram no passado. As férias representam períodos do ano em que há oportunidade para um recomeço, uma transição para um novo período da vida. É como um ciclo de otimismo”, explicou a socióloga Julie Brines ao site Phys.org, onde foi publicado o estudo.

O Natal e a Passagem de Ano são, por sua vez, as épocas em que se registam menos divórcios. Por volta destas datas, em que se dá especial atenção à família, o divórcio acaba por tornar-se um tema tabu, até quando já todos sabem que o casamento não tem solução.

Para este estudo, os investigadores apenas analisaram os pedidos de divórcio e guarda parental no estado de Washington, entre 2001 e 2015, o que faz com que os resultados, provavelmente, só reflitam o comportamento local.

Como é em Portugal?
Em Portugal, segundo o advogado especialista em divórcios Ricardo Marques Candeias, o maior número de separações também se verifica no verão, mas não se confirma em março.

“Com a experiência já longa nesta área verificamos que há sempre mais pedidos de reuniões e ações judiciais durante o momento imediatamente anterior às férias judiciais de verão, em junho e julho. É um facto curioso. Normalmente o casal trabalha, não estão juntos tantas vezes, e com o aproximar das férias preveem períodos de maior proximidade, o que lhes traz mais angústia e ansiedade”, explica o advogado.

“As férias perturbam a estabilidade de uma relação”
Perante as conclusões deste estudo, o psicólogo José Carlos Garrucho explicou ao Delas.pt que as férias são momentos de stress e tendem a agravar problemas que já existam no seio conjugal.

“As férias são, naturalmente, momentos que alteram, perturbam e modificam aquilo que é o funcionamento comum e de estabilidade de uma relação. Portanto, desse ponto de vista, se algum problema existe na conjugalidade, ele vai aumentar no período de férias. Depois há uma segunda mudança: nas férias, o casal está mais tempo um com o outro, complicando as coisas”, explica ao Delas.pt José Carlos Garrucho.

Ainda assim, o especialista sublinha que não se devem levar as conclusões deste estudo demasiado a peito, ao ponto de deixar de marcar férias em conjunto por se temer um futuro divórcio.

“Estes estudos não têm uma visão sistémica da própria vida. Não é o nascimento de um filho, o desemprego ou as férias que são responsáveis pelos divórcios. É tudo o que está por trás. Estes estudos são ótimos porque nos desafiam, mas temos de ter sempre uma visão muito global e contextualizada deste processo”, clarifica o psicólogo.

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