Exclusividade sexual: sim ou não?

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Ao contrário do que gostamos de pensar, o compromisso de uma relação não é para todos. Adoramos achar que o único molde de vida emocional passa por uma exclusividade e dedicação eternas, mas a vida moderna está muito apostada em mostrar-nos o inverso. Dá-nos um certo quentinho, e uma segurança que precisamos de forma absoluta, pensar que o mundo se divide entre as pessoas que, como a maioria, “assentou” e escolheu alguém para amar na alegria e na algália; e os outros, que se sentem livres e felizes para viverem uma não exclusividade emocional, e, sobretudo, sexual.

Por mais que isto nos confunda e nos faça cócegas na moral, é cada vez mais claro que as relações entre as pessoas não têm sempre a mesma matriz emocional. E que as ditas, quando não assentes em afeto e amor romântico, podem, igualmente, funcionar. A questão é outra. Porque o “funcionamento” que uns procuram, outros deploram. Nem todos queremos a certeza do que nos espera em casa todos os dias. Outros há que procuram a adrenalina de cada nova conquista e muitos desses são felizes com meia dúzia de corpos que se conhecem ao longo da vida, com que se encontram nos lençóis, mas que dispensam a construção de um quotidiano assente num número par.

Querer uma relação sem compromisso não é o fim do mundo em cuecas, mas, seguramente, também não é a maravilha que se propaga, sobretudo por pessoas em relações sem grande estímulo. É um facto que numa relação sem compromisso o tom geral da coisa é de maior relaxamento, menor tensão, porque há menos envolvimento emocional e menos investimento. Algumas são puramente sexuais, outras há que assentam também em companheirismo, ambas excluem o cariz monogâmico. E apesar de este tipo de ligações não ser conforme à norma, não significa que não existam preceitos e regras por onde se reger.


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E a primeira é óbvia: todos têm de estar no mesmo comprimento de onda, informados, conscientes e participantes por vontade própria. A partir daqui é que a coisa pode, potencialmente, complicar. Porque lá porque a coisa pode ter, à partida, um tempo de vida menor que uma relação mais comum, isso não significa que um dos membros possa usar da falta de respeito, sempre que lhe a atenção lhe fugir para corpos mais apetecidos no momento ou para noites de ausência de outro. Lá porque não há compromisso, é uma pessoa que está do lado de lá e uma expectativa que existe sempre, independentemente do desenho escolhido. Daí a necessidade de se estabelecer regras logo à partida, mesmo que isso pareça frio e estranho.

Todos vimos de um padrão de amor romântico, o que torna este tipo de ligação ainda mais incomum e as pessoas que o escolhem como falhas de algum tipo de parafuso, tecla, ferramenta usadas na monogamia e devoção eternas. Somos incentivados a procurar esse tipo de ligação e afeto e desincentivados de embarcar em qualquer outro. Até nos locais onde podemos levar alguém com quem tenhamos uma relação de companheirismo e sexo. As luzes baixas, a música lenta, marcam o tom para o romantismo das saídas a dois, mais do que o sexo prazeroso, puro e duro. E não esquecer que relação não monogâmica e relação casual não são a mesma coisa. Ainda assim, temos uma absoluta necessidade de dar sentido ao sexo que temos, nem que, para isso, o embrulhemos em fita colorida a que chamamos de “relação”, até quando não funciona.

Posto isto, qual é o racional que nos diz para procurarmos a estabilidade de uma ligação monogâmica? Sendo que não existem estudos com resultados cabais que indiquem que somos biologicamente feitos para a monogamia ou para a não monogamia, o que resta se não a forma de tudo o que nos rodeia? Tendo em conta que 50% dos casamentos resultam em divórcio, os tempos têm trazido vários e coloridos modos de relação, onde não é o exclusivo sexual que define a relação, mas sim o exclusivo emocional.

O compromisso da “normalidade” nas relações não se faz apenas no dia em que nos comprometemos. Faz-se diariamente, quando se escolhe ficar e contornar os efeitos da frustração, da necessidade de controlo, da falta de paciência, e, tantas vezes, da ausência de empatia pelo outro. É nesses momentos que as relações se definem, fazem e desfazem. A ausência de monogamia ou de compromisso não retira a ligação das relações. Apenas ajuda a mitigar ou a viver este lado menos cor-de-rosa do amor romântico. Mas lá que são relações como as outros, isso são.

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