Menina de 7 anos descreve guerra síria no Twitter

Bana al-Abed

Bana al-Abed tem 7 anos e vive em Aleppo, na Síria, com a mãe, Fatemah, e o irmão mais novo, de 5 anos. O barulho das bombas e o medo de morrer não os deixam dormir mais de quatro horas por noite. Em casa também quase não têm o que comer nem eletricidade para cozinhar, aquecer ou iluminar durante a noite. A guerra levou-lhes o combustível que alimentava os geradores, bem como a fruta e os legumes dos supermercados. Para pedir paz ao mundo e mostrar como vivem sob verdadeiras chuvas de bombas criaram, a 24 de setembro, uma conta no Twitter que atualizam diariamente. Já contam com mais de 12 mil seguidores. Sete horas antes de esta notícia ser publicada festejaram o facto de estarem vivos com o vídeo abaixo.

Nem todos os vídeos são tão felizes. Há 23 horas publicaram um que mostra Bana a tapar os ouvidos para evitar ouvir as bombas. Sem sucesso. O seu corpo estremece de cada vez que uma rebenta.


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“Quando as bombas rebentam, os nossos corações abanam antes dos edifícios. A Bana pergunta-me qual a razão de o mundo não nos ouvir nem ninguém ajudar”, descreveu Fatemah numa entrevista que deu ao The Guardian, por Skype, com a filha sentada ao seu lado num quarto mal iluminado e os disparos das metralhadoras claramente audíveis em segundo plano.

Nos últimos 10 dias, as bombas têm caído em Alepo Oriental, numa incessante carnificina provocada por aviões russos e sírios que deixou como rasto centenas de mortos e mais de mil feridos. Na quarta-feira, a Unicef revelou que quase 100 crianças foram mortas neste espaço de tempo. Um número que provavelmente também já terá aumentado.

Sonhos adiados
Aos 7 anos, Bana sonha ser professora, mas nem ela nem o irmão de 5 anos podem ir à escola. “Foi destruída”, contou a menina durante a entrevista ao The Guardian.

Para se abstrair do barulho das bombas, a criança costuma ler e viajar entre as páginas dos livros que tem em casa. No que toca à matemática, apenas faz contas ao número de bombas que caem por dia e à quantidade de mortos que arrastam com elas. “Somos crianças. Amamos a vida. Queremos o mundo a ouvir-nos”, desabafou Bana al-Abed.

Esta família podia ter fugido do país, como fizeram tantos milhares de refugiados, mas não querem optar por esse destino.

“Não se pode deixar a sua própria pele. Este é o país onde os nossos pais viviam, o nosso país, a nossa casa, a nossa respiração. Somos sírios, somos o povo de Aleppo”, acrescentou a mãe, Fatemah.

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