Mulheres angolanas preocupadas com desinteresse com métodos contracetivos

As mulheres angolanas apontam o tabu, desconhecimento, questões religiosas e a falta de assistência médica em zonas rurais como fatores para a reduzida adesão a métodos contracetivos, estimada em apenas 16% dos casos.

Numa ronda feita hoje pela Lusa em Luanda, várias mulheres assumiram preocupação com os dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMSS), em que a média estimada para as mulheres com 15 a 49 anos dizem utilizar “algum método contracetivo” é de 16,1%.

Lamentando igualmente a condição de “vulnerabilidade a que muitas mulheres estão submetidas”, com consequências “em abortos, gravidezes indesejadas e abandono dos filhos”.

“É muito preocupante, por isso é que temos visto muito abandono de crianças, por isso é que ainda vemos um elevado número de abortos. Infelizmente, as mulheres ainda não estão consciencializadas”, disse Vânia Pereira à Agência Lusa .

Esta funcionária pública, de 34 anos, considerou ainda que o tabu continua patente no seio de muitas mulheres, um pressuposto que segundo Vânia Pereira limita o campo de conhecimento de muitas.

“Nem mesmo a nível tradicional as nossas tias e as mães infelizmente não têm a cultura de transmitir esse conhecimento, porque infelizmente não tiveram. Foram sempre muito fechadas em matéria do uso de contracetivos e isso acaba por se refletir agora”, acrescentou.

Para Lúcia Bravo, de 49 anos, limitações do fórum religioso em muitos dos casos concorrem negativamente para os índices apresentados pelo inquérito, recordando existirem métodos contracetivos “trágicos para o organismo da mulher”.

“Por exemplo devido a questões religiosas há determinadas mulheres que não podem usar certos métodos e ficam apenas com os chamados métodos naturais ou tradicionais”, apontou.

Os usos da injeção, da pílula, do chip, da mola [um método definitivo sem cirurgia] são apontados por Lúcia Bravo como os métodos contracetivos de maior opção em Angola pelas mulheres, recordando as “múltiplas” vantagens dos mesmos.

“Usando esses métodos, as mulheres deixam de estar vulneráveis à capacidade de se engravidar, para que depois não se arrependam dos constrangimentos que surgem por terem engravidado sem as devidas condições”, referiu.

Adelina Maquina manifestou igualmente preocupação com os dados avançados pelo inquérito realizado pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola.

“O número é muito reduzido, por isso é que tem havido esses problemas de colocarem os bebés no lixo, acredito que o número deveria ser um bocadinho mais”, lamentou.

A funcionária pública de 42 anos defende por isso a promoção de campanhas de sensibilização, sobretudo em zonas rurais de Angola, no sentido de inverter as atuais estatísticas.

“Principalmente nas zonas rurais onde há maior número de mulheres a engravidar e a cometer esse tipo de situações. Acho que as instituições de direito deviam levar isso para mais além”, adiantou.

A inexistência de uma rede sanitária em diversas localidades de Angola é, no entender de Filomena Van-Dúnem, um fator motivador do reduzido uso de métodos contracetivos por parte das mulheres angolanas.

“Estou em crer que seja mais nas zonas rurais primeiro por desconhecimento e depois por falta mesmo de serviços básicos de saúde local. Olha para o país vê qual é a camada social que faz mais filhos, é lá naquelas localidades onde nem sequer chega esses tipos de serviços, são esses fatores”, disse.

Questionada sobre o método contracetivo mais seguro, esta comerciante de 40 anos sustentou que o melhor método “é a mulher conhecer o seu corpo e o seu período fértil” porque “nenhum outro é 100 eficaz”.

Em meio urbano, segundo o estudo do INE, 22,9% das mulheres dizem usar algum tipo de método contracetivo, enquanto no meio rural são apenas 2,4%.

Das inquiridas, 6% afirmaram recorrer ao preservativo masculino, enquanto 1,1% assumiram utilizar “algum método tradicional” de contraceção.

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