À mesa com cultura e sabores do mundo

Lisboa tem um novo espaço gastronómico. Chama-se Mestizo e abriu portas no início do passado mês de julho, na Avenida D. Carlos I, nº140. Com mais de 20 pratos diferentes, leva-nos a viajar pelos sabores típicos do Brasil, México, Cuba, Peru, Angola, Moçambique e África do Sul, num ambiente a condizer.

O Delas.pt foi até lá e esteve à conversa com Mário Cajada, CEO e fundador do restaurante. Mário Cajada nasceu em Angola, mas veio para Portugal com 12 anos. Trabalha no ramo da hotelaria, sendo já responsável por outros estabelecimentos na capital portuguesa, mas este projeto tem um gostinho especial.

“O facto de ser mestiço e de ter uma mistura de culturas, faz com que este projeto tenha por base a minha existência. Além disso, também era uma lacuna que existia. Encontravam-se restaurantes brasileiros, mexicanos, e outros, mas um restaurante que trouxesse toda esta miscelânea de sabores, de aromas, de cores e de países tão diversos, tendo ainda em comum a mestiçagem, não conhecia”, afirma o fundador do Mestizo.

Desenvolveu-se então um espaço onde a base é gastronómica, mas a cultura não é deixada de parte. “A ideia é fazer com que a pessoa, ao meter um pé cá dentro, entre num universo totalmente diferente. Como se fosse fazer uma viagem. E uma viagem tem de ser do princípio ao fim. Tudo aquilo por que passa: o que come, o que sente, o ouve e o que cheira”, explica Mário Cajada.

O espaço encanta mas é a carta que nos faz crescer água na boca. Passamos os olhos pela lista e vemos que por baixo de cada prato está uma pequena explicação do mesmo e à frente, além do preço, encontra-se a origem.

A seleção teve por base pratos típicos de países com muitas referências culturais. Respeitando sempre a essência das receitas e também os ingredientes tipicamente utilizados, o restaurante inova, sobretudo, no que toca ao empratamento. “Nós africanos, gostamos muito da comida de tacho e de colocar a panela na mesa, mas aqui tentamos desconstruir essa apresentação e fazê-la de modo mais moderno e ocidental”, esclarece Mário, acrescentando que o menu não vai ser sempre o mesmo. “Nós vamos alterar a carta com alguma constância. Vamos introduzir e retirar alguns pratos”, no entanto os mais conhecidos, como a muamba de galinha, vão estar sempre presentes, garante Mário.

Perante aromas fortes e alguns até desconhecidos para nós, o olfato começa logo a trabalhar quando a cozinha mete mãos à obra. O cheiro das especiarias e a própria confeção dos pratos pedidos, rapidamente se começa a fazer sentir pelo restaurante e a vontade de provar tudo já estava a surgir.

A Prova

A viagem de sabores começa no couvert, uns palitos de cenoura acompanhados de molho Gajar, pão de queijo – típico do Brasil –, e pão de Mafra – bem português –, juntamente com uma manteiga de gengibre e lima. Depois disso esperam-nos duas entradas, dois pratos e uma sobremesa.

A primeira entrada é de arregalar os olhos. Roupa velha com tortilhas, assim se chama. De origem cubana, este prato de carne traz sabores fortes e condimentados, contendo ingredientes como pimento e malagueta. Segue-se a entrada de peixe: camarão tigre grelhado com vinagrete de maçã. Um prato da casa, este destaca-se pela sua frescura.

Passando aos pratos principais, optamos por um de carne e um de peixe. O primeiro é o atum braseado com chips de batata-doce e puré de aipo e funcho a acompanhar. Sabores de Cabo Verde que misturam o salgado do atum com o doce da guarnição. Uma combinação que por vezes não agrada a todos, mas onde o atum tem saído sempre vencedor.

O segundo prato principal foi muamba de galinha. Este prato de origem angolana, ao contrário dos outros, chega à mesa dentro de terrinas de loiça. Uma traz a galinha e a outra o funge de mandioca que tem de ser servido com a ajuda de uma colher a escaldar. Os temperos fortes, de facto, conquistaram-nos, mas o funge acabou por ficar de lado, devido à textura elástica e bastante mole.

Por fim, a sobremesa: toffee de tâmaras picante. Um bolo de tâmaras secas com caramelo aromatizado com rum e gelado picante. O bolo é maravilhoso e nem sequer percebemos que estamos a comer fruta. Quanto ao gelado, foi uma surpresa positiva. Ao levarmos a colher à boca sentimos o fresco do gelado, e até temos tempo de perguntar: Mas onde é que está o picante? Quando menos esperamos, sentimos o calor invadir-nos a boca.

Para acompanhar a refeição, além da carta de vinhos portugueses, existe uma lista de bebidas espirituosas e cocktails à base de rum, tequilas e cachaça, bebidas típicas dos países latino-africanos. E para terminar em beleza, pode pedir um café de balão, que é feito na mesa à frente do cliente.

O restaurante, para já só realiza jantares e folga à segunda-feira e ao domingo. Quanto ao horário, está a aberto à terça e quarta-feira das 19h30 às 00h00 horas, e de quinta-feira a sábado das 19h30 às 2 horas. O preço fica, em média, cerca de €50 por pessoa.

 


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