Kenny Ortega: o coreógrafo de ‘Dirty Dancing’ e de Michael Jackson

Kenny Ortega, de 67 anos, é o senhor que se segue. No currículo soma inúmeros sucessos que fazem dele um dos nomes mais importantes do universo cinematográfico de Hollywood.

Bailarino de formação, Ortega ficou famoso após ter sido responsável pelas danças de ‘Dirty Dancing’, em 1987, que tinha Patrick Swayze e Jennifer Grey como protagonistas daquele mágico momento ao som de (I’ve Had) The Time of My Life, de Bill Medley e Jennifer Warnes. Inesquecível, de facto! Mas Ortega é hoje muito mais do que o coreógrafo de videoclipes icónicos como ‘Material Girl’, de Madonna… ele é testemunha viva dos tempos em que Michael Jackson brilhava nos palcos por esse mundo fora. Kenny Ortega criou e realizou as digressões ‘Dangerous World Tour’, entre 1992 e 1993, e HIStory World Tour, de 1996 a 1997.

O Delas.pt conversou com coreógrafo e realizador, de ascendência espanhola, que não conteve a emoção ao falar do eterno rei da Pop. O mote desta entrevista foi o seu mais recente trabalho o filme ‘Os Descendentes 2’, com estreia absoluta em Outubro no Disney Channel, mas não resistimos a falar do clássico do cinema “Dirty Dancing”.

Quando falamos com Kenny Ortega é obrigatório falar de Michael Jackson. Como foi trabalhar com o verdadeiro rei da Pop?

Para isso só tenho uma palavra: extraordinário! Foi uma das pessoas mais inspiradoras com quem já trabalhei. Foi um presente para mim. O Michael Jackson era único, inovador e genial.

O Kenny sente a sua falta?

Demasiada falta, todos os dias. Tenho tantas saudades dele que o carrego diariamente comigo. Ele está nos meus ombros e no meu coração. Sinto-o, constantemente, a sussurrar-me ao ouvido. Enquanto eu for vivo ele vai sempre fazer parte de mim. Ele foi impactante na minha vida de tal maneira que é impossível descrever. O que ele trouxe à minha vida foi majestoso. As suas palavras, a sua bondade, generosidade e a preocupação com as crianças e com o planeta são indescritíveis. E depois a sua performance… o respeito que ele tinha pelo seu público e pelo palco era, verdadeiramente, inspirador. O Michael Jackson era um ser humano fora de série.

Ele está tão vivo em si, verdade?

Completamente. Está muito presente na minha mente e vivo no meu coração.

Kenny Ortega trabalhou diretamente com Michael Jackson, para o coreógrafo um grande amigo. O rei da pop morreu em 2009 e Ortega emociona-se ao falar do artista [Fotografia: DR]
O panorama artístico ficou mais pobre com a sua morte?

Perdemos um grande homem e um grande artista. Perdemos uma pessoa que tinha um futuro brilhante na luta pela melhoria do planeta. A razão pela qual ele vivia era também por isto. Sempre mo disse claramente. Havia grandes razões pelas quais ele queria continuar a viver. A primeira, e também prioritária, eram os filhos. Queria que os filhos tivessem a oportunidade de o ver no palco. Queria que eles percebessem o quanto ele amava cantar e ser artista. Queria também dar em troca algo aos fãs que o respeitavam, que eram leais. E com todos os altos e baixos que era a sua vida nunca os esquecia. Nunca! Atuava por eles, mesmo que a sua vida estivesse do avesso. Ele dizia-me: ‘Kenny é muito importante subir ao palco.” Lembrava-me que o palco era sempre um veículo essencial para deixar o alerta em relação ao meio ambiente. O palco era a plataforma que o Michael usava para lembrar o mundo inteiro o quanto o planeta está vulnerável e o quão é importante cuidar dele. Porque se nada fizermos, a geração futura estará ameaçada.

Michael Jackson será eterno?

