O novo presidente dos EUA é machista, racista e… eficaz

Candidato republicano à Casa Branca Donald Trump [REUTERS/Eduardo Munoz]

Excessivo, impulsivo e sem experiência política, Donald Trump apresentou-se em junho de 2015 como o futuro Presidente que iria restituir a grandeza aos Estados Unidos e, nessa altura, quase ninguém acreditou nessa hipótese.

Ao leme de uma campanha atípica, o mediático e controverso multimilionário quebrou todas as regras do politicamente correto, explorou as inseguranças dos americanos perante um mundo em mudança e conseguiu impor-se ao eleitorado do ‘Grand Old Party’ (GOP, como o Partido Republicano é conhecido) nas eleições primárias para desespero de um aparelho republicano em “crise existencial” e sem qualquer “plano B”.

Deixou para trás todos os seus adversários nas primárias (um total de 16) e garantiu a nomeação presidencial em julho passado em Cleveland (Ohio).

O magnata nova-iorquino de 70 anos, que fez fortuna no setor imobiliário e que nunca ocupou qualquer cargo político, já tinha considerado por diversas vezes avançar com uma candidatura presidencial, como foi o caso em 1988, 2000, 2004 e 2012, mas nunca chegou a vias de facto.

A 16 de junho do ano passado, num discurso proferido no edifício Trump Tower, em Manhattan, Nova Iorque, Trump decidiu quebrar o ciclo e avançar para uma campanha impulsionada por um ego enorme e um espírito populista (e um penteado no mínimo elaborado) que não deixou ninguém indiferente.

Trump fala de tudo, não tem dúvidas e não poupa ninguém, muito menos aqueles que têm opiniões contrárias às suas.

Se for eleito, o multibilionário promete, entre outras coisas, a construção de um muro na fronteira mexicana, pago pelo México, para impedir a imigração ilegal. Também quer expulsar dos Estados Unidos os 11 milhões de imigrantes ilegais que trabalham e vivem naquele país.

Para travar o terrorismo, Trump fala em proibir a entrada de muçulmanos no território norte-americano e diz que vai “cortar rapidamente a cabeça” do grupo extremista Estado Islâmico (EI) e “ficar com o petróleo” dos ‘jihadistas’.

Não esconde a sua admiração pelo Presidente russo, Vladimir Putin, que classificou como “um líder forte”, e já disse que irá cancelar os pagamentos americanos aos programas da ONU na área das alterações climáticas.

A nível interno, Trump apresenta-se como o salvador de uma América que, segundo o próprio, está moribunda e a perder poder de influência.

Milhares de americanos, muitos deles de uma classe trabalhadora zangada com a estagnação salarial e que se sente traída pelas elites políticas, têm participado nos comícios, por vezes tumultuosos, de Trump.

Nessas ocasiões, o magnata, sempre bem vestido e com orgulho de ser politicamente incorreto, faz questão de denunciar “os idiotas” que governam o país, de jogar com os medos alheios e de prometer que vai “Fazer a América grande outra vez”, um dos ‘slogans’ da sua campanha.

Recentemente, o magnata de Manhattan apresentou os seus planos para os primeiros 100 dias à frente da Casa Branca, prometendo melhorar a economia norte-americana e travar a corrupção em Washington.

Os adversários, dos republicanos aos democratas passando pela comunicação social, estão sempre na mira das provocações e das acusações do multimilionário, que afirma ser vítima de uma “elite global” e de uma “imprensa corrupta” que pretendem viciar a eleição a favor da candidata democrata e ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

Sobre a rival democrata (que chegou a ser convidada num dos casamentos do magnata), Trump acusa-a de enriquecer através do tráfico de influências e de ser “cúmplice” das infidelidades conjugais do seu marido e ex-Presidente Bill Clinton.

O empresário violou todas as convenções relativas ao tratamento da sua adversária, quando prometeu que, se for eleito, a meterá na prisão devido às suas práticas de envio e armazenamento de ‘e-mails’ enquanto secretária de Estado e sugeriu que a democrata estava “dopada” durante um frente-a-frente televisivo.

Os comentários ofensivos e misóginos e as denúncias de assédio sexual e de fuga de impostos foram os últimos episódios de uma campanha que tem perdido terreno nas sondagens e que há muito é rejeitada por vários notáveis republicanos, como as antigas famílias presidenciais Bush e Reagan, e encarada como perigosa “do ponto de vista internacional” por altos funcionários da ONU.

Antes de entrar na corrida presidencial, Donald Trump já era uma figura bem conhecida americanos e com sede de mediatismo.

Os edifícios e os casinos com o seu nome, os casamentos e os divórcios nas primeiras páginas dos tabloides, a organização de concursos de beleza e a produção de programas de televisão colocaram Trump no circuito das estrelas sociais dos Estados Unidos.

Nascido no bairro nova-iorquino de Queens a 14 de junho de 1946, Donald John Trump foi o quarto de cinco filhos de um importante promotor imobiliário nova-iorquino. A sua mãe era uma imigrante escocesa.

Depois dos estudos na academia militar e na Universidade da Pensilvânia, Trump entra no negócio de família a 1968. Como incentivo, o pai ajuda-o com “um pequeno empréstimo de um milhão de dólares”. Três anos mais tarde, o jovem empresário assume o controlo da empresa familiar.

O pai construía apartamentos para a classe média nos bairros nova-iorquinos de Brooklyn e Queens, mas Donald Trump preferiu mudar o rumo dos negócios e apostou em torres de luxo, hotéis, casinos e campos de golfe, de Manhattan ao Dubai.

Durante a sua carreira empresarial, sofreu vários contratempos. Entre 1991 e 2009, quatro dos seus casinos e hotéis são colocados sob a proteção da lei de proteção de falências.

Em outubro, a revista Forbes avaliou a fortuna de Trump em cerca de 3,7 mil milhões de dólares (cerca de 3,3 mil milhões de euros). O próprio chegou a afirmar que geria uma fortuna de 10 mil milhões de dólares (8,8 mil milhões de euros).

Casou-se três vezes: duas modelos e uma atriz. Tem cincos filhos e sete netos.

Figura habitual nas páginas dedicadas a celebridades, Trump começou a fazer, ainda na década de 1980, participações especiais em filmes, séries e anúncios. “Sozinho em Casa 2: Perdido em Nova Iorque”, “O Sexo e a Cidade” ou “O Príncipe de Bel Air” são apenas alguns dos formatos que constam no seu currículo televisivo.

Até 2015 foi co-proprietário da organização dos concursos Miss Universo e Miss América e na década 2000 entrou numa aventura televisiva, como produtor e apresentador do formato de televisão “O Aprendiz”.

Deste ‘reality-show’, que procurava um candidato para entrar no mundo dos grandes negócios, fica a frase com que eliminava cada concorrente: “You’re fired” (“Está despedido”).

A expressão deu a Trump a fama de empresário implacável e inspirou os seus apoiantes, sendo possível encontrar alguns a exibirem camisolas com a frase “Obama you’re fired. Vote Trump for 2016”.

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