Ex-surfista escreve livros infantis

Foi com apenas 10 anos que Filipa Leandro, hoje com 44, começou a ver o irmão mais novo, Gonçalo, fazer surf. Depressa se apaixonou pela modalidade, mas não podia praticá-la por ser rapariga. Disseram-lhe para fazer bodyboard. Ela não ficou convencida, “queria fazer as ondas em pé”. Aos 17 anos viu outras miúdas a aventurarem-se no surf, na praia de Carcavelos, e fez o mesmo. Entrou para história como sendo uma das primeiras mulheres a fazer surf em Portugal.

“Não foi fácil porque tive de lutar muito contra tudo e contra todos. Diziam que tinha de fazer bodyboard porque isto era desporto de rapazes e muitas pessoas ligavam o surf à droga, não era uma coisa muito boa para uma rapariga fazer. Mas era surf que eu queria. Depois começaram a surgir mais raparigas, umas atrás das outras, e tudo foi aceite”, explica ao Delas.pt Filipa Leandro.


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Atualmente já não compete, mas continua ligada à modalidade. Dá aulas e a filha, Kika Leandro, é uma das maiores promessas do surf português. Na semana passada sagrou-se campeã nacional de surf sub-16. E é toda esta ligação que ainda mantém com o surf que faz Filipa garantir que já não é um desporto de rapazes.

“O surf está a tornar-se um desporto de mulheres. Veem-se escolas com grupos enormes de raparigas, imensas mulheres dentro de água, e é giríssimo. Na minha altura era muito mais difícil. Agora têm escolas, os treinadores e outros exemplos que lhes ensinam tudo em três tempos”, afirma a antiga surfista.

Ainda assim, não vê a filha a viver do surf em Portugal. Só no estrangeiro. Cá, a modalidade está “caótica”. “O surf está a trazer muito dinheiro para o país, são cerca de 400 milhões por ano que entram e milhares de praticantes, mas está caótico. Nesta praia hoje em dia, ao fim de semana, escolas preenchem tudo e já é perigoso, temos de ter imenso cuidado para não nos magoarmos uns aos outros”, sublinha Filipa Leandro.

Aventuras dos filhos e alunos em livro

Encantada com o facto de dar aulas de surf a alunos de países e culturas tão diferentes, que tornam o seu dia-a-dia tão rico e divertido, Filipa Leandro decidiu começar a escrever histórias infantis pedagógicas. Os protagonistas são os elementos da sua própria família: ela, o filho Jaime e a filha Kika, que até dão nome à coleção ‘Vem Surfar com a Pipa, o Jaime e a Kika’.

Já lançou cinco livros desde o final do ano passado. Pode encontrá-los nas lojas FNAC ou na livraria online Wook, onde custam entre 7 e 10 euros e estão disponíveis em português e inglês.

“Entre aventuras consigo passar muita cultura sobre os locais. Já escrevi histórias que se passam em Peniche e na Nazaré, por exemplo. No futuro gostava que os livros passassem a desenhos animados e histórias em 3D para dispositivos móveis, mas essas coisas são sempre muito caras, preciso de patrocinadores”, acrescenta a ex-surfista.

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