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“Vamos aceitando o envelhecimento à medida que o tempo vai passando”

Manuela Moura Guedes não quis perder o desfile que assinalou, este domingo em Lisboa, o início das celebrações dos 25 anos de carreira de Fátima Lopes. A jornalista confessou que vê “a moda como uma coisa muito divertida”, uma vez que permite aliar utilidade – “porque temos de nos vestir”, atira, com humor – e imaginação, mas também como um reflexo “do que nós próprios somos”. Ao delas.pt, admitiu que é “um pouco” dependente da imagem, não só por uma questão profissional, mas também “cultural”.

“Hoje em dia, os homens também são dependentes da sua imagem, mas as mulheres sempre o foram. Às vezes são mesmo obrigadas a isso. Mas eu acredito que, tal como cada vez mais as pessoas se cuidam em termos de saúde, e vivem cada vez mais anos por isso mesmo, devemos também cuidar da nossa imagem. Imagine o que é ter um coração a funcionar otimamente, um fígado ótimo, mas depois olharmos ao espelho e estarmos a cair…”, disse a mulher de José Eduardo Moniz.

“Envelhecer é uma coisa natural, tal como o coração poder funcionar mal também é uma coisa natural. Então, se tratamos do coração, porque não tratarmos do nosso aspeto? Faz parte do bem-estar”

Aos 61 anos, e mais do que a imposição imposta pela sociedade, Manuela Moura Guedes diz sentir a sua própria pressão o que diz respeito ao aspeto físico. E admite que, em relação a este, “tem dias” em que lida melhor, outros pior. Ajuda, garante, o facto de “o envelhecimento ser uma coisa gradual, que vamos aceitando à medida que o tempo vai passando”.

Lisboa, 02/04/2017 - Realizou-se esta tarde no Hotel Pestana Palace em lisboa o Desfile de Moda de Fátima Lopes. Manuela Moura Guedes (Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens)

Manuela Moura Guedes no desfile de Fátima Lopes

E houve algum momento da sua vida em que a imagem não lhe agradava? “Quando me chamavam, em pequena e dado o tamanho da minha boca, boca de sapo… Havia uns carros da Citroën, que eram os boca de sapo. Era a minha alcunha na transição da primária para o liceu. Ou então diziam que eu era igual à Françoise Hardy [cantora francesa] e, na altura, ela era considerada feia”, recorda.

“Ficava um pouco irritada, mas habituei-me rapidamente. Depois, felizmente, os padrões de beleza alteraram. Imagine o que era se eu vivesse na época em que as mulheres tinham o nariz fininho e as bocas pequeninas? Estava feita! Felizmente, tenho a sorte de viver numa época em que se aceitam as feições diferentes”.

Os cuidados que tem com o seu corpo traduzem-se em “ginástica com elétrodos, o Rapid Fit”, uma vez por semana. “Sou muito preguiçosa”, justifica. Já a alimentação só é mais comedida quando aumenta de peso. “Eu sou de facto magra. É certo que se começo a notar que engordo mais de três quilos corto em algumas coisas. E se emagreço faço por comer uns doces”, termina.

Ana Filipe Silveira