Completamente porque, para além disto tudo, ficámos com a sua música incrível, os seus videoclipes e os seus livros. O Michael era um artista. Fazia arte e deixou-nos tanto… Era inspirador. As letras das suas canções, a forma de dançar… enfiam, é o que faz dele ser eterno.

Também não podemos deixar de falar do ‘Dirty Dancing’, pois é um dos filmes preferidos de muitas portuguesas.

Primeiro: todos têm de saber que fizemos este filme com um orçamento reduzido e com uma produção muito pequena. Tínhamos, de facto, pouco dinheiro e éramos muito poucos. Saímos para Carolina do Norte e Virgínia (Estados Unidos da América) onde filmámos em sítios remotos, longe de tudo. Ficámos num hotel, com um lago belíssimo, e acampámos ali, literalmente. Estávamos completamente afastados do mundo. Não havia telemóveis, não havia internet nem redes sociais naquele tempo. Não havia qualquer comunicação com o mundo exterior. Éramos só nós ali: a equipa de filmagem e os atores. Todos juntos como uma família para fazer um pequeno filme. Dependíamos todos uns dos outros. Os dias eram quentes e as noites muito frias. Foi uma das maiores experiências da minha vida que nada têm a ver com os dias de hoje e com a forma como hoje trabalhamos em cinema. Aquilo que vivi ali ficará para sempre gravado em mim.


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Tem saudades dos tempos em que trabalhou com Patrick Swayze??

Sentimos muito a falta do Patrick. Ele era extraordinário como pessoa e como profissional. Era adorado por todos. E ele trouxe tanto para o filme que nem tenho palavras para descrever a química que havia entre o Patrick e a Jennifer. Vê-la a trabalhar era incrível. Tudo aquilo foi mágico para todos nós.

Quando estavam a fazer o filme tinha ideia de que iria ser um sucesso mundial?

Nada disso! Não tínhamos ideia nenhuma que iria ser tão especial e que iria durar para sempre. Toda a gente conhece o filme. Até as gerações mais novas.

E mantém contacto com o resto do elenco?

Só para terem uma ideia como este filme nos marcou, ainda há pouco tempo estive com a Jennifer Grey porque nós estamos a preparar um projeto que tem a ver com o ‘Dirty Dancing’. Não posso adiantar muito mais, mas vai haver novidades. Garanto! Vamos começar a trabalhar em setembro e está tudo certo para avançarmos. Também estou em contacto com a Kelly Bishop. No fundo, estaremos para sempre ligados por causa do filme… somos uma família! E o filme marcou-nos de tal maneira que ainda hoje dá frutos.

Tal como “Dirty Dancing” também “Os Descendentes 2” é um filme com muita dança. O que é que os fãs podem esperar?

Eu quero que os fãs excedam as expectativas que têm da sequela. Nós ouvimos o que têm para dizer, preocupamo-nos com as suas vontades e sabemos do que gostaram no primeiro filme dos ‘Descendentes’. Por isso, fizemos o segundo. Foi por eles e para eles. Quisemos trazê-los de novo para este universo. Por outro lado, queremos surpreendê-los com o máximo de ação, aventura, com novas personagens e muita animação musical. Trabalhámos arduamente para criar um filme que entusiasmasse, verdadeiramente, os fãs e até agora, aqui no Canadá a reação tem sido fantástica.

Qual foi o maior desafio, uma vez que trabalhou com atores muito jovens?

O único desafio em trabalhar com estes atores, e eu sinto-me abençoado por estar com eles, são as condições climatéricas. Se houver uma tempestade, por exemplo, é complicado. Porque trabalhar durante horas a fio em condições adversas é difícil devido às idades que eles têm. Porém, toda a equipa tem imensas expectativas uns dos outros e queremos fazer tudo o que seja possível para fazer um filme fantástico que obtenha ótimos resultados. Por isso, por vezes, o tempo e as horas de filmagens poderão ser um desafio e tanto para estes atores tão jovens. Temos de ter cuidado para não os cansa. Eles não devem ficar exaustos. Temos que olhar por eles.

