“Fumei até a um ponto em que já praticamente não me conseguia mexer”

Luís Gottschalk descobriu que sofria de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) aos 43 anos. Tinha todos os sintomas (que pode ver na galeria de imagens acima), que o alertavam constantemente para deixar de fumar e ir ao médico, mas desvalorizava-os, culpando as constipações e o cansaço. Só quando teve a primeira crise grave de dispneia é que decidiu ir a um médico especialista. Depois disso, ainda fumou uma média de quatro maços por dia durante quase mais 10 anos. Hoje, aos 68 anos, tem plena consciência de que foi por pouco que a doença não o matou.

“Fumei até a um ponto em que já praticamente não me conseguia mexer, não tinha capacidade respiratória para quase nada. Não fiquei preso em casa, mas estive quase. Tirou-me uma quantidade de possibilidades, desde o nadar ao caminhar, e quando digo caminhar é a simples distância do alpendre da vivenda para dentro de casa. Nas piores crises, vir do quarto para a casa de banho deixava-me completamente sufocado e escadas nem vê-las, já nem precisava de subi-las para ter uma crise de dispneia”, explica ao Delas.pt Luís Gottschalk.

Era professor e até a curta distância da sala de professores à sala de aula, com a pasta na mão, se tornou impossível de percorrer. A vida social também foi extremamente afetada. Deixou de poder frequentar vários sítios, andar de autocarro, avião e até conduzir se tornou uma tarefa muito difícil.

“Durante um período fui uma grande preocupação para os meus familiares e amigos, estava muito dependente. Nesse sentido, isso representava para eles um esforço suplementar. Até ser operado vivia num ambiente familiar, entre a mãe, irmãos, cunhado, etc., não podia viver sozinho porque tinha receio. Depois de ser operado arranjei a minha própria casa e moro sozinho”, conta o homem que sofre de DPOC.

A doença não tem cura, mas pode ser amenizada ou retardada com vários tratamentos. Em Portugal, menos de 1% dos cerca de 800 mil doentes têm acesso aos programas de reabilitação respiratória, apesar de serem fundamentais. Contudo, o Governo quer mudar esta realidade. Foi publicado em Diário da República um despacho que define que, até ao final deste ano, todos os Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) devem ter acesso aos tratamentos, ajustados às suas necessidades e distribuição geográfica.

O controlo clínico, exercício físico e educação são três das componentes essenciais do tratamento. Se fumar, deixar de o fazer também ajuda.

“Quero deixar a mensagem de que não se pode apagar fogo com petróleo, o meu médico disse-me isso repetidamente. Não vale a pena as pessoas não encararem a realidade de frente e tal como ela é, o enfisema resulta do fumo. Pensamos sempre que escapamos, acontece o mesmo com o cancro. O enfisema é uma doença grave, extremamente limitadora, e se progride é tão mortal como o cancro. Em 2013 estava muito perto de morrer ou ficar completamente incapacitado”, alerta o doente.

O que é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica?

A DPOC é uma doença crónica comum, tal como a asma brônquica, que leva à dificuldade expiratória, destrói a capacidade de passagem do oxigénio para o sangue e elimina o dióxido de carbono resultante do trabalho celular.

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“Além da exposição ao fumo do tabaco, a exposição ao fumo passivo, ao fumo de combustão de lenha e, em menor número, ao défice congénito de uma proteína, a alfa-1-antitrispsina, são as principais causas de desenvolvimento da doença. Os doentes com défice congénito de alfa-1-antitrispsina podem ter DPOC, mesmo sem exposição ao fumo. Claro que nos casos dos fumadores esta doença manifesta-se mais cedo”, sublinha António Carvalheira Santos, chefe do serviço de pneumologia do Hospital Pulido Valente.

O Medical Research Council fez uma escala que correlaciona a falta de ar com o prognóstico e a incapacidade que resulta da doença (pode ver a imagem abaixo). Contudo, além da dispneia, a falta de ar e o cansaço também são sintomas, bem como a “ansiedade resultante do medo de não se conseguirem fazer as tarefas do dia-a-dia e consequente depressão”.

Dispneia

“Através desta escala o doente com DPOC pode avaliar a gravidade da sua doença. Um índice geral ou superior a 2 corresponde a uma DPOC moderada (3), grave (4) ou muito grave (5), de acordo com o indicador”, acrescenta o médico.

Plataforma online sobre doenças respiratórias crónicas

Para assinalar a data foi lançada, esta sexta-feira, a primeira plataforma online dedicada às doenças respiratórias crónicas. Apesar de a DPOC e a asma brônquica serem as mais comuns existem também as fibroses pulmonares, as bronquiectasias, a fibrose quística e as doenças neuromusculares com envolvimento torácico, as da parede torácica e as metabólicas.

No site respirarmelhor.pt, todos os que estiverem interessados em saber mais sobre este tipo de patologias podem encontrar testemunhos de doentes, dicas para ajudar a viver melhor com a doença e conselhos de vários profissionais dedicados à saúde respiratória.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

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