O poder político vai ser delas?

Se há menos de cinco décadas parecia praticamente impossível, e talvez absurda, a possibilidade de existirem mulheres como líderes políticas de um país, atualmente vivemo-lo como uma inevitabilidade. Prova de que os tempos mudam e o poder será, talvez, cada vez mais, delas.

Não podemos, contudo, esquecer a História. No século XIX no Reino Unido, as primeiras ativistas femininas – as sufragistas – tentaram validar, em vão, o direito ao voto às mulheres. Este pedido foi chumbado, sob o argumento de as mulheres serem “emocionalmente instáveis”. A realidade é que as mulheres foram afastadas pelos homens da participação política até ao século XX. E só após a insistência do movimento sufragista (com o sacrifício de algumas mulheres), foi possível conquistar o direito ao voto feminino e, mais tarde, a possibilidade de se tornarem membros representativos de um país. Em poucas décadas, as mulheres conseguiram passar de cidadãs inválidas a chefes partidárias; e a líderes nacionais. A velocidade da mudança é obra e é fruto do trabalho de homens e mulheres feministas.

Mulheres portuguesas na política
Em Portugal, o voto feminino universal só tem 70 anos de existência. É de salientar que 1946, em Portugal, era exigido à mulher, para votar, que tivesse pelo menos o Curso Geral dos Liceus, numa altura em que imperava o analfabetismo. Ao homem, era apenas exigido que soubesse ler e escrever.

O ano de 2016 é marcante para a incidência de mulheres políticas em Portugal. Foram precisos exatamente 30 anos, depois da candidatura de Maria de Lurdes Pintassilgo, em 1986, para que aparecessem duas novas mulheres candidatas à presidência da República 2016 – Marisa Matias e Maria de Belém. Ao longo de quadro décadas de democracia, com 25 governos e 15 primeiros-ministros, foram nomeados para funções governativas 1609 homens e 127 mulheres: 92,7% com cromossoma XY e 7,3% com cromossoma XX.

Parece pouco, mas, na realidade, os valores são significativos, dada a evolução presencial das mulheres na política. Conheceu-se, este ano, o maior incremento de mulheres nos parlamentos entre os países lusófonos, tendo um resultado superior à média europeia, dados fornecidos à agência Lusa (2016) pela diretora dos programas da União Interparlamentar (UIP), Karen Jabre. Em Portugal, a composição da Assembleia da República tem 33% de deputadas, a taxa mais alta de participação feminina de sempre, enquanto as Ministras são 4, o mesmo número de mulheres titulares de pastas no governo anterior.

O poder delas pelo mundo
Se no final dos anos 70, Margaret Thatcher (primeira-ministra entre 1979 a 1990) ditava os destinos do Reino Unido, nos últimos anos são muitas as mulheres que assumiram a liderança política do seu país. Entre o governo e a presidência, ainda formam, contudo, um grupo minoritário, comparando-o com o dos líderes masculinos. Michelle Bachelet, no Chile; Ellen Johnson Sirleaf, na Libéria; Catherine Samba-Panza, na República Centro-Africana; Erna Solberg, na Noruega; Helle Thorning-Schmidt, na Dinamarca; Kolinda Grabar-Kitarovic, na Croácia; Ewa Kopacz, na Polónia; Atifete Jahjaga no Kosovo; Dalia Grybauskaite, na Lituânia; entre outras. Fazem parte do pequeno grupo de mulheres com poder político no mundo. Sem esquecer, claro, a chanceler alemã Angela Merkel, considerada pela revista Forbes como a mulher mais poderosa do mundo.
O futuro na política será delas?
Com a recente nomeação de Theresa May como primeira-ministra do Reino Unido, já são 15 as mulheres chefes de Estado. Na lista estão a já citada Chanceler alemã, as presidentes do Nepal, da Coreia do Sul e da Croácia, entre outras. Um dos casos mais paradigmáticos da política no feminino, é o da ex-secretária Norte-Americana, Hillary Clinton. Pela primeira vez na História dos Estados Unidos da América, uma mulher foi nomeada por um grande partido, como candidata à Casa Branca. Hillary tem sido fortemente atacada, entre outras questões, por falar abertamente do facto de ser avó, mãe.

Uma parte da comunidade Latina afirmou recentemente através das redes sociais que “Você não é minha avó.” Esta reação surgiu após um post publicado no blog da campanha “As sete coisas em que Hillary Clinton é como a sua abuela”. A palavra abuela (“avó”) está escrita em espanhol – a autora é uma hispana que trabalha na campanha de Clinton – e o texto está cheio de acenos aos latinos, incluindo outra palavra-chave para os hispanos nestes dias de agressiva retórica contra os imigrantes: respeto (“respeito”).

Clinton respondeu a este ataque, dizendo que sempre defendeu os latinos na sua campanha e, mesmo antes, enquanto foi primeira-dama do país. Esta situação polémica revela racismo, pela tentativa de hierarquização das qualidades de parentesco, aliadas a nacionalidades; mas também, e sobretudo, um puro sexismo, pois Hillary tem sido criticada por fazer declarações acerca dos seus netos, durante a campanha por várias pessoas, independentemente da raça. Esta situação não aconteceria, certamente, fosse o candidato um homem a falar acerca das histórias dos seus netos.

Não há dados científicos, que nos levem a concluir, que o futuro poder político será maioritariamente feminino. A igualdade quantitativa dos altos cargos de poder ainda está longe de ser uma realidade. Contudo, se a evolução quantitativa nos cargos de poder se mantiver, não serão precisos oráculos para garantir que o cromossoma xx (feminino), ganhará vantagem, mais tarde ou mais cedo, sobre o cromossoma xy (masculino).

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