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Os casais não dizem só verdades. Veja o que escondem

Os casais não dizem só verdades. Veja o que escondem

As relações entre as pessoas assentam em alguns princípios: proximidade, partilha, afeto, diálogo e verdade. Segundo a psicóloga clínica e terapeuta familiar e de casal, da Oficina de Psicologia, Ana Oliveira, Esperamos que o outro nos diga aquilo que pensa e sente em relação a nós, de si próprio e do mundo. “Mas existem filtros que peneiram esta informação e na maioria das vezes o acesso não é total, por muito que se aspire a isso, em particular na relação de casal.”


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Na vida a dois, ambos temem a perda da estabilidade e dos afetos, “se bem que muitas vezes, a procura pela novidade e desafio pode revelar-se uma armadilha”. O que escondem então os casais?

Escondem que se sentem atraídos por outra pessoa
“Os casais tendem a ter dificuldade em falar abertamente um com o outro acerca da atração física que sentem por uma outra pessoa” começa por dizer ao Delas.pt a psicóloga Ana Oliveira. “Têm receio que tal partilha vá gerar um sofrimento tal ao outro que possa conduzir a uma quebra de confiança tamanha que prejudique a relação de forma permanente.”

Mais do que aquilo que se diz é a forma como se diz. “Naturalmente que diga o que se disse é natural que homens e mulheres sexualmente ativos e socialmente integrados cruzem-se no seu dia-a-dia com outros homens e mulheres que poderão percecionar como atraentes. A questão mais relevante coloca-se quando a atração sentida é dirigida a alguém que está presente de forma mais regular no dia-a-dia, como um colega de trabalho”, explica a especialista. “Se o homem ou mulher dá conta desta atração e sente necessidade de gerir a situação, sentindo que a vontade de estar com aquela pessoa está a aumentar, será importante, por mais receios que existam, que esta situação seja partilhada em casal para que os dois possam refletir sobre o que se estará a passar.”
Esta partilha dura é feita precisamente quando há vontade de trabalhar para que a relação funcione. “Por mais dura que seja será sempre uma partilha mais construtiva, do que aquela que poderá surgir após existir um envolvimento extraconjugal concretizado.”

Escondem as fantasias sexuais
Muitos casais ainda sentem dificuldade em falar abertamente sobre os seus gostos e necessidades a nível sexual. Segundo Ana Oliveira, da Oficina da Psicologia, “por um lado tendem a considerar que se trata de uma área que com o aumento de intimidade e envolvimentos melhorará, quando tal não é necessariamente verdade. Muitos homens e mulheres sentem-se inibidos de partilhar as fantasias sexuais que desenvolvem durante o ato sexual, como se tal, pudesse constituir uma traição ao outro; de igual forma há uma inibição na partilha do verdadeiro grau de satisfação que sentiram, como se houvesse receio de magoar o outro ao dizer-lhe que não atingiu o orgasmo ou que tendo atingido há formas de tocar que aprecia mais.”

A comunicação aberta é um dos ingredientes mais fundamentais para uma sexualidade de qualidade. “A partilha de fantasias sexuais em casal potencia a qualidade da sexualidade vivida a dois, aumentando a satisfação sentida por ambos.” De igual forma, guiar o parceiro ou parceira no sentido de lhe dizer do que mais se gosta e como mais se gosta, traduz cumplicidade e confiança que também potenciarão a união do casal.

Como resolver?
De acordo com a psicóloga Ana Oliveira, “os casais que conseguem manter a sua relação no tempo de forma estável e satisfatória para ambos apresentam algumas caraterísticas que passam por um genuíno cuidado e preocupação com o outro relativamente ao seu bem-estar; curiosidade e interesse sobre as suas atividades e tarefas; valorização das suas competências e conquistas; e apoio na (re)definição de metas e objetivos ao longo do tempo, pois é importante ir-se ajustando os objetivos em comum, pois cada um vai mudando e as circunstâncias também.”

Neste sentido diz a especialista que é preciso “investir nestes aspetos mais do que num detetor de mentiras! Nunca saberei tudo de mim quanto mais do outro!” A confiança e a verdade deve “ser sentida e vivida, nas palavras, mas também nos gestos, no toque físico que liga um ao outro (abraço, piscar de olho) e faz acreditar que essa ligação persiste mesmo quando não estão perto”.

B.C.M.