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Irão quebra promessa de ter mais mulheres no novo governo

O próximo governo do Irão está a suscitar críticas entre os apoiantes do presidente Hassan Rohani . Em causa está a composição do executivo, dominado por ministros veteranos e sem nenhuma mulher.

Hassan Rohani apresentou esta terça-feira, no parlamento, 17 dos 18 membros do seu novo governo. Cada ministro deverá obter individualmente a confiança dos deputados, que começarão a votar dentro de uma semana.

A lista apresentada não inclui o nome da pessoa proposta para o ministério da Educação superior, mas é o facto de esta não ter membros do sexo feminino que tem feito soar mais críticas.

“A ausência de mulheres nos postos ministeriais é uma forma de não avançar”, declarou ao diário Etemad a vice-presidente cessante, Shahindokht Mollaverdi, que antes da formação do governo afirmava esperar “duas ou três mulheres ministras”. O anterior governo incluía três vice-presidentes, mas nenhuma mulher num posto ministerial.

Nas redes sociais multiplicaram-se as críticas contra Rohani, religioso moderado, acusado de não ter cumprido a promessa eleitoral de reforçar o executivo com mulheres, jovens e representantes das minorias.

“Felicitações pela nomeação massiva de sunitas, de mulheres e de jovens no Governo”, ironizou num ‘tweet’ Hossein Dehbashi, ativo na campanha de Rohani em 2013 mas crítico nos últimos anos, sendo acompanhado por outros setores do movimento reformador.


Leia a entrevista à ativista iraniana Masih Alinejad.


O ex-presidente Mahmud Ahmadinejad (2005-2013), considerado ultraconservador, foi o único desde a Revolução islâmica de 1979 a designar uma mulher para o governo durante o seu segundo mandato. Marzieh Dastjerdi foi ministra da Saúde entre 2009 e 2013.

Os conservadores também reclamavam um rejuvenescimento do gabinete, uma vez que o governo cessante tinha a média de idades mais alta desde 1979. A média de idades da nova equipa ministerial é de 58 anos, face aos 57 do anterior executivo, refere a agência noticiosa Fars.

Selfies polémicas
Não é apenas a composição do novo governo que está a dar que falar no Irão. Os deputados do país estão a ser criticados pelo seu comportamento durante a visita de Federica Mogherini, responsável pela política externa da União Europeia, no passado sábado, 5 de agosto.

As críticas, com montagens humorísticas, nas redes sociais (DR)

Mogherini deslocou-se ao Irão para a tomada de posse do presidente Hassan Rohani e no parlamento, foi cercada por vários deputados que queriam tirar selfies consigo.
A atitude de alguns parlamentares deixou a a representante da União Europeia constrangida, como reflete a foto publicada pela agência de notícias Fars, e valeu várias acusações aos deputados, com o coro nas redes sociais a destacar a atitude “ridícula” de tantos homens a rodear uma mulher.

AT com Lusa