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O meu campeonato europeu espanhol

Foram os cálculos que nos deram a vitória e o Fernando Santos acusado de promover um futebol tosco e sem espetáculo só foi visto assim pelos expertos na matéria. Afastada das leituras sistemáticas por causa de umas férias quase no meio do nada, o que vi nos jogos foi força. Uma força de “feriado”, como diria depois Éder, na Alameda.

Celebrei todas as vitórias (e empates, é certo) aos saltos. E na final do Europeu, em casa de uns amigos numa zona chique de Tenerife, pedi licença para ir gritar à janela e fui. Fui duas vezes – uma no golo de Éder, outra no fim do espetáculo. Do espetáculo. Lamento, não vi nenhum jogo feio, nem aborrecido. Só vi a minha equipa a avançar, a avançar a cada jogo um pouco mais. A avançar pelas mãos de Pepe, na final, a reerguer-se, a reconstruir-se e aguentar as cargas (Rui Patrício, és o maior!) e a marcar. A marcar.

Na segunda vez que fui gritar à janela, o jogo estava acabado, nós éramos já Campeões. E no meio da nossa gritaria contagiante – os nossos amigos holandeses e espanhóis já gritavam connosco – vimos fogo de artifício vermelho e verde, lá ao fundo, atrás de uma montanha, vindo de uma terra que sabemos piscatória. Eram portugueses? Não sei. Quase que aposto que eram espanhóis.

No dia seguinte, em Tenerife, depois em Madrid, depois em pleno voo, os espanhóis estavam connosco, contentes na nossa vitória. Como estiveram à medida que fomos avançando no Europeu. “Já que não ganhámos nós que ganhem os nossos vizinhos”, ouvi muitas vezes da gente mais simpática que pode haver. Assim como ouvi dos holandeses quando perderam, assim como ouvi dos alemães quando foram eliminados nos quartos de final.

Não estive na festa em Portugal. Cheguei um dia atrasada. Mas celebrei ao ver a capa do jornal desportivo Marca que tratou a nossa equipa como se fosse a sua, ao desarrumar uma banca inteira de jornais para ver só elogios, ao acompanhar a chegada da Seleção minuto a minuto a Portugal pelo smartphone. Mas a festa maior foi quando a senhora de idade avançada me disse “Me alegro mucho por vosotros. Lo merecían.” Pois merecíamos querida senhora, muchíssimas gracias. Esta vitória não foi só nossa.

Carla Macedo, editora executiva