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Greve ameaça produção de ‘The Walking Dead’ e ‘Saturday Night Live’

Dez anos depois da greve dos argumentistas norte-americanos que parou a produção de séries e talk shows televisivos, atrasando as estreias em cerca de um mês e cancelando formatos, o Writers Guild of America (WGA) voltou a aprovar, esta segunda-feira, uma nova paralisação. Em causa está o fim de contratos com os maiores estúdios de Hollywood e o cumprimento de exigências para um futuro conjunto, entre elas seguros de saúde, o pagamento de royalties e o direito a escrever para vários programas de horário nobre em simultâneo.

Os escritores explicam que os estúdios e as produtoras de cinema e TV, representados pela Alliance of Motion Picture and Television Producers, têm de contribuir mais para fazer frente o défice de 145 milhões de dólares previsto para os próximos anos. E justificam que, apesar de nunca se terem feito tantos programas, em especial devido às plataformas de streaming como a Netflix e a Amazon, as respetivas temporadas são cada vez mais curtas: dos 20 a 22 episódios que compunham cada uma num passado recente, agora a maioria raramente ultrapassa os 10.

A concretizar-se, esta será a sexta paralisação dos guionistas norte-americanos

A greve foi aprovada através de voto eletrónico, com 96.3% dos roteiristas a dizer “sim” a uma paralisação. O que isto significa para os espectadores é o adiamento de regressos de formatos como ‘The Walking Dead’, ‘Jessica Jones’, ‘American Horror Story’ ou ‘Saturday Night Live’.

Num documento, o WGA avisa que a falta de acordo poderá implicar um “atraso com o início dos trabalhos”, que por sua vez “tem potencial de adiar as estreias do outono e de reduzir a quantidade de nova programação disponível para anunciantes e para o público”.

Em 2007, a greve durou 100 dias

Foi exatamente isto que aconteceu em 2007, quando a paragem dos guionistas durante mais de três meses levou a uma perda considerável de receitas e ao cancelamento de séries como ‘Serviço de Urgência’ ou ’30 Rock’ se havia dúvidas que estas pudessem terminar, a greve dissipou-as. Antes, o sindicato já tinha paralisado durante 22 semanas em 1988, outras duas em 1985, durante três meses em 1981 e durante 21 semanas em 1960.

Saber-se-á, a 1 de maio, se as exigências são aceites pelos estúdios. Caso contrário, a sexta greve é mesmo para avançar.

Ana Filipe Silveira / Fotografias Reuters