Mulheres com acesso ao aborto são mais otimistas

Mulheres com hipótese de abrotar têm visão mais otimista do futuro (Imagem Simone Golob/Corbis)

Mulheres a quem é dada a possibilidade de abortar fazem mais planos e têm uma maior tendência para os concretizar.

Porque não estão preparadas para ser mães, porque não têm condições financeiras para criar um filho ou porque têm planos para o futuro incompatíveis com a chegada de um bebé. São vários os motivos que levam as mulheres a optar por uma interrupção voluntária da gravidez. E embora muitos estudos se tenham debruçado sobre estas – e outras – razões, poucos se preocuparam em verificar se, de facto, o aborto contribuiu para a concretização dos planos para o futuro. Foi isso mesmo que decidiu investigar um grupo de especialistas norte-americanos, que conclui que sim: as mulheres a quem é dada a possibilidade de abortar fazem mais planos e concretizam-nos.

As mulheres que conseguiram abortar tinham uma probabilidade seis vezes maior de fazer planos aspiracionais do que as que foram impedidas de o fazer.

Recorrendo aos dados de um trabalho anterior, que inquiriu mais de mil utentes de centros de interrupções da gravidez, os investigadores do grupo Advancing New Standards in Reproductive Health compararam as mulheres que conseguiram abortar com aquelas para quem já não foi possível fazê-lo. Divididas em quatro grupos – as que tinham ultrapassado o limite temporal para fazer um aborto e acabaram por ficar com a criança, aquelas a quem faltavam duas semanas para esse limite e abortaram, as que se apresentaram no primeiro trimestre da gravidez e conseguiram o mesmo e as que, tendo-lhes sido negado o aborto, levaram a gravidez a bom termo mas abdicaram da criança -, a todas foi pedido que respondessem como viam a sua vida no prazo de um ano.

E planos não faltavam às 757 participantes, em áreas tão diferentes como educação (21,3%), emprego (18,9%) ou finanças (7,8%). Não faltavam também diferenças entre as que conseguiram abortar e as que foram impedidas de o fazer: as primeiras tinham uma probabilidade seis vezes maior do que as segundas de fazer planos descritos pelos especialistas como aspiracionais, como por exemplo o desejo de terminar os estudos, ser feliz, ter um emprego melhor ou ter mais dinheiro.

Não só a probabilidade de os fazer era superior, como também de os concretizar, com a hipótese aqui a aumentar 20%. Pelo contrário, aquelas a quem foi negada a interrupção voluntária da gravidez olhavam com menos otimismo para o futuro. Estas, revela o estudo, apresentaram “uma maior probabilidade de ter expectativas neutras ou negativas”.

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