Obesidade: a doença ignorada que afeta 1,4 milhões em Portugal

Sim, a obesidade é uma doença e traz, como consequência, outras tantas consigo (pode ver quais são na galeria de imagens acima). Apesar de ser um fenómeno relativamente recente, que surgiu em 1980, é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a epidemia global do século XXI. Estima-se que, em 2025, mais de 50% da população mundial seja obesa.

Em Portugal, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, já existem 1,4 milhões de pessoas obesas, o que faz do país um dos que tem maior taxa de obesidade na União Europeia.

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Entre a população nacional obesa, 57% são mulheres. Portugal foi o primeiro país da Europa a reconhecer este problema de saúde como doença, mas ainda existem muitas nações a ignorarem, algo que preocupa bastante os profissionais de saúde.

“Os EUA são os campeões da obesidade e é curioso porque os estados com maior índice de obesidade correspondem aos Estados em que Donald Trump ganhou nas últimas eleições. Na Europa, o baixo peso é uma raridade e as mulheres ultrapassaram os homens a nível de obesidade nos últimos anos”, explicou Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, durante uma conferência sobre a doença.

Casos de obesidade genética são raros

São muitas as pessoas obesas que atiram a culpa da doença para a genética. No entanto, os casos de obesidade genética são bastante raros e, na maioria das vezes, a doença é causada sobretudo pelo estilo de vida.

“As síndromes genéticas relacionadas com a obesidade aparecem na infância. A obesidade genética é muito rara. À medida que a idade aumenta, aumenta também a prevalência da doença, depois tende a reduzir a partir dos 65 anos. Com a crise, por exemplo, a obesidade aumentou”, afirmou a presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade.

O sedentarismo, stress, má alimentação, dormir pouco, depressão, terapêuticas para a depressão, medicação e a genética estão entre as causas para a obesidade, mas os problemas financeiros também contribuíram para o agravamento desta epidemia.


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“Está-se a apostar na prevenção, o problema é que a prevenção nisto não pode ser como no tabaco, em que se proíbe uma série de coisas. Os vegetais estão caríssimos e nas grandes cidades, como têm muito pouco tempo, as pessoas optam pela comida pré-feita. É necessário também impor às cantinas que tenham uma alimentação atrativa mas simultaneamente saudável e envolver as crianças na preparação dos alimentos”, sublinhou Carlos Oliveira, presidente da Associação de Doentes Obesos e ex-obesos em Portugal (ADEXO).

“Se a obesidade tivesse manifestações como a sida e o cancro a prevenção seria muito mais fácil”

Portugal foi o primeiro país da Europa a reconhecer a obesidade como doença, mas a forma como se trata este problema está longe de ser a ideal. No Serviço Nacional de Saúde (SNS) os obstáculos são vários, com as listas de espera para as cirurgias a prolongarem-se entre três e quatro anos. Às vezes, só para terem a primeira consulta, os doentes têm de esperar cerca de dois anos, o que acarreta danos graves para a saúde de todos eles.

“Na obesidade mórbida as pessoas já estão em risco de vida e têm uma série de doenças associadas. Morrem cerca de 1500 pessoas por ano com doenças associadas à obesidade. Além da consciencialização dos médicos e doentes, é preciso o apoio do poder político. Estamos a criar crianças que vão morrer antes dos pais“, alertou o presidente da ADEXO.


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Para se lutar contra a obesidade são necessários nutricionistas, psicólogos, psicoterapeutas e médicos. E é preciso que os doentes saibam que não precisam de ter um corpo como o da modelo portuguesa Sara Sampaio. Só têm de perder 3% do peso atual. “Se a obesidade tivesse manifestações como a sida e o cancro a prevenção seria muito mais fácil”, disse Carlos Oliveira.

Um novo tratamento

Há uma nova esperança para quem tem obesidade. Chama-se GLP-1 e está disponível em Portugal desde o dia 1 de maio. Este medicamento regula o apetite e a quantidade de comida ingerida, diminuindo a sensação de fome e aumentando a sensação de satisfação e ansiedade depois de comer. Cada embalagem custa cerca de 250 euros e dá para um mês de tratamento. Como não é comparticipado pelo Estado, torna-se num peso para a carteira dos doentes.

“Todo o tratamento acreditado pelo SNS é bem-vindo, desde que não sejam aqueles produtos milagrosos que são acreditados pelo ministério da Agricultura e não pelo Infarmed e a única coisa que fazem é emagrecer a carteira. Basta entrar numa farmácia para encontrar produtos destes, a prometer perdas de peso milagrosas que no fundo sabemos que não vão acontecer”, acrescentou o presidente da ADEXO.

Imagem de destaque: Shutterstock

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