O que é que os homens aprendem a ver ‘Como Ser Solteira’

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O manual de engate em formato de filme está em estreia nos cinemas. Rui Pedro Tendinha analisa enquanto homem e crítico de cinema Como Ser Solteira, de Christian Ditter, uma comédia romântica com ângulo feminino. Escreve que não gostou mas aprendeu truques para perceber a mente da solteirona americana.

How To be Single pode ser um filme oco, descartável e com odor de água de colónia (nem chega a ser perfume) rasca, mas serve para um homem perceber o seguinte: o jogo de solteiros e solteiras em Nova Iorque, nos dias de hoje, não tem nada a ver com o nosso, o português. Aliás, dá também para perceber que uma nova-iorquina é de uma raça diferente das portuguesas. Estas mulheres não existem por cá. Fiquei a perceber que são seres extraterrestres, compostos do ADN das quatro mulheres de Sexo e a Cidade com uns pózinhos de Bridget Jones. O pior é que o filme não tem um décimo da piada desses exemplos e vai pelos mesmos lugares comuns de todas as mais recentes comédias românticas de Hollywood. Um conto de mulheres temporariamente sós que parecem baratas tontas numa cidade em que se diz que é difícil arranjar um homem atraente que não seja gay ou comprometido.

Vamos a elas: a principal, Alice, interpretada por Dakota Johnson, cada vez mais com uma cinegenia descolorida e baça, ensinou-me que na América, quando um casal diz “vamos dar um tempo”, é um sinal para poderem fazer sexo de uma noite só sem problemas de consciência. A sua amiga, Robin , interpretada com algum timing genuíno de comédia por Rebel Wilson, traz outro ensinamento: a regra de quantos copos uma mulher aguenta acompanhar um homem antes de ficar disponível. Isso e o facto de haver o orgulho em nos esquecermos sempre do que aconteceu na cama quando ficamos perto do coma alcoólico.

A irmã Meg, uma médica encalhada desgraçadamente com trauma de ser quarentona, ensinou-me que a galhofa sexual com um jovem de metade da sua idade tem mais piada quando se está grávida e barriguda. Leslie Mann não compromete nada mas continua com a pior voz do cinema americano. Por fim, há ainda Lucy, interpretada sem um grão de sal por Leslie Brie. É uma mulher que acredita nos encontros online e nas estatísticas para encontrar o seu Príncipe Encantado. Não me ensinou nada a não ser que este tipo de solteira só quer uma coisa: encontrar um marido.

À sua maneira, o filme de Christian Ritter – pois, não foi uma mulher a realizar isto e nota-se – é uma espécie de rodízio de todo o tipo de constrangimentos femininos em noitadas de sexo casual. Acaba por ter um conceito machista por detrás: a chegada atrasada das amigas ao trabalho por estarem ressacadas ou a ideia de que quando não há interesse romântico vale sempre a pena ir para a cama com um homem se este lhe pagar as bebidas.

O que poderia ser um conto sexual divertido sobre libertação feminina acaba por ser uma coisa despachada às três pancadas e, no fim, com o moralismo do costume (as mulheres mais promíscuas acabam por ser as mais sentimentais…). Estas mulheres não são independentes, são chichés de si mesmas. Lição número 1 que tirei: esta lengalenga do “é complicado” nas relações não vai lá com estes filmes encomenda para preencher a data do São Valentim.

Por fim, será que os homens desta história são reais? Não, são tolos e bonecos sem verdade. A melhor coisa é que não se magoam quando são usados como descarga sexual das mulheres e também ensinam coisas para afastar as moças do seu apartamento na primeira noite: não têm nada no frigorífico para o pequeno-almoço… Enfim, o melhor acaba por ser um trabalho de câmara que sabe dinamizar a energia da cidade, de Manhattan a Brooklyn.
Acreditem; a próxima vez que for sair à noite na Grande Maça não pago copos a nenhuma senhora…

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