“Não será o caminho mais fácil mas acredito que será o mais rentável”

Natacha Esmail é a fundadora da loja online Melie, o projeto que se começou a desenhar quando estudava em Nova Iorque ganhou vida este ano. Quisemos conhecer mais deste projeto e desvendar como são os bastidores desta plataforma.

Natacha Esmail é a fundadora da loja online Melie, o projeto que se começou a desenhar quando estudava em Nova Iorque e que ganhou vida este ano. Passou pela Fendi, pela Chanel e pela Fashion Clinic e aos 28 anos sabe exatamente qual é o caminho que quer seguir e acredita que o online é um setor vencedor. Apesar da maior aposta do projeto ser no mundo virtual, é possível experimentar e comprar a roupa no showroom da loja, em Paço de Arcos. São 18 as marcas que se podem encontrar nesta plataforma que com sede na Grande Lisboa pretende conquistar o mundo. Quisemos conhecer melhor este projeto e desvendar como são os bastidores da Melie.

Porquê o nome Melie?

Melie é o nome de uma professora de Merchandising que me deu aulas em Nova Iorque e que me marcou muito. Eu queria que o site tivesse um nome feminino, que ficasse na cabeça e acabei por escolher Melie que nos agrada e é uma homenagem.

A sua professora conhece o projeto?

Sim e gosta imenso. Quando vou a Nova Iorque normalmente encontro-me sempre com alguns ex-professores e ela é uma delas. Têm estado a acompanhar o projeto e dão-me sempre a sua opinião.

Como é que se passa a experiência da compra tradicional para uma plataforma online?

Através de fotografias muito boas, no online é a imagem que vende. Também temos de ser de claros, com descrições detalhadas do produto, para os clientes ficarem a perceber melhor como é realmente o produto. No nosso site temos também uma descrição de tamanho que diz as medidas da modelo e qual é que é o tamanho da peça que ela está a usar na fotografia, o que acaba por ser uma grande ajuda, porque os clientes conseguem olhar para as medidas da modelo e comparar com o seu corpo e percebem melhor se aquele tamanha será o mais indicado para si. É desafiante, ter de passar esta experiência toda que é muito física para o virtual, mas eu acho que a chave mesmo está na fotografia. Por outro lado temos a vantagem de estar abertos 24h e alcançar um público muito mais vasto.

Acha que essa é a grande vantagem do online em relação ao físico?

Eu acho que sim. A Melie está a ser um projeto muito desafiante, em primeiro lugar porque trabalhamos marcas pouco conhecidas, os preços são médio altos e é uma plataforma online onde não é possível contactar diretamente com a roupa. Obviamente que podemos fazer algumas ações físicas como pop-up-stores, já aconteceu em Luanda e no Porto, ou até mesmo considerar procurar um espaço para loja física. No entanto o principal objetivo é vingarmos como loja online, porque conseguimos chegar a mercados muito mais longínquos. Pode não ser o caminho mais fácil mas acredito que a longo prazo será o mais rentável.

Quais são os critérios que se usam para escolher as peças para vender no site?

O tipo de público é uma questão muito importante. Ser buyer não é simplesmente ir às compras e comprar aquilo que gostamos, estamos a comprar para um cliente, por isso temos sempre de ter muita atenção ao que escolhemos. No caso da Melie é um público novo, que ainda não conhecemos bem, por isso tudo o que comprei até agora foi influenciado por um estudo de tendências e depois quando comecei a comprar fui vendo o que me faltava, se tinha muito branco tinha de comprar cores, por exemplo. Nós gostamos sempre de ter as peças mais marcantes de cada coleção, mas também temos de ter consciência que não podemos só ter isso, também temos de ter peças mais simples. Um dos grandes desafios de ser buyer é que para além da identidade da Melie, temos de respeitar a identidade das marcas que representamos e esse equilíbrio nem sempre é fácil.

Se tivesse de dar uma identidade à Melie qual seria?

A Melie é um destino de compras para peças marcantes de marcas que não estão facilmente à venda na Europa.

Acha que Portugal vai ser um dos vossos mercado- chave?

O nosso público alvo é a Europa. Queremos alcançar a Alemanha, a Inglaterra, a França, porque são mercados que já estão muito habituados ao online e por isso onde podemos alcançar um maior sucesso. Em Portugal, temos toda a parte logística e a parte física que suporta o online.

Quantas viagens, para comprar roupa, faz por ano?

Faço muitas, pelo menos uma por mês. O mês passado fui a Inglaterra fazer a compra de duas marcas, agora vou a Nova Iorque e no final do mês vou ao Brasil. Isto porque as marcas deixaram de ter só duas coleções anuais, estão sempre a sair coisas novas. Não faço todas as compras presencialmente, às vezes encomendo por catálogo mas tento sempre que isso não aconteça, porque ver e sentir as peças é muito importante.

Antes de entrar neste projeto esteve a trabalhar na Fendi e na Chanel, o que fazia?

Estive a estagiar através da universidade em Nova Iorque. Fui fazer entrevistas a empresas incríveis como o net-a-porter, a Armani, aDolce & Gabanna e acabei por ficar na Fendi e depois na Chanel. Em ambas as marcas estive no departamento de revendas, ou seja eu recebia os buyers que iam comprar as coleções. É interessante porque agora estou do outro lado, agora sou eu que vou comprar.

E qual é a diferença entre estar num lado e estar no outro?

Uma coisa é vender, outra coisa é comprar. Quando estamos a vender temos de conhecer a coleção de uma ponta à outra e perceber o conceito por trás da coleção, temos de saber quais os modelos mais interessantes para os buyers porque o objetivo é sempre a venda. Agora estou a comprar é interessante já ter estado do outro lado e saber quais são as técnicas que eles têm, é importante perceber todas as partes do processo.

Qual é que é a principal característica que se tem de ter para avançar com um projeto destes?

Acho que é preciso ter visão, porque há muitos medos aqui associados, e temos mesmo que acreditar e mantermo-nos fiéis à ideia que temos para o projeto. Outra coisa essencial é estarmos atentos ao mercado, analisar os projetos do mesmo ramo e perceber o que estão a fazer bem e mal, para definirmos o caminho mais correto para nós.

Estamos a falar de um investimento inicial de que envergadura?

Um dos grandes desafios para quem quer começar um negócio em moda é que tem de ter um fluxo capital grande. Porque o investimento começou há um ano e só agora é que nós estamos a começar a ter rentabilidade.

A Melie tem várias linhas, tem vestidos para festa, tem roupa desportiva, tem fatos de banho, etc. Porquê atacar em todas as frentes?

O mercado da moda é tão vasto que quando nos dedicamos a uma coisa só, acaba por parecer pouco. Acho que é importante ter uma boa oferta. Mesmo assim acho que ainda não ataquei todas as frentes, ainda não temos acessórios por exemplo.

E roupa masculina?

Para já não. Quero-me dedicar primeiro ao mercado feminino, estar bem assente nesse mercado, ter clientes fidelizados e depois pensar noutros mercados. Acho que o mercado de homem online, até é capaz de ser mais bem sucedido, porque os homens poucas vezes gostam de experimentar, são muito mais práticos e há muito menos coisas. O mercado de criança também pode ser incrível. No negócio há milhares de coisas que podemos fazer, mas é preciso ir com calma.

De todas as categorias de produto o que é que vende melhor?

Nós temos tido muito de sapatos porque é mais fácil acertar no número e género de sapatos do que na roupa por exemplo. Acho que calçado é fácil, mas surpreendentemente temos vendido muito bem vestidos.

Imagem de destaque: Jorge Amaral / Global Imagens

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