Marta Fonseca: “Acho que não vou voltar a usar biquíni”

Em 2013 nasceu a Latitid, uma marca de moda de praia nacional, que já conquistou Portugal e começa agora a dar os primeiros passos no mercado internacional. Tem pontos de venda na Suíça e Ibiza, e o volume de vendas online está a aumentar a cada estação.

Atitude e latitude são as duas palavras que se juntaram para dar nome a esta marca que viaja para trazer o espírito de cidades diferentes a cada ano. Em 2016 foi Istambul que inspirou as formas e modelos elegantes desenhados por Marta Fonseca, a designer da marca com quem estivemos à conversa para conhecer melhor a Latitid.

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Porque é que criaram uma marca de fatos de banho?
Eu fiz desde sempre os meus triquínis, porque não uso biquíni, e na altura imensa gente me pedia para fazer também para elas. A minha irmã sempre teve vontade de abrir um negócio próprio, e a minha tia que também é nossa sócia, é agente têxtil e está dentro do meio. Juntámos-mos e decidimos criar a Latitid no início como uma aventura, um pequeno projeto, mas logo no primeiro ano correu super bem e fomos continuando ao longo dos anos.

Porque é que só usa fato de banho?
Porque me habituei, de biquíni não me sinto eu. Usei uma vez em casa de uma amiga e foi muito estranho, acho que nunca vou voltar a usar mesmo tendo a Latitid.

Para si o que tem de ter o fato de banho perfeito?
Tem de ser confortável, é o principal, e original, claro.

Porque é que acha que há tantas marcas de fatos de banho portuguesas?
Acho que o online ajudou imenso porque as pessoas viram a oportunidade de abrir um negócio próprio, e o facto de verem que outras marcas de moda praia estão a ter imenso sucesso fez com que apostassem nesse segmento. O que acontece agora é que o mercado está a ficar saturado, mas a verdade é que parece que quanto mais marcas há mais as pessoas querem consumir fatos de banho.

Antigamente os fatos de banho duravam anos independentemente da moda, hoje há modelos novos constantemente. Acha que o mercado e a forma de consumir mudou muito?
Sim completamente. Dantes comprar um fato de banho por ano já era uma loucura, hoje em dia as pessoas têm cada vez mais necessidade de consumir biquínis e eu acho que isso tem justamente a ver com o número de marcas de biquínis que apareceu.

Acha que também tem a ver com o facto de sermos um país de praia?
Claro. Nós, por exemplo, notamos a diferença de vendas de Lisboa para o Porto, porque em Lisboa se faz praia muito mais cedo e por isso começamos a vender mais cedo aqui.

Só usa fatos de banho, mas para desenhar prefere o prefere?
Prefiro fatos de banho para usar e para desenhar. Como eu também só uso fatos de banho, tenho mais facilidade em desenhá-los. Acho que é mais fácil fazer um fato de banho diferente, que um biquíni diferente.

Acha que é por ter mais pano?
Sim, também. Os biquínis são tão pequeninos que é difícil inventar alguma coisa.

Sobretudo na linha da Latitid que é muito clean
Eu nesta coleção já sinto dificuldade, já penso: “o que é que eu vou fazer mais?!”. Nós temos linhas e cortes simples, e esse é o caminho que queremos manter porque é a identidade da marca, mas cada vez se torna mais difícil. Por exemplo as marcas brasileiras têm muito o hábito de ter um modelo constante e vão mudando os padrões, em Portugal as pessoas não querem isso, querem mesmo os modelos diferentes. Por isso cada ano se torna um desafio maior.

Foi por essa dificuldade que a marca começou a ter mais padrões, sendo que no início tinha sobretudo peças lisas?
O que acontece é que a Latitid é mais conhecida pelos tecidos lisos, mas chegas a um ponto em que já não há muito mais cores lisas para explorar e acabamos por repetir cores. Por isso é que apostámos nos estampados, mas escolhemos padrões que não chamam muito a atenção. São quase falsos lisos.

É por essa simplicidade que o leque de clientes da Latitid é tão grande em termos de idade?
Acho que sim, e é engraçado que este ano sinto que chegámos a um público mais jovem. Continuamos a ter pessoas mais velhas na casa dos 60 como na casa dos 16 anos e isso é ótimo.

Acha que são as miúdas mais novas que ditam o que se vai usar e as tendências?
No caso dos fatos de banho acho que não. Uma mulher de 50 anos não olha para o que uma de 20 está a usar, o ela quer é sentir-se bem, elegante e confortável. Mas acho que cada vez mais as itgirls, as instagramers e blogers têm influência no que as pessoas compram.

Porque é que acha que isso acontece?
Acho que as pessoas têm cada vez mais necessidade de consumir e ver imagens. Antigamente as miúdas tinham ídolos e queriam ser como eles e acho que os ídolos de hoje são muito estas influencers.

Isso acontece sobretudo com o público mais novo?
Não, o público mais velho também vê. Podem é ser menos influenciáveis, a atitude é que é diferente. Enquanto uma miúda de 16 anos diz logo onde comprou, se calhar uma de 30 anos não diz, para a amiga não ter igual.

A exclusividade é outra das coisas que hoje em dia as pessoas mais valorizam. Como funciona a Latitid?
Temos 24 modelos e dentro de cada modelo temos 2 ou 3 variações de cores.

Qual é o plano de expansão da marca?
Estamos à venda em Ibiza e na Suíça em pontos de venda multimarca. Este ano sentimos um crescimento enorme das vendas internacionais no site. Ainda estamos a estudar se é abrimos nos sítios onde temos visto que o número de encomendas aumentou, com o um modelo de pop up store ou se abrimos em multimarca.

Porque é que se inspiram em cidades diferentes?
Isso foi o conceito desde o início. Latitid é a junção de latitude e atitude, o objetivo é a cada ano inspirar-se numa cidade cosmopolita e trazer um bocadinho dessa cidade para os biquínis e na própria campanha e cada coleção é assinada com a latitude do país.

Ainda não tiveram nenhuma coleção inspirada em Lisboa, se fizesse uma agora como seria?
Seria inspirada na calçada, no espírito cheio de vida que Lisboa tem. Mas ainda não pensei nisso, ainda não sei responder a isso.

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