Kenny Ortega coreografou e realizou o filme ‘Os Descendentes2’ [Fotografia: Disney Channel/Bob D’Amico]

E eles estão satisfeitos com os resultados?

Claro que sim, desde o primeiro. As crianças voltaram para um segundo filme porque a experiência do primeiro valeu a pena em tudo. Regressaram com vontade de repetir a experiência e têm um enorme carinho pelas suas personagens. Sabiam o que podiam esperar de nós e deles próprios. Estavam mais do que preparados e todos voltaram saudáveis e revigorados. Acontece que aproveitámos mais e melhor do que da primeira vez.

Foi divertido trabalhar com eles?

Sim, são tantas as aventuras que temos para contar. É maravilhoso trabalhar com pessoas tão inocentes e espontâneas. Eles são divertidos e corajosos. Têm profunda admiração uns pelos outros o que se torna fabuloso lidar com eles. Respeitam-se de tal maneira que são, de facto, um grupo generoso de pessoas que faz lindamente o seu trabalho. Divertimo-nos à grande.

É preciso disciplina e regras para, como se diz aqui em Portugal, comandar as tropas?

[Risos] Eu sou o líder deles e no fim do dia tenho de assegurar que tudo fica feito, que todos os objetivos foram cumpridos. Mas dou o meu melhor para os proteger de tudo. Sou o primeiro a dar-lhes voz. Eu desafio-os para que sejam corajosos, para que experimentem coisas diferentes. Por vezes, sinto que os melhores momentos acontecem quando eles não estão a ser dirigidos, quando não estão a ser guiados. Acontece tudo naturalmente porque confiam em mim. São tão corajosos que avançam de uma forma tão espontânea que tudo resulta muito bem. A magia acontece ali. E isso é a parte engraçada ao fazer este tipo de filmes com atores tão novos. O inesperado é surpreendente.

Kenny Ortega elogia todo o elenco de ‘Os Descendentes2’, o filme que tem estreia marcada para outubro no Disney Channel [Fotografia: Divulgação]
Kenny Ortega quer muito visitar Portugal. O realizador é fã da comida e do vinho português [Fotografia:DR]

Já alguma vez visitou Portugal?

Há muitos, muitos anos estive em Lisboa, mas já não me recordo de muita coisa. Tenho imensa vontade de voltar e conhecer muito melhor o país. Sei que é muito bonito e que tem paisagens incríveis de norte a sul. Não vou aí há uma eternidade, mas gosto muito de Portugal. Tenho uns amigos que até estão aí a passar férias e têm me enviado fotografias lindas. É um país maravilhoso e estou cheio de inveja de não estar aí com eles.

Nós cá esperamos por si, seria um prazer recebê-lo.

Muito obrigada! Irei com toda a certeza…

Conhece algum artista português?

Pessoalmente não conheço ninguém, mas sei que existem inúmeros artistas, atores e cantores também, que são fantásticos. A vossa música é única, assim como a vossa cultura e o vosso país. Eu gostava de conhecer muito mais.

Fala da cultura portuguesa, mas ainda não falou da gastronomia…

Gosto muito do vinho português. É fabuloso! Em relação à comida sei que o peixe é excelente. Têm muita variedade. O melhor é mandarem-me algumas das melhores coisas que aí se produzem para que eu possa provar. Depois voltamos a falar! [risos]

O que gostava de conhecer de Portugal?

O mar, as praias e viajar pelo país de carro. Os meus avós eram espanhóis, avós de pai e mãe, ambos. E a península ibérica é maravilhosa para mim. Nunca trabalhei em Portugal e só viajei até aí há muitos, muitos anos. Não me recordo de muita coisa. Espero que se não for em trabalho que vá a Portugal de férias. Assim concretizarei esse sonho de estar mais perto das minhas raízes.

Sabe que o Cristiano Ronaldo é nosso?

[Risos] Claro que sei! E ele é uma superestrela. É o melhor jogador do mundo, do qual também sou fã. Lá está, Portugal tem imenso valor… até no futebol!

 

Fotografia de destaque: DR

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