Joalharia portuguesa um sector a dar a volta ao mundo

As joias portuguesas estão em alta. O renascimento de um setor de que quase não se ouviu falar durante anos é fruto da iniciativa privada e do associativismo, das tecnologias inovadoras mas também do crescimento do orgulho na tradição nacional. A cara escolhida para a campanha de promoção da joalharia portuguesa é uma amostra a visão de quem está à frente do setor.

“O que diferencia a nossa joalharia é uma herança secular de gerações dedicadas à arte da ourivesaria, à manufatura, à atenção ao detalhe e à personalização”, afirma Fátima Santos, Secretária-Geral da Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP).

“E agora as marcas nacionais estão a aliar esse know-how aos novos conceitos de design contemporâneos, mais próximos dos novos padrões de consumo e da moda”, acrescenta. “É neste cruzamento entre passado e presente que se inscreve o futuro”.

Segundo a AORP, as empresas tradicionais têm vindo a modernizar-se e a adaptar-se às novas tendências ao introduzir conceitos inovadores de gestão, de design e de marketing e ao apostar nos mercados externos como Espanha, França, Itália, Reino Unido, Holanda, Suécia, Dinamarca, EUA e China. Paralelamente, têm surgido designers com conceitos arrojados e abordagens originais. Resultado? O setor está a atravessar uma fase de renovação, registando o maior crescimento de exportação desde 2008: 500%.

Apesar dos números absolutos ainda serem reduzidos (as exportações totalizam 60 milhões), o rápido crescimento revela a dinâmica da joalharia e ourivesaria nacionais. E as previsões são animadoras – espera-se que daqui a cinco anos as exportações atinjam os 150 milhões de euros.

Mas nem é de agora que a nossa arte se faz notar: quem se esquece que já Sharon Stone usou um coração de Viana nas ruas de Beverly Hills, que lhe tinha sido oferecido pelo patrão da Douro Azul, Mário Ferreira, na sua passagem pelo Douro, e Julia Roberts foi fotografada com uma pulseira da designer Luísa Rosas para a revista americana InStyle?

Agora é a vez de a atriz Milla Jovovich ser protagonista da campanha que vai promover a joalharia nacional, numa campanha que foi rodada no Porto, em junho, com a produção a cargo de uma equipa nacional e que durante um ano faz da atriz e modelo a porta-estandarte de um setor cujo volume de negócios é de 1000 milhões de euros.

Arte ancestral com olhos no futuro

A ourivesaria é uma arte centenária em Portugal. Apesar de se pensar ter sido introduzida pelos romanos, este é um dos países pioneiros na arte de trabalhar o ouro e um dos poucos que preserva o seu manuseamento artesanal. O exemplo mais peculiar é o da filigrana, uma técnica muito meticulosa, que exige grande destreza, paciência e imaginação (e ao que parece os chineses já andam a procurar aprender a imitar, mas de forma industrial).

Não será por acaso que, segundo a AORS, “marcas internacionais como Louis Vuitton, Tiffany ou Cartier recorram aos nossos artesãos para produzir as suas joias”.

Para Nuno Torres, da marca Anselmo 1910, que recentemente abriu uma nova loja na antiga casa de Fernando Pessoa em Lisboa (Chiado – Largo de São Carlos, 1) a tradição nacional, valores e história têm tudo para fazer diferença. “O ouro do Brasil foi a matéria-prima para o desenvolvimento desta arte tradicional. As joias e as peças de arte sacra facilitaram aos artesãos portugueses o desenvolvimento de uma apurada técnica e a expansão marítima permitiu-nos conhecer a joalharia oriental e trazer para a Europa pedras preciosas que foram aplicados na manufatura de peças em metais nobres”, esclarece.

Na Anselmo 1910, a aposta é feita tanto nos artesãos – sobretudo no que toca à filigrana – como nos designers. “Existe uma nova geração que nos vai levar mais longe”, acredita. Pela criatividade e pelos conhecimentos técnicos, já que não faltam centros de formação competentes, vontade de aprender e vencer.

Por outro lado, estes artistas além do seu espírito inventivo, democratizaram a joalharia, tornando-a mais acessível ao consumidor, tanto pelos preços mais competitivos, como pela colocação das suas peças à venda online.

Atenta a esta tendência, a AORP criou uma plataforma de promoção dos talentos emergentes, que pretende funcionar como uma rampa de lançamento no mercado nacional e internacional. A iniciativa, Portuguese Jewellery Newborn, criada no início de 2016, alberga atualmente cerca de 20 marcas de jovens designers portugueses.

O mote da campanha é “Crack The Egg” (“partir o ovo”) e tem como objetivo incentivar os jovens designers a “sair da casca”. Integra nomes como Ana João, Bruno da Rocha, Inês Telles, Mater Jewellery Tales, Joana Ribeiro, Lia Gonçalves, Romeu Bettencourt, entre muitos outros.

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