Mulheres com doença oncológica que preservam fertilidade têm mais esperança na recuperação

A diretora do serviço de Medicina de Reprodução do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) salientou hoje que as mulheres com doença oncológica que preservam a sua fertilidade sentem-se mais seguras e com mais esperança na recuperação.

A médica Teresa Almeida Santos disse que tem sido um desafio “muito gratificante” levar aos oncologistas a mensagem de que é preciso discutir com as doentes o risco de infertilidade e a preservação da sua fertilidade, caso estejam interessadas, declarou a especialista à agência Lusa.

links_Redes“O grande desafio dos últimos sete anos foi concretizar, não apenas aqui, mas também no resto do país, fruto de um estímulo que se difundiu, uma resposta ao potencial reprodutivo das mulheres com doença oncológica”, sublinhou Teresa Almeida Santos, coordenadora de um projeto sobre o processo de formação de vasos sanguíneos no tecido ovárico transplantado de mulheres com cancro que desejam engravidar desenvolvido pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), Serviço de Medicina da Reprodução do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (SMR-CHUC) e Faculdade de Medicina da UC.

Preservar a fertilidade perante doenças oncológicas dá mais segurança e esperança às mulheres em matéria de recuperação

Desde 2010, que o serviço de Medicina de Reprodução do CHUC dá resposta às mulheres com doença oncológica que desejam preservar a sua fertilidade, embora os ensaios clínicos tivessem tido início dois anos antes.

“Fruto do adiar da gravidez, hoje é cada vez mais provável uma mulher jovem ter a surpresa de um diagnóstico de cancro quando nem sequer pensou ainda em engravidar. E muitos destes tratamentos oncológicos que existem, com taxas de sobrevida na ordem dos 80%, têm como efeito secundário a infertilidade”, frisou Teresa Almeida Santos.

“Se temos uma população crescente de pessoas jovens em idade reprodutiva que tem diagnóstico de cancro e que tem de fazer um tratamento que pode ser lesivo da fertilidade impõe-se dar uma resposta que tecnicamente existe”, acrescentou.

Até à data, 170 mulheres, entre os 16 e os 39 anos, submeteram-se à preservação da fertilidade no Centro de Oncofertilidade do CHUC, das quais a maioria através da criopreservação de ovócitos (células germinativas).

Só depois do tratamento oncológico concluído e passados cinco anos, para assegurar que não há recidiva, é que as mulheres podem ser autorizadas a engravidar.

“Os resultados são animadores, desde logo porque temos gravidezes em curso, que provavelmente não teriam existido se não tivéssemos acautelado efetivamente a congelação dos ovócitos destas mulheres antes dos tratamentos”, congratulou-se Teresa Almeida Santos.

A diretora do serviço de Medicina de Reprodução do CHUC salienta que a conversa com as doentes sobre a preservação da sua fertilidade tem um impacto muito positivo e “restaura a esperança numa altura em que emocionalmente estão perturbadas”.

Para a especialista, “mais gratificante é saber que estas pessoas que tiveram oportunidade de discutir este efeito secundário e de biopreservar as suas gâmetas se sentem melhor na sobrevida, porque não lhes foi roubado um projeto de parentalidade e de vida”.

“Quer se queira ou não, o projeto de parentalidade é praticamente universal, a maioria das pessoas deseja ter filhos e um doente oncológico ainda deseja mais uma família, porque precisa de uma rede de suporte e de sentirem que há uma resposta e uma vida para além do cancro”, enfatizou.

Imagem de destaque: Shutterstock

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