Filmoteca da Catalunha dedica ciclo à atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros

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A Filmoteca da Catalunha, em Barcelona, exibirá, a partir de quarta-feira, 15 filmes da atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros.

Na apresentação do ciclo, que decorreu esta terça-feira, Maria de Medeiros falou da atualidade europeia, da vaga de refugiados, afirmando que, certamente, “a rejeição não resolve” nenhum dos problemas da Europa, com milhares de refugiados a congelarem de frio, “o que surpreende sempre é como se esquece rapidamente, como se desconhece a história, incluindo a história recente, o leva a que se repitam erros”.


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A atriz e realizadora criticou os atos de machismo com que muitas vezes teve de lidar, e recordou que a sua experiência mais marcante nesse campo viveu-a com o filme Capitães de Abril, um filme sobre o 25 de Abril de 1974, para cuja preparação teve de entrevistar militares em quartéis.

“Curiosamente, nenhum militar pôs em causa a legitimidade do trabalho de uma miúda de 21 anos, mas quando comecei a trabalhar foi quando me deparei com as reações mais machistas no mesmo mundo do cinema, na imprensa e no mundo político”, contou.

A partir de quarta-feira e até 10 de fevereiro, serão exibidos 15 filmes da atriz, que o realizador João César Monteiro descobriu em 1981, para protagonizar Silvestre, e que é considerada por muitos a melhor atriz portuguesa da sua geração.

De acordo com Maria de Medeiros, no ciclo poderá ver-se “coisas que pouquíssima gente viu”, como o título inaugural, Viagem a Portugal (2011), de Sérgio Tréfaut, sobre a arbitrariedade dos controlos nos aeroportos, ou Je ne suis pás mort (2012), de Mehdi Bem Attia.

O ciclo inclui também “títulos bastante experimentais” dirigidos por Maria de Medeiros, como Entre dois desconhecidos (2015), um diálogo de imagens, filmado com telefones móveis, entre a realizadora e o escritor francês Stéphane Zagdanski.

A atriz, que também entrou em Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, e Henry and June, de Philip Kaufman, apelou à recuperação da “experiência coletiva” de ver um filme, em sala, algo que está a perder-se, porque “cada vez mais se vê um filme num pequeno ecrã ou computador”.

Maria de Medeiros confessou que lhe custa fazer prognósticos sobre o futuro do cinema, mas considerou que a tecnologia móvel “dá maior autonomia ao criador, convertido, como sucede em Entre dois desconocidos“, em que foi “responsável pela luz, pela fotografia, pela correção de cor, pela montagem do filme e pelo som”.

Embora muitos considerem que o melhor cinema hoje em dia é feito em televisão, Maria de Medeiros confessa: “Não vejo séries e, na verdade, só vi a primeira temporada de Mozart in the jungle, pela minha ligação à música clássica, mas não tendo a ficar agarrada a qualquer tipo de droga e nisso incluo as séries”.

Prestes a estrear uma peça de teatro em França, uma adaptação de Um amor impossível, de Christine Angot, que deverá ficar em cena, em Paris, a partir do final de fevereiro, Maria de Medeiros irá dirigir um novo projeto, a versão de Aos nossos filhos, obra teatral que fez durante três anos no Brasil.

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