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Hillary Clinton: a mulher que era temida pelo ‘staff’ da Casa Branca

Hillary Clinton arrasada em novo livro

O timing não é novo. Quando um candidato à presidência dos EUA começa a ganhar maior visibilidade e apoio eleitoral, é comum serem publicados livros e entrevistas com histórias que têm o intuito de denegrir a sua imagem. Aconteceu com Barack Obama, em 2008, e acontece agora com Hillary Clinton. “Errática, incontrolável, ocasionalmente violenta”, “vulcânica, impulsiva e incumpridora de regras”, uma mulher com “falta de integridade e temperamento para servir a presidência”. É desta forma que um ex-oficial dos Serviços Secretos norte-americanos a descreve, no livro ‘Crisis of Character’ (em português, ‘Crise de Caráter’), que irá lançar a 28 deste mês.

Gary Byrne fez parte do corpo de funcionários da Casa Branca durante o mandato de Bill Clinton (1993-2001) e garante que todos os seus colegas viviam em clima de medo constante em relação à atual pré-candidata democrata à presidência dos EUA.

“O que eu vi na década de 1990 deixou-me enojado”, escreve Byrne, de 29 anos, em passagens da obra obtidas em exclusivo pelo ‘The New York Post’. Segundo ele, Hillary tinha o hábito de gritar “obscenidades” ao seu marido e a todo o staff da residência oficial em Washington.

“A Hillary Clinton está pronta para se tornar na candidata democrata a presidente dos EUA, mas ela simplesmente tem falta de integridade e temperamento para servir a presidência”, assegura Gary Byrne.

Curiosamente, o livro chegará às bancas num momento-chave da campanha presidencial: um mês antes de Clinton, 68 anos, ser nomeada candidata pelo Partido Democrata no estado de Filadélfia, um dos mais decisivos para o seu futuro. Mais curioso ainda: a obra ainda não foi lançada e, com base nas pré-encomendas que já recebeu, ocupa o primeiro lugar da lista de best-sellers do site Amazon.

“Eu sei, do fundo da minha alma, que isto é verdade. E com a recente ascensão da Hillary, apercebo-me de que o seu estilo de liderança – vulcânico, impulsivo, com queda para bajuladores e incumpridor das regras estabelecidas para os demais – não mudou nem um pouco”, sublinha ainda o autor.

O ex-membro dos Serviços Secretos – que foi chamado a testemunhar perante o júri que investigou o envolvimento de Bill Clinton com a funcionária Monica Lewinsky – também não hesita em expor o antigo líder do mundo livre. Certa vez, recorda ele, entrou numa sala onde o presidente estava “envolvido de forma imprópria com uma mulher”, que não era nem Clinton nem Lewinsky. E garante que chegou a deitar fora uma toalha do antigo presidente, manchada com batom de mulher e “fluidos corporais”.

Quanto à dinâmica entre marido e mulher, Byrne explica que eram frequentes as discussões entre Bill e Hillary. Uma das mais acesas remonta a 1995, que terminou com um vaso “partido em pedaços” e um “olho negro” do então presidente.

Entretanto, os responsáveis pela campanha da candidata democrata já desacreditaram as alegações do autor, comparando-o a Edward Klein, que no ano passado deu que falar com o lançamento da obra ‘Unlikeable: The Problem with Hillary’ (em português, algo como ‘Antipatia: O Problema de Hillary’).

“O Gary Byrne junta-se a Ed Klein e a outros autores, numa longa lista de livros que tentam lucrar com o ciclo eleitoral através dos seus disparates. Deviam ser colocados na secção de fantasia das livrarias”, frisou o porta-voz Nick Merrill.

Quem também aproveitou este ataque à campanha de Hillary foi Donald Trump, o seu principal opositor. “O temperamento é mais um problema da Hillary Clinton. Eu não me lembro de o Sr. Trump alguma vez ter gritado com um membro dos Serviços Secretos, de os ter chamado de porcos, ter atirado vasos de um lado ao outro da sala ou de ter agredido o rosto da sua companheira, algo que a Hillary Clinton alegadamente já fez”, frisou à CNN a porta-voz do candidato republicano, Katrina Pierson.

Carolina Morais / Fotografia: Reuters