Jovens mulheres têm alta taxa de infeção de HIV

SIDA

O número de pessoas infetadas pelo VIH que estão a tomar medicamentos antirretrovirais duplicou em apenas cinco anos, mas há uma grande taxa de infeção entre mulheres jovens, sobretudo as africanas, segundo um relatório da ONU divulgado na segunda-feira.

“Em junho de 2016, cerca de 18,2 milhões de pessoas tiveram acesso aos medicamentos que salvam vidas, incluindo 910 mil crianças, o dobro do número em relação há cinco anos”, indicou o documento do Programa Conjunto das Nações Unidas para o VIH/SIDA (ONUSIDA) intitulado “Get on the Fast-Track: the life-cycle approach to HIV”.


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Neste relatório, lançado em Windhoek, na Namíbia, refere-se que está em curso uma meta de 30 milhões de pessoas em tratamento com antirretrovirais (ARV) até 2020.

Entretanto, o relatório mostra também os enormes riscos que as mulheres jovens estão a enfrentar.

No ano passado, mais de 7.500 adolescentes e mulheres jovens foram infetadas com VIH por semana em todo o mundo, a maior parte delas em África, nomeadamente no sul do continente.

“As mulheres jovens enfrentam uma ameaça tripla”, disse o diretor executivo da ONUSIDA, Michel Sidibé, durante o lançamento do relatório na capital namibiana.

“Elas sofrem com um alto risco de infeção pelo VIH, têm baixas taxas de testes de HIV e têm pouca adesão ao tratamento. O mundo está a falhar com as jovens e temos urgentemente necessidade de fazer mais”, sublinhou.

Sidibé saudou o progresso feito com o tratamento do VIH, mas alertou que qualquer avanço é “incrivelmente frágil”.

A alta taxa de infeção entre as jovens e as adolescentes é muitas vezes motivada por relacionamentos com homens mais velhos.

O relatório apontou que os dados recolhidos na África do Sul mostraram que mulheres e adolescentes estavam a ser infetadas com o VIH por homens adultos.

Muitos homens contraem o VIH muito mais tarde na vida e, depois, continuam com o ciclo de infeção.

O relatório apontou um estudo na província de KwaZulu-Natal, na África do Sul, que revelou que apenas 26% dos homens sabiam o seu estado de portador do VIH e apenas cinco por cento estava em tratamento.

Globalmente, entre 2010 e 2015, o número de novas infeções por VIH nas mulheres jovens, entre 15 e 24 anos, reduziu em apenas seis por cento, passando de 420 mil para 390 mil. Para atingir o objetivo de menos de 100 mil novas infeções por VIH entre adolescentes e mulheres jovens até 2020, exigirá uma redução de 74% entre 2016 e 2020.

O relatório também alertou para o risco de resistência aos medicamentos e a necessidade de reduzir os custos dos tratamentos de segunda e terceira linha.

Também destacou a necessidade de mais sinergias com os programas de combate à tuberculose (TB), ao papilomavírus humano (HPV) e o cancro de colo do útero, e aos programas de hepatite C, a fim de reduzir as principais causas de doença e morte entre pessoas a viver com VIH.

Em 2015, das 1,1 milhões de pessoas com VIH que morreram, 440 mil tinham tuberculose, incluindo 40 mil crianças.

Globalmente, o acesso a medicamentos contra o VIH para prevenir a transmissão do vírus de mãe para filho aumentou em 77% em 2015. Como resultado, as novas infeções por VIH entre crianças diminuíram 51% desde 2010.

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