Olá, Alice! Esta é a primeira assistente virtual para mulheres empreendedoras

Entre os maiores obstáculos enfrentados pelas mulheres que querem lançar ou escalar as suas startups estão o levantamento de capital e a criação de uma rede de mentores para as ajudar. A aceleradora Circular Board, fundada por Carolyn Rodz há dois anos, no estado americano do Texas, decidiu lançar uma assistente alimentada por inteligência artificial para ajudar a resolver estes problemas. Chama-se Alice e é a primeira assistente digital especificamente virada para mulheres empreendedoras.

A Alice foi revelada durante o evento anual Dell EMC World, que junta clientes e parceiros da gigante tecnológica em Las Vegas. Tudo começou em 2016, quando a Circular Board abordou a Dell com esta ideia: criar uma plataforma de inteligência artificial que ajudasse as mulheres que querem fundar os seus próprios negócios, usando a automação e aprendizagem de máquina para compensar a ausência de outros fatores – uma rede contactos bem recheada, recursos para pesquisa e benchmarking, apoio legal, de marketing e financeiro. O propósito era construir um ecossistema de raiz para mulheres empresárias, algo que seria disruptivo no mundo das startups.

A Dell aceitou de imediato. O software foi desenhado e implementado pela Pivotal, uma empresa do universo Dell Technologies, em apenas três meses. Esta semana, a Alice disse “olá” ao mundo.

A Alice filtra instantaneamente milhões de recursos e seleciona os conteúdos personalizados e verificados que permitem às fundadoras escalarem ao máximo, não interessa onde estejam localizadas ou quem tenham na lista de contactos”, disse a CEO da Circular Board, Carolyn Rodz.

A sua experiência com a aceleradora nos últimos dois anos mostrou-lhe que os recursos no mundo das startups circulam apenas entre uma pequena percentagem de empreendedores com uma boa rede de contactos e dificulta a entrada de outros fundadores. “A Alice é a melhor mentora, guia e consultora da empreendedora no feminino.”

A base da plataforma é a analítica de dados. A empreendedora fornece as informações sobre a sua startup, ambições e projetos, e a Alice devolve-lhe conexões com base no tamanho da empresa, localização, indústria, volume de negócios, necessidades específicas, etc. O mais interessante é que, como esta é uma plataforma de inteligência artificial com aprendizagem de máquina, a Alice torna-se melhor e mais eficiente à medida que vai sendo utilizada, porque acumula informação e utiliza-a para se melhorar. Dessa forma, conseguirá prever quais os eventos a que certa empreendedora deve ir, que mentores são mais adequados, quais os pontos de acesso que pode tentar para levantar capital e onde estão potenciais clientes. É uma riqueza de recursos com que qualquer empreendedor sonha.

Mais importante que tudo: a plataforma é gratuita neste momento. No entanto, uma vista de olhos pelos termos de serviço mostra que a Circular Board pretende começar a cobrar subscrições anuais, ainda por quantificar.

A interface da Alice é semelhante à de outras assistentes digitais de consumo, como a Siri, Alexa ou Cortana: ativa-se por conversação. Só é preciso colocar uma questão e receber uma resposta. A empreendedora acede a um painel de controlo personalizado, que apresenta módulos baseados nas suas atividades em tempo real, e tem acesso a uma extensa biblioteca de recursos, como calendário de eventos e redes de especialistas. A Alice também recolhe dados pessoais e de empresas para criar perfis demográficos.

A aprendizagem de máquina depende da quantidade de informação com que a utilizadora alimenta a plataforma, que inclui uma funcionalidade de pesquisa que filtra por localização, indústria, receitas anuais, número de empregados e anos de operação.

“A Circular Board está a liderar o caminho para ajudar as mulheres empreendedoras a transformarem ideias em negócios de rápido crescimento”, disse Rob Mee, CEO da empresa que criou o software, a Pivotal.

Não é que haja falta de mulheres que lideram os próprios negócios: nos Estados Unidos, empresas dirigidas no feminino geram 1,3 biliões de dólares e empregam 7,8 milhões de pessoas. O problema está na dimensão que elas conseguem atingir. Chegadas a um certo ponto, não evoluem. Apenas 2% das empresas com mulheres na liderança ultrapassam um milhão de dólares em receitas anuais. É essa a estatística que a Alice quer virar ao contrário.

A aplicação HelloAlice só está disponível em inglês e os recursos que reúne estão todos nessa língua. Mas nada impede as falantes de português de se registarem e aprenderem.

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