Música, motor de crescimento pessoal

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Em qualquer lugar do planeta ao mesmo tempo que alguém chora de emoção ao ouvir a banda sonora do que foi um dia um beijo apaixonado; outro ri ao recordar o primeiro concerto da adolescência. Há quem tatue claves de sol nas pernas e braços; delire com uma canção rock; tape os ouvidos perante ameaças de um acorde de jazz ou não consiga adormecer sem ouvir uma sonata de Chopin. Uns trabalham ao ritmo das good vibes de Peter Tosh ou Bob Marley outros sob a influência mais soturna de Tom Waitts ou James Blake. O que têm em comum? São influenciados pela sua identidade sonoro-musical.

Aparentemente somos todos manipulados por esta manifestação artística desde o nascimento – ou mesmo durante a gestação. “E desde aí construímos o que podemos chamar de identidade sonoro-musical”, explica Ana Esperança, musicoterapeuta. “É composta pela herança que recebemos dos nossos pais, da escola, e depois vai variando consoante as escolhas e personalidade de cada pessoa”. Daí o que agrada a uns cause repulsa a outros.

A construir inteligência emocional
Desde há milhares de anos que a música faz parte da vida da humanidade. Tão antiga quanto o homem, era usada para exteriorizar alegria, prazer, amor, dor, religiosidade e os anseios da alma. Darwin, inclusive, chegou a declarar que a linguagem verbal não a antecedeu, mas sim derivou dela.

Segundo a investigadora brasileira Cláudia Silva, autora de ‘A linguagem musical na educação infantil’ (2010), “o ser humano, ao longo do processo de evolução procurou diferentes formas de manifestar seus sentimentos, comunicar e expressar emoções”. E a música, segundo a especialista, exerce um papel importante na evolução da humanidade, nomeadamente ao nível da linguagem oral, artes corporais e afetividade. Enfim: tornou-nos mais empáticos e, até, mais inteligentes.

Aliás, a neurociência já provou que de forma geral um praticante de música regular, tal como acontece com músicos profissionais, apresenta maior capacidade de aprendizagem, atenção, concentração, controle emocional e bom-humor. Uma das razões apontadas é que durante a execução de uma peça musical são obrigados a usar os dois hemisférios do cérebro ao mesmo tempo (aquele que está mais ligado às emoções e ao que está associado à lógica).

“Haverá arte mais completa?”, questiona Ana Esperança. “Mobiliza o sistema cognitivo (quando se lê), o sistema motor (quando se excuta), o emocional (quando se interpreta) e mesmo o social, se estamos a tocar com outro e para o outro”.

Ouvir e aprender música desde a infância pode tornar-nos por isso pessoas melhores e mais equilibradas. Aliás, ensinar através da arte é uma proposta já mencionada na Antiguidade Clássica por Platão por esta ser considerada um dos melhores canalizadores de emoções e sentimentos. Dizia ele: “Primeiro, devemos educar a alma através da música e a seguir o corpo através do exercício”.

A ciência moderna confirma também que a música nos pode – mesmo a quem não saiba ler uma pauta – tornar mais felizes: estimula a produção de endorfinas e serotonina, as chamadas hormonas da felicidade (caso nos agrade, obviamente). O hit Happy, de Pharrell Williams – que também usou a dança para o efeito – deixou milhões a sorrir. Os musicólogos melhor que ninguém saberão explicar a eficácia de tais acordes que foram naturalmente estudados para o efeito, e que só deixaram os governantes iranianos à beira da loucura e capazes de encarcerar quem trauteasse e jingasse ao ritmo da melodia.

Talvez a necessidade de ânimo extra seja mesmo um dos motivos pelos quais em plena época de contenção, em Portugal, nunca os festivais de verão tenham tido tanto sucesso. Em 2012, por exemplo, quando a crise se agudizou com uma taxa de desemprego de 15,2 por cento (36,2 por cento no que concerne aos jovens entre os 15 e os 24 anos), no último do Rock in Rio, o concerto de Springsteen contou com cerca de 79 mil espetadores e o último dia juntou 89 mil pessoas – só a entrada para um dia custava 61€. Quase 140 mil ocorreram ao Festival Sudoeste na Zambujeira do Mar e, no total, foram cerca de 600 mil os festivaleiros nacionais.
Certo é que tem sido defendido que em períodos de crise são mais necessários os “refúgios” culturais. Tanto que na situação presente de crise geral na Europa a cultura seja o raro caso de um setor economicamente florescente, representando já 4,5 por cento do PIB, com 8,5 milhões de empregos. E, com o programa Europa Criativa terá um reforço de investimento por parte do orçamento comunitário (2014-20). Venha ela pela felicidade de todos nós!

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